The Rolling Stones: 50 anos de “Black And Blue”
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| "Black And Blue", dos Rolling Stones, completa 50 anos de lançamento em 2026. |
Além de “Sticky Fingers”, outro álbum dos Rolling Stones que aniversaria hoje é “Black And Blue”, que faz exatos 50 anos. É o disco que marca a estreia de Ronnie Wood no grupo. Gravado entre dezembro de 1974 e abril de 1975, tendo ainda outro período de outubro de 1975 a fevereiro de 1976 para fazer ‘overdubs’, a obra foi gravada no Musicland Studio, em Munique; na unidade móvel dos Rolling Stones, em Roterdã; e no Mountain Records, em Montreux, na Suíça. O material saiu pela Rolling Stones Records e a produção ficou a cargo dos The Glimmer Twins, ou seja, Mick Jagger e Keith Richards.
Em dezembro de 1974, os Rolling Stones se
preparavam para entrar em estúdio para a gravação do sucessor de “It’s Only
Rock ‘N’ Roll” (1974). A proposta do grupo era lançar o
disco no verão (no Hemisfério Norte) de 1975, para seguir em turnê pelos
Estados Unidos.
Porém, às vésperas de entrarem em estúdio, o guitarrista Mick
Taylor informou que estaria deixando a banda, sem dar maiores satisfações,
apenas alegou insatisfação artística. O anúncio da saída do músico deixou todos
perplexos e irritados, especialmente Keith Richards. Então, para não perderem
tempo, os caras aproveitaram algumas sessões de gravação para, ao mesmo tempo,
fazer testes de audição para encontrar um novo guitarrista para o grupo.
Nomes de peso estiveram entre os aspirantes,
como Peter Frampton, Eric Clapton, Rory Gallagher, Wayney Perkins, Harvey
Mandel e Ronnie Wood, sendo que este último já havia tocado com os Stones na
faixa “It’s Only Rock ‘N’ Roll (But I Like It)”, do disco
anterior. Então, o ex-guitarrista do Faces e do Jeff Beck Group ficou com a
vaga. O estilo de Wood se encaixou muito bem ao de Keith, contudo, o novo stone
gravou da metade das músicas do álbum, principalmente nos vocais de apoio. Além
de sua participação, seus “concorrentes” Mandel e Perkins tiveram suas
participações, que foram feitas nos testes, gravadas no álbum.
Apesar de ter sido efetivado como integrante oficial do grupo,
Ronnie Wood não dividiria igualmente os grandes lucros obtidos pelos demais
músicos por contratos e turnês, mas sim receberia um (alto) salário. Porém, a
situação mudou em 1993, quando ele passou a ter os mesmos direitos com os
demais Stones, após a saída de Bill Wyman. Outro fator também que ajudou na
escola de Ronnie foi o fato dele ter as mesmas influências bluseiras de
Richards, além da amizade de longa data, inclusive na camaradagem nas
bebedeiras.
Além da saída de Taylor, outro momento
embaraçoso que o grupo passou na época foi provocado pelos outdoors de
lançamento do disco: colocaram uma imagem de uma mulher amarrada (a modelo
Anita Russell) e pendurada no teto, cheia de hematomas, sentada de pernas
abertas e em cima de uma foto do disco, com a seguinte frase: “I am ‘Black And Blue’ for the Rolling Stones – and I love it!”,
algo do tipo: “Eu estou de ‘Preta e Azul’ pelos Rolling
Stones – e eu amo isso!”. Evidentemente que a peça publicitária
repercutiu negativamente, ainda mais em um período em que o movimento feminista
crescia absurdamente na Europa, e gerou protestos, especialmente do movimento
Women Against Violence Agains Women (Mulheres Contra a Violência contra as
Mulheres), que publicou uma carta de repúdio. Apesar disso, de uma forma
“involuntária”, a banda ganhou mais visibilidade por conta de algo sério (se
nos anos 1970 foi esse rebuliço todo, imagine se lançasse nos dias atuais?).
Dias depois, a gravadora da banda tirou cartazes dos outdoors, mas manteve a
imagem em alguns pôsteres e revistas.
O pluralismo de convidados, especialmente de
guitarristas, teve influência na sonoridade do play, que mostrou-se bem
diversificado. O disco abre com “Hot Stuff“, um funk
bem grooveado que foi feito em cima de um riff de Richards, com participação de
Harvel Mandel na guitarra. A faixa dois é “Hand Of Fate“, um
rockão que se encaixou perfeitamente ao vocal de Jagger. Destaque para o ótimo
solo de Wayne Perkins. O terceiro tema é “Cherry Oh Baby“,
cover de Eric Donaldson. Ao contrário do que costumam fazer quando tocam
covers, os Stones não escolheram um Blues ou um Soul, mas sim um Reggae, pois
Keith é um admirador do estilo, assim como Jagger, é bem similar à original. E
o play finaliza o lado A com “Memory Hotel“, uma
balada melancólica com direito a Keith Richards cantando um trecho. Aqui, ele
divide as guitarras mais uma vez com Mandel.
A segunda parte do disco começa com “Hey Negrita“, uma faixa com influência do Soul e do
Funk, tendo o riff e parte dela feita por Ron Wood, por isso que nos créditos
aparece o “inspirado por Ronnie Wood“, assim como a faixa seguinte
aparece os dizeres “inspirado por Billy Preston“.
Refiro-me a “Melody“, que teve um belíssimo arranjo de piano feito
pelo próprio, que ainda auxilia Jagger nos vocais. O penúltimo tema é “Fool To Cry“, outra balada que até fez sucesso e que
Jagger inspirou-se na filha Jade que, na época, estava bastante próxima dele.
Só acho exagerado o seu longo trecho final, mas gosto dela. E, para finalizar,
“Crazy Mama“, que foi, de fato, a primeira música da
banda gravada pela nova dupla de guitarristas, traz um rock pungente, bons
riffs e belíssimo refrão.
A capa do disco, que trazia foto do quinteto, deixa nítido de quem
mandava no grupo, com as imagens de Mick Jagger e Keith Richards ganhando mais
destaque em relação aos demais.
No catálogo de discos da banda, “Black And Blue” não está no rol de obras-primas dos
Rolling Stones, é um disco mediano, inclusive, as críticas não foram muito
favoráveis à obra. No entanto, apesar disso, alcançou o segundo lugar dos
charts britânicos e o topo da Billboard 200.
Em 1994, assim como outros álbuns do grupo, “Black And Blue” foi remasterizado e relançado pela
Virgin Records e novamente em 2009 pela Universal Music. Além disso, em 2011,
saiu uma edição japonesa do álbum em SACD.
Não posso considerar que é um disco imperdível ou obrigatório, mas
é um trabalho até bacana de ouvir. Se quiser, pode adquirir, mas não precisa
ser prioridade.
A seguir, a ficha técnica da obra.
Por Jorge Almeida

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