Deep Purple: 55 anos de "Deep Purple In Rock"

"Deep Purple In Rock" ou "In Rock", enfim, um clássico absoluto de Deep Purple completa 55 anos de lançamento em 2025.

 

Hoje, 3 de junho, um dos maiores clássicos do Deep Purple, o álbum "Deep Purple In Rock", ou simplesmente, "In Rock", completa 55 anos de lançamento.  Gravado entre agosto de 1969 e maio de 1970, nos estúdios IBC, De Lane Lea e no Abbey Road, a obra saiu pela Harvest no Reino Unido e pela Warner Bros., nos Estados Unidos, e foi produzido pela própria banda. Essa foi a estreia “pra valer” da dupla Ian Gillan e Roger Glover na banda (uma vez que eles debutaram no ao vivo “Concerto For Group And Orchestra” (1969).

Com “In Rock”, a banda mudou um pouco o seu direcionamento musical, uma vez que nos trabalhos anteriores, o Deep Purple variou o hard rock, psicodélico e orquestra, que lembravam coisas como The Beatles e Neil Diamond.

Já a icônica capa de “In Rock”, que mostra os rostos dos integrantes da banda esculpido em pedra, foi inspirada no Monte Rushmore (local situado no estado norte-americano de Dakota do Sul, onde estão esculpidos os rostos dos presidentes ianques George Washington, Abraham Lincoln, Thomas Jefferson e Theodore Roosevelt).

A "brincadeira" começa com a ótima "Speed King", que abre uma 'mistureba' de todos os instrumentos, depois aparece Jon Lord destilando a suavidade de seu Hammond, daí vem o riff matador de Ritchie Blackmore e o vocal potente, rasgado e poderoso de Ian Gilan, acompanhado pelas linhas de baixo pulsante de Roger Glover e a bateria arrebatadora de Ian Paice. Na letra, os caras celebram os clássicos do Rock dos anos 1950, como "Tutti Frutti", "Lucille", "Saturday Night", entre outros, enfim, um ótimo "cartão de visitas". Em seguida, vem "Bloodsucker", um Hard Rock na essência, com os solos de Blackmore e Lord, intercalados, dão um show à parte, bem como os agudos de Gillan. E, encerrando o lado A, a épica, magnífica, maravilhosa, enfim, todos os adjetivos possíveis e inimagináveis para "Child In Time", que começa com Lord tocando o Hammond calmo e retirado de "Bombay Calling", do It's A Beautiful Day's, seguido com Glover e Paice dando um excelente suporte ao tecladista. Destaque ainda para os gritos de Gillan e o estupendo solo de Ritchie, enfim, o quinteto mesclou a psicodelia da formação anterior com as influências eruditas de Jon Lord. O peso e a densidade aqui apresentada, por si só, já vale o álbum. Que música, meus amigos, que música. Até hoje, considero top 3 do Deep Purple - tenho minhas dúvidas qual delas é a melhor: "Child In Time", "Highway Star" ou "Burn".

Bom, o lado B do play vem com "Flight Of The Rat", em que Roger Glover faz uma ótima linha de baixo e, claro, outro solo de Jon Lord, assim como os solos e o riff de Ritchie. E, para encerrar, o ótimo trabalho de Paice na bateria. Um lado B do Purple que é melhor que muitos "hits" de bandas que tem por aí. Em seguida, vem "Into The Fire", traz o vocal agressivo de Gillan e solo mais calcado no Blues por parte de Blackmore. E, apesar de ser mais lenta, não deixa de ter peso e agressividade. Enquanto isso, em "Living Wreck", o protagonismo fica por conta da dupla Paice e Lord, que faz um excelente solo de teclados no final. Dessa vez, o gogó de Ian Gillan está mais "contido", mas se mantém excelente. O disco original termina com "Hard Lovin' Woman", que já arrebenta logo na intro, com riff cavalgado de Blackmore, órgão avassalador, vocal magnífico e a "cozinha" aguçada encerram esse clássico no mesmo nível que começou. Lá no alto.

O "pecado", se é que podemos dizer assim, foi que outro clássico que a banda lançou na época ficou fora do tracklist original da obra, a clássica "Black Night", que saiu como single logo após o lançamento do álbum, mas que passou a fazer parte do repertório do grupo ao longo dos anos e, claro, inserido no tracklist em edições posteriores, como na edição mexicana e na versão de 25 anos de comemoração do disco, de 1995.

O álbum foi o primeiro da banda a fazer sucesso pela Europa, ocupando a posição 4 nos charts ingleses, inclusive a sua turnê, a “In Rock World Tour” durou 15 meses. O tecladista Jon Lord usou nas gravações do álbum, tanto o alto falante Leslie e um amplificador Marschall quanto o seu órgão Hammond, devido a variação do som do órgão ao longo das músicas e Ritchie Blackmore usou uma guitarra Gibson em “Child In Time” em vez de sua tradicional Fender Stratocaster. E “In Rock” é o álbum favorito do emblemático guitarrista, junto com “Machine Head”.

Em 1995, a EMI lançou a versão remixada de 25º aniversário do álbum. O trabalho de remasterização e remixagem foi supervisionado por Roger Glover. Na versão em CD, há a presença de canções bônus, algumas inéditas. A revista Q, em 2000, colocou “In Rock” na posição 78, dos 100 maiores álbuns ingleses.

Enfim, o fato é que, quem gosta de boa música, pelo menos uma vez na vida tem que ter escutado “In Rock”. E, quem é fã de rock, não precisa nem dizer que se trata de um item obrigatório em uma coleção que se preze. Ah, é um dos discos favoritos de um tal de Bruce Dickinson. 

A seguir, a ficha técnica e o tracklist (versão de 1995) da obra. 

Álbum: In Rock
Intérprete: Deep Purple
Lançamento: 3 de junho de 1970
Gravadora/Distribuidora: Harvest (Reino Unido) / Warner Bros (EUA)
Produtor: Deep Purple

Ritchie Blackmore: guitarra
Ian Gillan: voz
Roger Glover: baixo
Jon Lord: teclados e Hammond
Ian Paice: bateria

1. Speed King (Blackmore / Gillan / Glover / Lord Paice)
2. Bloodsucker (Blackmore / Gillan / Glover / Lord Paice)
3. Child In Time (Blackmore / Gillan / Glover / Lord Paice)
4. Flight Of The Rat (Blackmore / Gillan / Glover / Lord Paice)
5. Into The Fire (Blackmore / Gillan / Glover / Lord Paice)
6. Living Wreck (Blackmore / Gillan / Glover / Lord Paice)
7. Hard Lovin’ Man (Blackmore / Gillan / Glover / Lord Paice)
Faixas Bônus:
8. Black Night (original single version) (Blackmore / Gillan / Glover / Lord Paice)
9. Studio Chat 1
10. Speed King (piano version) (Blackmore / Gillan / Glover / Lord Paice)
11. Studio Chat 2
12. Cry Free (Roger Glover Remix) (Blackmore / Gillan / Glover / Lord Paice)
13. Studio Chat 3
14. Jam Stew (unreleased instrumental) (Blackmore / Gillan / Glover / Lord Paice)
15. Studio chat 4
16. Flight Of The Rat (Roger Glover Remix) (Blackmore / Gillan / Glover / Lord Paice)
17.Studio Chat 5
18. Speed King (Roger Glover Remix) (Blackmore / Gillan / Glover / Lord Paice)
19. Studio Chat 6
20. Black Night (unedited Roger Glover Remix) (Blackmore / Gillan / Glover / Lord Paice)

Por Jorge Almeida

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