Van Halen: 35 anos de “For Unlawful Carnal Knowledge”, o popular “F.U.C.K.”

O clássico "For Unlawful Carnal Knowledge", o popular "F.U.C.K.", do Van Halen, que completa 35 anos em 2026.

Hoje, 17 de junho de 2026, o álbum “For Unlawful Carnal Knowledge”, o nono trabalho de estúdio do Van Halen, completa 35 anos de lançamento. Gravado entre março de 1990 e abril de 1991, no 5150 Studios, em Studio City, na Califórnia, o disco foi produzido por Andy Johns, Ted Templeman e pela banda. Foi o terceiro disco do Van Halen com Sammy Hagar nos vocais e que estreou direto no primeiro lugar na parada de álbuns da Billboard 200, por onde se manteve por três semanas.

O Van Halen trabalhou um pouco mais de um ano para gravar o álbum, que ficou popularmente conhecido como “F.U.C.K.”, finalizando-o apenas dois meses antes do lançamento. O disco foi anunciado como a “volta” das raízes do Hard Rock característico do grupo, contudo, a maior parte das músicas foram capitaneadas pelas guitarras de Eddie Van Halen e os sintetizadores dos discos anteriores substituídos por pianos.


Além disso, o grupo se reconciliou com o produtor Ted Templeman, responsável pela produção dos álbuns do grupo até “1984”. De acordo com Eddie, a volta de Templeman só aconteceu porque Sammy Hagar não queria mais trabalhar com Andy Johns.


O disco começa com aquele que foi o primeiro single do álbum, “Poundcake“, com sua peculiar ‘intro’ em que os barulhos de uma furadeira movida a bateria que Eddie segurou nos captadores de sua guitarra e acelerou. Mas o destaque da faixa fica por conta dos solos delirantes de Eddie Van Halen. Na sequência, aparece “Judgement Day“, que é uma faixa acelerada que remete aos tempos da era Lee Roth, com a ótima presença rítmica da “cozinha” de Alex Van Halen e Michel Anthony que deixa o caminho aberto para Eddie mandar bala em seus indefectíveis solos. O terceiro tema é “Spanked“, que é bem ‘grooveada’ e com uma das linhas de baixo mais bacanas do repertório do grupo, enfim, um ótimo trabalho de Anthony. Em seguida, o play contém “Runaround“, que dá uma diminuída na pegada do disco, mas tem suas harmonias que lembra um pouco “Can’t Stop Lovin’ You“, que saiu no álbum “Balance” (1995). A última faixa do lado A é “Pleasure Dome“, que merece atenção em virtude da performance dos irmãos Van Halen, ou seja, as batidas intrigadas da bateria de Alex e os riffs de Eddie bem encaixados.


A segunda parte do disco inicia com “In ‘N’ Out“, cujo destaque se dá pelos solos insanos de guitarra e é uma faixa mais experimental e longa. A faixa posterior, “Man On A Mission“, apresenta os riffs que Eddie criou, por incrível que pareça, tocando baixo. A música oito é a pesada “The Dream Is Over“, em que temos, como é de praxe, o ótimo backing vocal de Michael Anthony. Na sequência, o principal hit do álbum, “Right Now“, com aquela clássica introdução de teclados que, apesar de simples, é excelente, mas que parece ter sido feita para o álbum “5150” (1986). A penúltima faixa é a instrumental “316“, uma música acústica em que parte dela foi usada por Eddie no início de seu solo de guitarra na turnê e foi originalmente escrito para “5150“. Contudo, o nome da canção é em homenagem a data de nascimento do filho de Eddie (16 de março, ou se preferir, March 16, o que para nós, seria como se a música chamasse “16/03”), Wolfgang Van Halen que, anos depois foi baixista da banda do pai. E, para encerrar, “Top Of The World“, que tem a participação especial de Steve Lukather, do Toto, no backing vocal que fecha a obra do mesmo patamar que começou: excelente.


Claro que o título do álbum não poderia passar despercebido. O nome veio do vocalista Sammy Hagar, que queria que o disco fosse chamado simplesmente de “Fuck” (o popular “foda-se”), obviamente que, com o termo “vulgar”, a censura iria cair matando em cima dos caras, então, o vocalista alegou que o seu amigo Ray “Boom Boom” Mancini, ex-campeão mundial de boxe, disse que a palavra “fuck” era um acrônimo para a frase “for unlawful carnal knowledge” (algo como “para conhecimento carnal legal”), mas evidentemente que isso é uma falsa etimologia. Mas o fato é que a turnê do álbum foi nomeada de forma não oficial como “F.U.C.K. ‘N’ Live”. Aliás, a expressão que dá nome à obra foi usada pela primeira vez pela banda Coven em uma faixa de seu álbum “Witchcraft Destroys Minds & Reaps Souls” (1969).


Para uns, esse é o melhor disco do Van Halen com Sammy Hagar, superando o clássico “5150”, embora este que vos escreve não concorde, mas tudo é uma questão de gosto pessoal, mas o fato é que tanto um quanto o outro são dois álbuns obrigatórios na coleção de qualquer pessoa que tenha bom gosto musical (e nem precisa ser fã do Van Halen).

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: For Unlawful Carnal Knowledge
Intérprete: Van Halen
Lançamento: 17 de junho de 1991
Gravadora: Warner Bros.
Produtores: Andy Johns, Ted Templeman e Van Halen

Eddie Van Halen: guitarra, teclados, backing vocal e furadeira elétrica em “Poundcake
Sammy Hagar: voz
Michael Anthony: baixo e backing vocal
Alex Van Halen: bateria, percussão e backing vocal


Steve Lukather: backing vocal em “Top Of The World


1. Poundcake (E. Van Halen / Anthony / Hagar / A. Van Halen)
2. Judgement Day (E. Van Halen / Anthony / Hagar / A. Van Halen)
3. Spanked (E. Van Halen / Anthony / Hagar / A. Van Halen)
4. Runaround (E. Van Halen / Anthony / Hagar / A. Van Halen)
5. Pleasure Dome (E. Van Halen / Anthony / Hagar / A. Van Halen)
6. In ‘N’ Out (E. Van Halen / Anthony / Hagar / A. Van Halen)
7. Man On A Mission (E. Van Halen / Anthony / Hagar / A. Van Halen)
8. The Dream Is Over (E. Van Halen / Anthony / Hagar / A. Van Halen)
9. Right Now (E. Van Halen / Anthony / Hagar / A. Van Halen)
10. 316 (Instrumental) (E. Van Halen / Anthony / Hagar / A. Van Halen)
11. Top Of The World (E. Van Halen / Anthony / Hagar / A. Van Halen)

Por Jorge Almeida

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