Feira Diversa divulga programação gratuita com oficinas, economia criativa, cultura ballroom e show da Jaloo *
Evento apresentado pelo Ministério da Cultura, realizado pelo
Instituto Mais Diversidade e patrocinado pelas empresas Catupiry, Gympass,
Itaú, PwC e Veirano Advogados, por meio da Lei Rouanet de Incentivo à Cultura,
acontece em 20 de junho, no Centro Cultural São Paulo, com atividades
culturais, networking com empresas, feira de economia criativa e assessoria
para retificação de nome e gênero.
O Instituto Mais Diversidade acaba de divulgar a
programação da 12ª edição da Feira Diversa, que acontece no dia 20 de junho,
das 14h às 21h, no Centro Cultural São Paulo (CCSP). Com entrada gratuita e inscrições abertas, a feira reunirá
oficinas, apresentações artísticas, roda de conversa, feira de economia
criativa, espaços de networking com empresas e ações de cidadania voltadas à
população LGBTQIA+. Reconhecida como uma das principais iniciativas de
empregabilidade e inclusão LGBTQIA+ da América Latina, já reuniu mais de 13 mil
participantes ao longo de suas edições e se consolidou como um espaço de
conexão, inclusão e fortalecimento.
“Queremos promover experiências que celebrem a
diversidade em sua potência artística, política e afetiva, valorizando
linguagens produzidas historicamente pelas nossas comunidades, como o ballroom,
o slam, as práticas formativas e a economia criativa. Nós, que somos pessoas
LGBTs, sabemos o quanto é importante a gente se enxergar nas programações e por
isso as escolhas foram pensadas para mostrar nossa cultura por quem realmente
faz ela de dentro”, comenta Valéria Araújo, produtora cultura da Associação
Nossa Casa Artes e Terapias, que está organização a programação do evento.
A programação formativa começa às 14h30, com a
oficina Dançando no Close, conduzida por Dico de Brito, a Adicotomia. A
atividade propõe a dança como estratégia de circulação, proteção e expressão de
corpos LGBTQIA+, com exercícios inspirados no vogue e na observação do
cotidiano. Às 15h20, a oficina se desdobra em uma performance aberta no espaço
da feira, convidando o público a participar de uma experiência coletiva de
movimento e presença.
Às 16h, acontece a oficina Colagem como construção e
desconstrução de narrativa, conduzida por Jhow Carvalho. A atividade convida
participantes a criar narrativas visuais autorais a partir de imagens,
fragmentos e materiais diversos, explorando a colagem como linguagem de criação
e ressignificação. Logo depois, às 16h50, os materiais produzidos serão
incorporados ao mural Arte, voz e identidade, uma ativação coletiva aberta à
interação do público.
Às 17h15, a oficina Criatividade que gera renda
propõe uma conversa prática sobre caminhos possíveis para transformar processos
criativos em fonte de renda, especialmente nos campos da moda, arte e produção
independente. A atividade será conduzida por Caduda Mexias, artista, estilista
e fundadora da Macramêxias, cuja trajetória conecta ancestralidade, estética e
autonomia econômica, com foco no fortalecimento de pessoas transvestigêneres e
periféricas.
Poesia
falada e cultura ballroom ocupam a Feira Diversa
As intervenções poéticas do Slam – Diversa na Voz
acontecem em dois momentos, às 15h30 e às 16h30. Inspiradas no poetry slam, as
apresentações levam ao espaço da feira textos autorais sobre raça, gênero,
território e desigualdade, afirmando a poesia como ferramenta de expressão e
resistência. A atividade contará com a participação de VickVi, artista
independente de Guarulhos com destaque nacional em batalhas de rima e slams, e
Mileny Leme, multiartista do ABC Paulista que atua com poesia, teatro e
formação artística voltada à juventude periférica.
Das 19h às 20h, a programação terá uma performance
ballroom, cultura criada por pessoas LGBTQIA+ negras e latinas nos Estados
Unidos como espaço de expressão, disputa artística, pertencimento e
resistência. A apresentação será conduzida por Warley Noua, performer e
pesquisadores do corpo, integrante da cena ballroom brasileira. A apresentação
celebra a expressão corporal, identidade e pertencimento.
A
Feira terá assessoria gratuita para retificação de nome e gênero
Das 15h às 18h, a Feira Diversa também oferecerá
assessoria gratuita para retificação de nome e gênero em documentos. A ação
será realizada em parceria com a TozziniFreire Advogados e voltada a pessoas
trans e travestis interessadas em obter orientação sobre o processo de
retificação documental. A iniciativa busca ampliar o acesso à informação
jurídica e apoiar o exercício de direitos fundamentais, contribuindo para o
fortalecimento da cidadania e da autonomia dessas pessoas. “Retificar nome e
gênero é um direito, mas muitas pessoas trans ainda atravessam esse processo
sozinhas, com medo, insegurança e sem acesso claro às informações”, comenta
Kaique Gollo, psicólogo, analista de projetos sociais no Instituto Mais
Diversidade e responsável pela ação.
Kaique passou pelo processo de retificação e reforça
a importância de receber ajuda nesse momento. “Quando fui fazer minha própria
retificação, me senti bastante perdido sobre quais documentos precisava, quais
etapas deveria seguir e até sobre como tudo funcionava na prática. Lembro que,
naquele momento, uma pessoa funcionária do próprio cartório se sensibilizou e
me ajudou, inclusive imprimindo a única certidão que faltava para eu conseguir
continuar o processo. Foi um gesto simples, mas que fez toda diferença para
mim”, relembra.
“Além da burocracia, existe também o contexto
emocional. Eu estava sozinho naquele processo, sem apoio familiar, e isso torna
tudo ainda mais difícil. Por isso, acredito que contar com uma assessoria
jurídica em espaços como a Feira Diversa é algo muito importante. Não apenas
para orientar sobre documentos e caminhos legais, mas para oferecer
acolhimento, escuta e a possibilidade de tirar dúvidas de forma individual e humana.
Muitas vezes, o que uma pessoa trans precisa nesse momento é saber que não está
sozinha para acessar um direito básico ligado à própria identidade e dignidade.
Criar esse espaço de apoio e cuidado dentro da Feira também é uma forma de
fortalecer autonomia, cidadania e pertencimento”, defende Kaique.
Roda
de conversa discute trabalho e autonomia LGBTQIA+
Das 18h às 19h, a roda de conversa Sem pedir
licença: como pessoas LGBTQIA+ estão reinventando o trabalho vai
discutir os caminhos que a comunidade tem construído para criar alternativas
profissionais em contextos marcados por exclusão e desigualdade. Participam da
conversa Samuel Silva, artista visual e arte-educador que conecta
ancestralidade, identidade negra e empreendedorismo criativo em sua trajetória,
e Luê Stracia, escritore e historiadore que atua na intersecção entre arte,
educação e direitos humanos. A roda também contará com a presença de uma pessoa
representante do setor empresarial, ampliando o debate sobre mercado de
trabalho e inclusão.
Economia
criativa e networking
Das 14h às 20h, o público poderá circular pela feira
de economia criativa, que reunirá empreendedores LGBTQIA+ periféricos de São
Paulo e região, com produções autorais ligadas à arte, moda, design,
espiritualidade e autocuidado. Nesta edição, o espaço foi ampliado: passou de
cerca de seis empreendedores participantes no ano passado para dez em 2026, que
foram selecionados para expor gratuitamente seus produtos, com espaço e
mobiliário oferecidos pela organização.
No mesmo período, também funcionará o espaço de
networking com empresas patrocinadoras, que estarão presentes com estandes e
ativações. A proposta é promover conexões diretas entre participantes e
organizações comprometidas com diversidade e inclusão, além de ampliar o acesso
a oportunidades profissionais, programas corporativos e possíveis vagas de
trabalho.
“Essas atividades criam espaços concretos para que
pessoas LGBTQIA+ possam narrar suas próprias histórias, desenvolver
habilidades, gerar renda e ocupar lugares de visibilidade a partir de suas
próprias referências culturais. O slam fortalece vozes e permite a elaboração
de vivências por meio da poesia declamada; o ballroom é parte da ancestralidade
negra e queer, onde o close e a opulência são características atreladas a
corpos historicamente marginalizados, invertendo a ótica a partir de uma
cultura criada por pessoas negras e LGBTQIA+; as oficinas aproximam o público
para uma experiência imersiva e de pertencimento, trazendo conhecimento e
ferramentas de criação; e ter um espaço de economia criativa é concretamente
dar espaço para negócios que, à partir do orgulho e da vivência, geram
autonomia financeira, circulação de trabalho independente e redes de apoio
comunitário”, afirma Valéria.
O encerramento da 12ª Feira Diversa será das 20h às
21h, com show da Jaloo. A artista levará ao palco uma apresentação que mistura
pop, tecnobrega e música eletrônica, fechando o evento com uma celebração da
diversidade e da potência artística LGBTQIA+.
Serviço
12ª Feira Diversa
Data: 20 de junho
Horário: das 14h às 21h
Local: Centro Cultural São Paulo — Rua Vergueiro, 1000, Liberdade, São Paulo
Inscrições gratuitas: www.sympla.com.br/evento/
Sobre
o Instituto Mais Diversidade
O Instituto Mais Diversidade é uma organização sem
fins lucrativos que atua na promoção dos direitos humanos por meio da inclusão
econômica. A organização desenvolve soluções estruturais para ampliar o acesso
ao trabalho digno, geração de renda e autonomia financeira de populações em
situação de vulnerabilidade.
Com foco prioritário em pessoas LGBTQIA+ e mulheres,
o Instituto opera a partir de uma abordagem interseccional, considerando
desigualdades de raça, gênero, território e classe. A organização conecta
formação, empregabilidade, empreendedorismo e incidência pública em estratégias
integradas de impacto. Desde 2021, já impactou diretamente mais de 8 mil
pessoas e fortaleceu os ecossistemas locais em diferentes territórios do país.
Com atuação multissetorial, o Instituto Mais Diversidade articula empresas,
governos e sociedade civil para promover desenvolvimento inclusivo e justiça
social.
Créditos: Jéssica Amaral - DePropósito Comunicação de Causas
* Este conteúdo foi enviado pela assessoria de
imprensa
Comentários
Postar um comentário