Deep Purple: 55 anos de “Fireball”
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| A capa original e a versão remasterizada de 25 anos de "Fireball", álbum do Deep Purple, que completa 55 anos de lançamento em 2026. |
Neste mês de julho, a versão norte-americana do álbum “Fireball”, do Deep Purple, completa 55 anos de lançamento. Gravado entre setembro de 1970 e junho de 1971 no De Lane Lea e Olympic, em Londres, e no The Hermitagem, em North Devon, o disco foi lançado pela Harvest e Warner Bros. A edição europeia saiu em setembro do mesmo ano. A obra foi produzida pelo próprio Deep Purple.
A
obra foi o segundo trabalho do Deep Purple com a sua formação clássica (MK II –
Blackmore, Gillan, Glover, Lord e Paice) e saiu após um ano depois do impacto
provocado pelo sensacional “In Rock” (1970). As gravações ocorreram em meio às
maratonas de shows, período de bastante desgaste físico e, ao mesmo tempo,
criativo pelo grupo, o que não impediu que virar um dos trabalhos mais
versáteis e ousados do Purple.
Ao
contrário de seu antecessor, em “Fireball”, a banda apostou em uma variedade chocante
de estilos sem perder a identidade pesada que consagrou o quinteto. A
faixa-título abre o álbum de forma explosiva, impulsionada pela bateria
impecável de Ian Paice, em uma música que muitos consideram uma das precursoras
do Speed Metal pela velocidade e agressividade. Os grandes momentos foram
protagonizados pelo excelente solo de baixo de Roger Glover, o fade out com
Paice e Lord em ritmo frenético e complementado com Gillan tocando uma
pandeirola. Ritchie Blackmore teve uma atuação mais discreta (o que é algo raro
no Deep Purple).
Em
seguida, "No No No" mostra
um Deep Purple mais apurado, misturando Hard Rock, Blues, elementos
progressivos e até discretas influências de jazz. É uma das grandes
demonstrações da química entre Jon Lord, Ritchie Blackmore, Roger Glover, Ian
Gillan e Ian Paice.
A
terceira faixa varia conforme a edição do disco. Na versão britânica aparece
"Demon's Eye", erguida
sobre um forte clima de Blues e riffs marcantes. Já nos mercados
norte-americanos e de outros países, ela foi substituída por "Strange Kind Of Woman", que acabou
se tornando um dos maiores clássicos da banda, perpetuada pelos históricos
duelos entre a guitarra de Blackmore e a voz de Gillan nas apresentações ao
vivo (confira e “viaje” na versão do “Made
In Japan”, de 1972).
A
surpreendente "Anyone's Daughter"
rompe a atmosfera pesada com uma divertida combinação de Country e Blues, despontando
outro aspecto do quinteto. No lado B, "The Mule" traz uma forte influência progressiva e ficou célebre
por servir de base para os solos de bateria de Ian Paice nos shows.
Um
dos pontos altos do álbum é "Fools",
uma composição longa e cheia de alterações de andamento, que acerta peso,
passagens psicodélicas e momentos de grande sofisticação instrumental. O
encerramento fica por conta de "No
One Came", uma faixa eficiente, embora menos inspirada que o restante
do repertório.
Independentemente
da versão escolhida — com "Demon's
Eye" ou "Strange Kind Of
Woman" —, “Fireball” continua
como um dos discos mais fecundos do Deep Purple. A versão de 25 anos, lançada
em 1996, contém nove faixas bônus – entre lados Bs, outakes e outras “sobras” da
gravação da época.
O
“pecado” de “Fireball” foi ter sido lançado entre duas obras-primas não só do
Deep Purple, mas como do rock: “In Rock”
(1970) e “Machine Head” (1972).
A
seguir, a ficha técnica e o tracklist (versões europeia e norte-americana) da
obra
Versão europeia:
Versão norte-americana:
Por
Jorge Almeida

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