Beber brasileiro ganha espaço como tema de cultura, identidade e comportamento *
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| Foto meramente ilustrativa. |
Discussão chama atenção para fermentados ancestrais, garrafadas, bebidas mistas, vinhos de frutas e modos de consumo que expressam território, memória e pertencimento
No momento em que a brasilidade ganha projeção em
diferentes áreas da cultura, uma discussão se abre também no universo das
bebidas e da gastronomia. Mais do que observar o que o Brasil produz, serve ou
consome, a questão é: como o país se expressa no copo, nos rituais de consumo,
nos ingredientes escolhidos, nas técnicas preservadas e nos repertórios que
atravessam gerações, territórios e modos de vida.
A reflexão parte da ideia de que o beber brasileiro
pode ser melhor discutido em sua dimensão cultural. Fermentados como aluás,
cauins, caxiris e tarubá, vinhos de frutas, garrafadas, licores, aperitivos,
bebidas mistas, preparos de quintal e combinações com ervas, frutas e raízes
carregam histórias que vão além do produto. São expressões de identidade,
ancestralidade, sociabilidade e pertencimento, muitas vezes mantidas em
circuitos familiares, comunitários, indígenas, populares ou regionais.
É sobre esse campo de investigação que as
sommelières Bia Amorim e Aline Smaniotto vêm se debruçando. Idealizadoras da
Beberú – agência do beber brasileiro, elas propõem olhar para as bebidas
nacionais a partir da sommelieria, da antropologia e da hospitalidade, buscando
compreender como se forma o paladar líquido brasileiro e de que maneira
ingredientes, biomas, estabelecimentos, rituais, serviços e modos de consumo
ajudam a contar o país.
A discussão ganhou forma editorial com o lançamento
da zine Na Língua, publicação gratuita que reúne autoras, autores e artistas de
diferentes regiões do país para refletir sobre o beber como prática cultural,
afetiva, estética e política. A edição, realizada com apoio da Academia da
Cerveja, Ambev, por meio do Edital Fermenta 2025, combina ensaios, entrevistas,
cartas, fotografias, colagem, ilustrações, charge e linha do tempo para tratar de
temas como fermentação, formação do paladar, bebidas indígenas, história
cervejeira, hospitalidade e serviço à brasileira.
“Partimos do olhar da sommelieria brasileira e, ao
nos perguntarmos o que é o Brasil, o que é beber o Brasil e como beber esses
Brasis, percebemos que tínhamos mais perguntas do que respostas. E criamos a
zine que nasce justamente dessa vontade de compartilhar essas inquietações com
quem trabalha, serve e bebe”, comenta Bia Amorim.
Entre os conteúdos, Raquel Tupinambá apresenta o
tarubá a partir da experiência indígena do povo Tupinambá do baixo Tapajós, na
Amazônia. Pâmela Queiroz escreve sobre lembranças familiares, quintais,
refrigerantes caseiros e o aluá do Cariri cearense. Mari Mesquita discute
aperitivos, bebidas mistas e os nomes que moldam a forma como se percebe o
copo. A jornalista Flávia G. Pinho conduz entrevistas sobre a formação do
paladar, enquanto o historiador Gabriel Gurian revisita ingredientes e práticas
dos primórdios da indústria cervejeira brasileira.
Para Aline Smaniotto, a proposta não é definir uma
resposta única sobre o beber brasileiro, mas ampliar as perguntas. “Na Língua é
este lugar onde pudemos criar, friccionar experiências e conceitos, em um
formato que nos permitiu outras formas de olhar para esse universo das bebidas
e que não cabia em apenas um gole. A zine veio para trazer essa multiplicidade,
para instigar mais bebericagens sobre os Brasis que habitamos”, afirma.
A temática da brasilidade líquida também se conecta
a debates contemporâneos sobre consumo, acesso, valorização de ingredientes
nacionais, hospitalidade e construção de repertório. Ao observar o que chega à
mesa, ao balcão, à cuia, ao copo ou à garrafa, Bia e Aline defendem que as
bebidas podem ser compreendidas como uma linguagem cultural, capaz de revelar
relações entre território, história, afeto, mercado e comportamento.
A Na Língua está disponível gratuitamente em: https://beberu.com.br/na-lingua-zine-beber-brasil
Créditos: Daniel Navarro | OPA Comunicação
* Este conteúdo foi enviado pela assessoria de
imprensa

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