Os Paralamas do Sucesso: 30 anos de "Vamo Batê Lata"

 

"Vamo Batê Lata", d'Os Paralamas do Sucesso, completa 30 anos em 2025.

Nesse ano, o segundo álbum ao vivo d'Os Paralamas do Sucesso, "Vamo Batê Lata", completa 30 anos de lançamento. Gravado nos dias 17 e 18 de dezembro de 1994 no extinto Palace, em São Paulo, o registro saiu pela EMI e a produção de Carlos Savalla. O material é um excelente documento ao vivo, que mostrava o trio enérgico e naquilo que melhor sabem fazer: show. A entrega deles e atmosfera do álbum contrasta à recepção fria que tivera ao experimental “Severino” (1994).

O tracklist dosa bem entre as novidades daquela época com os clássicos já consolidados do grupo. O play começa com uma versão mais roqueira de “A Novidade”, que traz a presença de uma percussão que chama atenção. Ainda apresenta versões certeiras daquelas que, na ocasião, eram novidades, como “Dos Margaritas”, “O Rio Severino” e a que dá nome ao álbum, que parece ter nascido já um hit paralâmico.

No meio disso tudo, os indefectíveis clássicos certeiros d’Os Paralamas como “Alagados”, “O Beco”, “Trac Trac” que, inclusive, teve a participação ilustríssima de Fito Paez, o autor da versão original (sim, não parece, mas ela é um cover). Outro grande momento do disco é “Meu Erro”, que traz um medley com “Soul Sacrifice”, do Santana, em uma ocasião em que Herbert Vianna deixa a guitarra falar alto e mostra o quanto a banda sempre soube dialogar com outras influências sem perder identidade.

Ainda há espaços para homenagens, bem escolhidas por sinal, como a Tim Maia, como no medley “Você”/”Gostava Tanto de Você”, com um arranjo que aprimora a interação com a plateia, e “Um a Um”, do Jackson do Pandeiro. As citações a Luiz Gonzaga – incidental de “Paraíba” - e Alceu Valença (“Sol em Chuva” durante a execução de “Não Me Estrague o Dia”) também ajudam a costurar esse clima nordestino e latino que atravessa o disco.

Ah, mas é claro que ela não poderia ficar de fora: a espetacular “Lanterna dos Afogados”, que apresenta uma ‘intro’ mais comprimida, se desenvolve aos poucos até eclodir em uma atmosfera dramática, com destaque para o ótimo solo de Herbert Vianna e os metais, dando mais peso ainda à canção. Aliás, vale registrar que a presença dos músicos de apoio, como Eduardo Lyra na percussão, o “quarto paralama” João Fera nos teclados e o naipe dos metais fizeram toda a diferença, desenvolvendo a sonoridade do trio sem tirar a essência.

Além do show, a obra trazia um CD bônus, com músicas de estúdio, que contribuiu ainda mais para o êxito de “Vamo Batê Lata”. Pois, é nele que estão quatro temas inéditos. Destaques para “Uma Brasileira”, parceria com Carlinhos Brown e cantada em duo com Djavan e que se tornou um clássico absoluto; a polêmica “Luís Inácio (300 Picaretas)”, que despertou a fúria do então procurador da Câmara dos Deputados, Bonifácio José Tamm de Andrada (PTB-MG). Com isso, uma longa discussão na qual os parlamentares queriam proibir a execução pública da canção. No final, "Luís Inácio" teve sua execução vetada apenas nas rádios e em lojas de discos. Ainda teve a baladaça “Saber Amar”, que fez um relativo sucesso e regularmente marca presença no setlist d’Os Paralamas. E “Esta Tarde” completa o combo das quatro inéditas, mas essa sem o mesmo destaque das três citadas.

Enfim, com uma banda entrosadíssima no palco, repertório clássico e uma canção inédita radiofônica, “Vamo Batê Lata” tornou-se o disco mais vendido do grupo e desencadeou em uma turnê gigantesca que foi além das fronteiras brasileiras. Um ótimo e fiel registro ao vivo de um grupo maduro, enérgico e celebrando a sua mistura de rock, reggae, ritmos brasileiros e latinos abordando temas de amor, cotidiano e políticos, enfim, todo aquele ingrediente que só Os Paralamas do Sucesso são capazes de fazer.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Vamo Batê Lata
Intérprete: Os Paralamas do Sucesso
Lançamento: 1995
Gravadora/Distribuidora: EMI
Produtor:  Carlos Savalla

Herbert Vianna: voz e guitarra
Bi Ribeiro: baixo
João Barone: bateria

João Fera: teclados
Eduardo Lyra: percussão
Monteiro Jr.: saxofone
Senô Bezerra: trombone
Demétrio Bezerra: trompete e fliscorne
Maurício Barros: órgão Hammond
Ernie Watts: sax tenor
Jairo Cliff: vocais em "Luís Inácio (300 Picaretas)"
Charly García: piano em "Saber Amar"
Fito Paez: teclados em "Trac-Trac"
Djavan: vocais em "Uma Brasileira"

CD 1:
1. A Novidade (Gilberto Gil / Herbert Vianna / Bi Ribeiro / João Barone)
2. Dos Margaritas (Herbert Vianna / Bi Ribeiro)
3. Vamo Batê Lata (Herbert Vianna)
4. Alagados (Herbert Vianna / Bi Ribeiro / João Barone)
5. Caleidoscópio (Herbert Vianna)
6. Meu Erro / Soul Sacrifice (citação) (Herbert Vianna) (Santana / Brown / Rlie / Schrieve / Areas /
Carabello
)
7. Trac-Trac (Track Track) (Fito Paez / Versão: Herbert Vianna)
8. O Rio Severino / Paraíba (música incidental) (Herbert Vianna) (Luiz Gonzaga / Humberto Teixeira)
9. Lanterna dos Afogados (Herbert Vianna)
10. Um A Um (Edgard Ferreira)
11. Você / Gostava Tanto de Você (Tim Maia) (Édson Trindade)
12. O Beco (Herbert Vianna / Bi Ribeiro)
13. Romance Ideal (Herbert Vianna / Martin Cardoso)
14. Não Me Estrague o Dia / Sol e Chuva (citação) (Herbert Vianna / Bi Ribeiro) (Alceu Valença) 

CD 2:
1. Uma Brasileira (Carlinhos Brown / Herbert Vianna)
2. Saber Amar (Herbert Vianna)
3. Luís Inácio (300 Picaretas) (Herbert Vianna)
4. Esta Tarde (Herbert Vianna)

Por Jorge Almeida

 

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