Iron Maiden: 20 anos de “A Matter Of Life And Death”
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| "A Matter Of Life And Death", do Iron Maiden, completa 20 anos de lançamento em 2026. |
Hoje, sexta-feira, 28 de agosto de 2026, marca o 20° aniversário de “A Matter Of Life And Death“, o 14° disco de estúdio do Iron Maiden (OK, a versão brasileira, via EMI, chegou um pouco mais tarde, em 11 de setembro, enquanto as edições italiana e finlandesa saíram em 25 de agosto e a versão lançada nos Estados Unidos, Canadá e Japão saiu em 5 de setembro). Com produção de Kevin Shirley e Steve Harris, o álbum saiu pela EMI, no Reino Unido, e pela Sanctuary, nos Estados Unidos. Foi gravado entre os dias 1° de março e 4 de maio de 2006 no Sarm West Studios, em Londres. O trabalho foi o terceiro de estúdio com a atual formação. O play foi lançado, na época, em dois formatos: CD simples e o outro com CD simples e um DVD bônus.
Com
o retorno de Bruce Dickinson e Adrian Smith em 1999, o Iron Maiden voltou a
figurar o local de destaque do cenário do Heavy Metal, como a maior banda do
gênero. E, desde quando tornou-se um sexteto, Steve Harris e companhia passaram
a trazer as influências que passaram a ser mais presentes em cada trabalho da
banda: começo lentamente em “BraveNew World” (2000), seguiu-se em “Dance
Of Death” (2003) e com “A Matter Of Life And Death” não foi diferente, muito
pelo contrário, isso ficou mais nítido ainda: as longas passagens
instrumentais, influenciadas pelas características marcantes dos grupos de rock
progressivo da década de 1970, uma vez que tanto Bruce Dickinson e Steve Harris
são apreciadores insaciáveis desse estilo, especialmente o Jethro Tull, no caso
do “dono do Iron Maiden”.
Então,
unindo essa pegada progressiva e a presença do Heavy Metal clássico, a Donzela
de Ferro nos brindou com mais um grande disco que, na ocasião, era o maior em
relação a tempo de duração, com mais de uma hora, faixas longas, mudanças de
andamento e solos, mas tudo bem estruturado, com ótimos arranjos e riffs idem.
Apesar de a maioria das faixas abordarem temas como guerra e religião, o grupo
negou que tenha feito um álbum conceitual.
O
disco começa muito bem com “Different
World“, que apresenta um excelente dueto de guitarras, é a
única faixa que não passa dos cinco minutos. É bem influenciada pelo estilo de
som que o Thin Lizzy fazia nos anos 1970, e o vocal poderoso de Bruce Dickinson
é um atrativo a mais. Excelente faixa. Depois, aparece “These Colours Don’t Run“,
que tem na ‘intro’ a presença de guitarras que lembra algo de “Brave New World“,
uma excelente letra em que Bruce manda muito bem ao narrar a trajetória dos
soldados de guerra que, geralmente, tem o pior destino e que, para alguns
políticos covardes, acreditam ser que o fim (dos soldados) seja inevitável. O
terceiro tema é “Bring
Than A Thousand Suns“, que se destaca pela alternância de
ritmos, indo do mais calmo a explosões cheia de peso, vale destacar o baixo
“cavalgante” de Steve Harris e o ótimo trabalho de Nicko McBrain na bateria. A
música é inspirada no Projeto Manhattan (com o título sendo uma citação do
Bagavadguitá usada por J. Robert Oppenheimer pouco após a detonação da primeira
bomba nuclear) e, sim, a letra faz outra referência à guerra, ou melhor, de sua
consequência, que pode ser diferente entre os envolvidos e igual para os
demais. Posteriormente, em “The
Pilgrim” que remete aos “golden years” da banda, ou seja, os
anos 80, especialmente por conta do riff e, mais uma vez, os caras apresentam
refrãos fortes e outro dueto de guitarra inspirados. E, como Iron Maiden também
é história, a temática se baseia na jornada do Mayflower, o navio que embarcou
em 1620 com imigrantes ingleses para o Novo Mundo (a América) por fins
religiosos. A obra chega à metade com “The Longest Day” em que o baixo de Harris atua
como guia e as três guitarras fazem um trabalho primoroso e ainda apresenta uma
mudança de andamento e, na letra, Bruce declama a respeito do “Dia D” da II
Guerra Mundial.
A
segunda parte do trabalho começa com “Out Of The Shadows“, uma balada em que o grupo faz
uso de violões, extrapola a repetição do refrão, seria como se misturasse “Tears Of The Dragon”
(da carreira solo de Dickinson) com “Wasting Love” (de “Fear
Of The Dark“, de 1992), porém, mais pesada. A faixa 7 é
a incrível “The
Reincarnation Of Benjamin Breeg“, que foi o primeiro single do
álbum, começa lenta com as guitarras, depois aparecem Steve Harris e Bruce
Dickinson na parada. O riff é até simples, pelo menos para os padrões do Iron
Maiden, mas é penetrante na cabeça de quem ouve. Já em “For The Greater Good Of God“,
como o nome sugere, aborda sobre as guerras religiosas. Dona da música mais
longa do play (com 9’23” de duração), a música começa com o baixo sutil de
Steve Harris, depois a canção desponta com os ótimos vocais de Bruce, que
praticamente conduz a faixa em tons altos, mostrando todo potencial de sua voz.
As mudanças de andamento (mais uma!) da música acompanhado do arranjo orquestrado
deixa o clima épico. O penúltimo tema é “Lord Of Light“, outra com pegada bem oitentista e
que tem o protagonismo de Nick McBrain sendo certeiro nas viradas e um solo de
guitarra no final bem inspirado. A letra da música trata sobre, digamos, de uma
espécie de uma outra versão da expulsão dos anjos do céu durante uma rebelião,
afinal, Lúcifer, cujo nome significava “Senhor da Luz” (“Lord Of Light”). E,
para encerrar, “The
Legacy“, que tem fortes influências do Jethro Tull, de folk e
dos celtas. Começa de forma acústica, ao longo da música, o maravilhoso
trabalho dos violões chamam a atenção e encerra o disco com louvor.
Para
promover o álbum, a banda encarou uma turnê que dá o nome ao disco e tocou
todas as músicas da obra nos shows e, em relação ao desempenho de “AMOLAD” nas
paradas, até que foi boa em diversos países, como um 9° lugar na Billboard 200,
o topo das paradas da Alemanha, da Itália, da Polônia, um quarto lugar nos
charts britânicos.
Para
quem aprecia a primeira fase da banda (era-Di’anno até a saída de Bruce em
1993), poderá não ficar muito satisfeito com o disco, afinal, com faixas mais
longas, ‘intros’ intermináveis, a audição pode até tornar-se cansativa, mas “A Matter Of Life And Death”
é mais um típico caso de álbuns que o ouvinte aprende a apreciar depois das
primeiras audições. Digo isso por experiência própria. E, claro, vale a
aquisição.
A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.
Por
Jorge Almeida

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