Iron Maiden: 25 anos de “Brave New World”
![]() |
| “Brave New World”: o primeiro trabalho do Iron Maiden lançado como sexteto, completa 25 anos de lançamento. |
Hoje, 29 de maio, completam-se exatamente 25 anos de lançamento do álbum “Brave New World”, do Iron Maiden, o 12º trabalho de estúdio da banda britânica. O disco marca os regressos de Bruce Dickinson (voz) e Adrian Smith (guitarra) ao grupo e foi o primeiro a ter a presença de três guitarristas – Dave Murray, Janick Gers e o já citado Adrian Smith – e também a ter o trabalho de Kevin Shirley na produção (juntamente com Steve Harris, no caso desse play).
Gravado entre verão (europeu) de 1999 e abril de 2000 no Guillaume Tell Studios, em Paris, algumas das músicas que compõem o álbum foram escritas durante a “Ed Hunter Tour”, em 1999, e outros temas como “The Nomad”, “Dream Of Mirrors” e “The Mercenary” foram escritas originalmente para o álbum “Virtual XI”, assim como “Blood Brothers”, mas não foi finalizada a tempo. E, reza a lenda, que “Dream Of Mirrors” teve o ex-vocalista Blaze Bayley como um dos autores, mas não foi creditado.
Após
o desligamento de Bayley, Bruce Dickinson e Adrian Smith foram anunciados meses
depois que estariam de volta à “Donzela” e, atendendo ao pedido de Smith,
Janick Gers foi mantido no grupo. Após esse anúncio, o grupo partiu para uma
turnê mundial para promover a coletânea/jogo para PC “Ed Hunter”.
Com
uma pegada mais progressiva e, ao mesmo tempo, retornando às suas origens, as
canções de “Brave New World”
mostram um trabalho diferente em relação ao que o Iron Maiden havia feito em “The X Factor” e “Virtual XI”.
Algumas músicas lembram pedaços de temas de “Powerslave” e “Fear Of The Dark”,
e abordando temas obscuros e críticas sociais.
O
disco foi o último a ter a arte de Derek Riggs, que foi responsável pela parte
superior da capa, enquanto a metade inferior foi elaborada por Steve Stone, um
artista digital. A ilustração (e a faixa-título) são referências ao romance “Brave New World” (1932),
de Aldous Huxley.
O
álbum abre com “The
Wicker Man”, que foi lançada como single, e a temática foi
inspirada no filme de mesmo nome de 1973, que no Brasil ficou conhecido como “O Homem de Palha”. Por favor, não
confunda com “Wicker
Man”, música da carreira solo de Dickinson (lançada na
coletânea “The Best Of Bruce Dickinson”,
de 2001) que, embora as letras de ambas sejam estreitamente ligadas à temática
do filme, são distintas. O solo é feito por Adrian Smith e foi um dos singles
do álbum. Com forte apelo comercial, a música ganhou videoclipe e veiculação na
MTV. Já “Ghost Of The Navigator”,
a faixa seguinte, traz uma excelente base e o vocal indefectível de Bruce. Já
faz parte do rol de clássicos dos maidenmaníacos. O terceiro tema é “Brave New World”,
que tem o seu baixo galopante e a ótima performance dos guitarristas aliado às
linhas vocais de Dickinson. Enquanto isso, “Blood Brothers” (a minha favorita) foi composta
por Steve Harris em homenagem ao pai, que morreu enquanto o baixista estava em
turnê. A música começa lenta, depois vem a “pedrada” na orelha e o peso. E o
play chega a metade com “The
Mercenary”, que é “totalmente Iron Maiden”, ou seja, porrada do
começo ao fim. Lembra um pouco de “The Fugitive”, faixa de “Fear Of The Dark”
(1992).
A
segunda metade do disco segue “Dream Of Mirrors”, que mostra um baixo “limpo” e a
perfeição da sintonia entre as guitarras. Na sequência, o tema “The Fallen Angel”,
se destaca pela rapidez e peso, e se poderia ter sido uma música de “Piece Of Mind” (1983)
fácil, fácil. A oitava música é “The Nomad”, que ganha destaque com o timbre da voz
de Bruce com a temática da canção e o teclado acompanhando o baixo. Ótima
faixa. Posteriormente, o disco traz aquele que foi o segundo single, “Out Of The Silent Planet”,
que apresenta uma bela introdução, seguida de alguns solos duplos, riffs
pesados e refrão cantados com duas vozes. A música foi baseada no filme “Forbidden Planet”
(1956), dirigido por Fred M. Wilcox. E, para finalizar, “The Thin Line Between Love And
Hate“, com o seu começo lento e solos curtos no melhor estilo
Adrian Smith.
O disco teve
boa aceitação do público, pois alcançou o sétimo lugar nos charts britânicos,
estreou em 39º na Billboard 200 nos Estados Unidos. Além disso, a sua turnê foi
bem sucedida e teve o seu ápice no show realizado em 19 de janeiro de 2001 no
Rock In Rio que, mais tarde, foi registrado em CD duplo e DVD (seis das dez
músicas do álbum estão no tracklist do ‘live’).
Nas
turnês dos trabalhos seguintes do Maiden, só não teve temas de “Brave New World” na
“A Matter of Life and Death Tour”,
pois na tour seguinte (“Dance
Of Death Tour”), o play foi representado pela sua faixa-título,
enquanto na turnê do último disco de estúdio (“The Final Frontier World Tour”) muitos faixas de “Brave New World”
voltaram ao set, como a faixa-título, “The Wicker Man”, “Ghost Of The Navigator” e “Blood Brothers”
que, aliás, foi dedicada a Ronnie James Dio após sua morte em 16 de maio de
2010 e, além disso, a performance da banda registrada no álbum “En Vivo!” (2012)
foi nomeada para o Grammy de Melhor Performance de Hard Rock/Metal em dezembro
de 2012.
Para
alguns, “Brave New World”
foi o último grande trabalho do Iron Maiden, para outros, o registro é apenas
“mais um disco”, mas, independentemente disso, o que não podemos negar é que
ele é repleto de excelentes canções que mesclam o passado glorioso da banda com
a tendência que seguiria nos trabalhos seguintes (temas mais progressivos sem
perder a essência do Heavy Metal), mas independentemente das opiniões, o fato é
que, com ele, o Iron Maiden voltou ao topo.
A seguir, a
ficha técnica e o tracklist do disco.
Jeff
Bova: orquestração
em “Blood Brothers” e “The Nomad”
Por Jorge
Almeida

Comentários
Postar um comentário