Os Paralamas do Sucesso: 30 anos de “9 Luas”

 

"9 Luas", d'Os Paralamas do Sucesso, completa 30 anos de lançamento em 2026.

Aproveitando que hoje, 4 de maio, é o aniversário de 65 anos do pessoense Herbert Vianna, como homenagem, vamos abordar a respeito de “9 Luas”, o oitavo disco d’Os Paralamas do Sucesso que, no próximo mês de julho, completa 30 anos de lançamento. Produzido pela própria banda em conjunto com Carlos Savalla, o álbum foi lançado pela EMI e vendeu cerca de 600 mil cópias rendendo ao trio o Disco de Platina.


Depois de terem lançado dois discos com vendas decepcionantes – “Os Grãos” (1991) e “Severino” (1994) -, Herbert Vianna (guitarra e voz), João Barone (bateria) e Bi Ribeiro (baixo) voltaram com tudo com o álbum ao vivo “Vamo Batê Lata” (1995), acompanhado de um EP (que saiu no segundo CD da obra) com quatro faixas inéditas – o mega-hit “Uma Brasileira“, acompanhada das ótimas “Saber Amar“, “Luís Inácio (300 Picaretas)” e “Esta Tarde“. E justamente essas faixas novas serviram como embrião para que o viria a seguir, o ótimo “9 Luas“, que consagrou a forma Paralamas de ser, angariando novos fãs e mantendo os fãs ‘oitentistas’, ou seja, os caras retomaram aquele pop-rock com pitadas de músicas latinas.


O disco começa bem com a clássica “Lourinha Bombril“, que nada mais é uma versão de “Parate Y Mira“, do grupo argentino Los Pericos, e que Herbert fez uma ótima letra em português e grande performance dos metais. A faixa seguinte é “Outra Beleza“, que mistura música latina com samba, com a participação especial do grupo vocal As Gatas e, inclusive, a música foi composta por Herbert Vianna em parceria com Lulu Santos. O terceiro tema é a maravilhosa “La Bella Luna“, balada com influência da música caribenha e outra excelente letra de Herbert. Posteriormente, o play apresenta “De Música Ligeira“, que é mais uma versão em português de uma canção de outra banda argentina, a Soda Stéreo, que ficou bem rock. Aliás, só para constar, sim, essa é a mesma música que fez sucesso com o Capital Inicial, porém, vale registrar que a versão do grupo de Dinho Ouro-Preto a lançou depois, em 2002. A faixa cinco é “Capitão da Indústria“, a única que não traz a participação de Herbert Vianna na autoria ou co-autoria. Na verdade, ela é dos irmãos Valle, Paulo Sérgio e Marcos e fala das dificuldades do cotidiano relacionada ao trabalho e aos afazeres, enfim, essa rotina pesada que o brasileiro leva. Depois, aparece o “Caminho Pesado“, que tem uma pegada rock e outra letra bem interessante sobre a monotonia corriqueira.


A segunda parte do disco começa com “Busca Vida“, uma ótima música que, de tão boa, se fosse uma obra de artes plásticas, estaria exposta em vários museus do mundo. Uma balada sensacional, uma das melhores músicas da banda. A seguir, o disco traz “O Caroço da Cabeça“, que foi feita por Herbert em parceria com os titânicos Nando Reis e Marcelo Fromer e que também teve uma versão feita pelos Titãs no álbum “Domingo” (1995). A pegada ‘paralâmica’ é mais pop, com uns solos curtos e eficientes de Herbert, enquanto a dos Titãs é um pouco mais pesada. Das duas: que me desculpe o trio, fico com a da banda paulista. Então, os caras dão uma acalmada com a balada pop romântico em “Sempre Te Quis“. A décima música é o reggae “Seja Você“, bem a cara da banda, que teve a acompanhado a ótima presença dos metais e dos teclados do mestre João Fera, o “quarto paralama”. O penúltimo tema da obra é “A Nossa Casa“, que aborda sobre as partes boas e ruins de um relacionamento. E, para encerrar, “Um Pequeno Imprevisto“, parceria de Herbert Vianna com Thedy Correa, do Nenhum de Nós, que apresenta inspiradas melodias e letra que atestam a qualidade do disco, que é um clássico absoluto do rock nacional.


Se o próprio João Barone disse que “pra mim, esse álbum foi uma virada. Foi uma renovação de público”, quem sou eu para discordar? E, sim, vale muito a aquisição. Rock em português de qualidade ímpar.

Obrigatório para ‘paralâmicos’ (acredito que quase todos já devem tê-lo em sua coleção) e também para quem aprecia o rock nacional.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: 9 Luas
Intérprete: Os Paralamas do Sucesso
Lançamento: julho de 1996
Gravadora: EMI
Produtor: Carlos Savalla e Os Paralamas do Sucesso

Herbert Vianna: guitarra e voz
Bi Ribeiro: baixo
João Barone: bateria

João Fera: teclados
Eduardo Lyra: percussão
Monteiro Jr.: saxofone
Senô Bezerra: trombone
Demétrio Bezerra: trompete
Zenilda, Zélia, Dinorah e Francinete (As Gatas): vocais em “Outra Beleza
Chico Neves: samplers em “Busca Vida
Rolando Lopes: maracas em “Outra Beleza” e “La Bella Luna
Giancarlo Pareschi: spalla em “A Nossa Casa
José Alves: violinos em “A Nossa Casa
Jesuína Passaroto: viola em “A Nossa Casa
Alceu Reis: cello em “A Nossa Casa
Paschoal Perrotta: arregimentação em “A Nossa Casa

1. Lourinho Bombril (Diego Blanco / Bahiano (Los Pericos) / Versão: Herbert Vianna)
2. Outra Beleza (Herbert Vianna / Lulu Santos)
3. La Bella Luna (Herbert Vianna)
4. De Música Ligeira (Gustavo Cerati / Zeta Bosio (Soda Stereo) / Versão: Herbert Vianna)
5. Capitão da Indústria (Paulo Sérgio Valle / Marcos Valle)
6. O Caminho Pisado (Herbert Vianna)
7. Busca Vida (Herbert Vianna)
8. O Caroço da Cabeça (Herbert Vianna / Nando Reis / Marcelo Fromer)
9. Sempre Te Quis (Herbert Vianna)
10. Seja Você (Herbert Vianna)
11. Na Nossa Casa (Herbert Vianna)
12. Um Pequeno Imprevisto (Herbert Vianna / Thedy Correa)

Parabéns e vida longa a Herbert Vianna

Por Jorge Almeida

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