The Rolling Stones: 55 anos de “Sticky Fingers”
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| O clássico “Sticky Fingers”, dos Rolling Stones, completa 55 anos em 2026. À direita, a capa do álbum lançado na Espanha. |
Hoje, quinta-feira, 23 de março de 2026, é uma data histórica para os Rolling Stones (por dois motivos), e também do rock: a data marca os 55 anos do lançamento de uma de suas obras-primas, o classicão “Sticky Fingers”, o nono álbum da discografia britânica do grupo e 11° em relação à discografia norte-americana. Gravado em três períodos entre março de 1969 e outubro de 1970, nos estúdios Muscle Shoals Sound, no Alabama (EUA) e nos londrinos Olympic e Trident Studios e no estúdio móvel da banda, em Stargroves, praxe feita nos trabalhos anteriores pelo grupo por conta das incontáveis turnês realizadas entre 1969 e 1971. O play foi o primeiro a ser lançado pela gravadora da banda, a Rolling Stones Records, e também a ter o famoso logo da língua, além de ter marcado a estreia de Mick Taylor nas guitarras no lugar do falecido Brian Jones. A produção ficou a cargo de Jimmy Miller.
Assim como seus “rivais” e amigos Beatles, Mick Jagger e sua trupe fundaram a própria gravadora em virtude do fim do contrato com a Decca Records/London Records para, assim, ficarem livres para lançar seus discos (e capas) da forma que quisessem. Porém, o ex-gerente Allen Klein, que também empresariava os Beatles, tirou proveito do descuido dos Stones em relação ao controle de seu material, registrou tudo o que a banda havia lançado pela Decca como propriedade da ABKCO, empresa de sua propriedade. Mick Jagger até processou o empresário, mas o julgamento demorou quase 20 anos e o grupo não recuperou todo o catálogo que lançou até 1971 e, com isso, os herdeiros de Klein ficaram com o catálogo. Ou seja, tudo que a banda lançou entre 1963 e 1970.
Além disso, a Decca informou que os Stones lhe deviam mais um single e, como isso, Jagger e Richards compuseram e apresentaram uma faixa chamada “Cocksucker Blues”, que foi recusada. Então, a ex-gravadora lançou como single, “Street Fighting Man”, que havia saído em “Beggars Banquet” (1968), enquanto Allen Klein teria a propriedade sobre os direitos autorais de “Brown Sugar” e “Wild Horses“.
A
maior parte da gravação de “Sticky Fingers” foi efetuada no estúdio móvel dos
Rolling Stones, em Stargroves, durante o verão e o outono do Hemisfério Norte
de 1970. As primeiras versões de algumas canções que aparecem no álbum
posterior, “Exile
On Main St.” (1972), também foram feitas durante essas
sessões.
O álbum começa com tudo com a clássica “Brown Sugar“, uma faixa agitada, envolvente e que se tornou obrigatória nos shows do grupo desde então, destaque para o maravilhoso som do sax de Bobby Keys e, por incrível que pareça, o riff dela foi feito por Mick Jagger. A música seguinte é “Sway“, um Blues com uma pegada mais lenta em que traz Jagger tocando guitarra enquanto Mick Taylor extrapola no slide guitar. O terceiro tema é outro clássico: a balada-folk “Wild Horses“, cuja letra foi inspirada em Marianne Faithfull, na época, mulher de Jagger. Posteriormente, o play contém “Can’t You Her Me Knocking“, a maior faixa do disco, com mais de sete minutos. Na verdade, ela foi o resultado de duas canções que viraram uma só. Tanto que a primeira parte, a guitarra é tocada por Keith Richards, no meio aparece o saxofonista Bobby Keys e o organista Billy Preston, o que resulta em uma jam no final e que teve a segunda parte com a guitarra feita por Mick Taylor. E o lado A se encerra com “You Gotta Move“, um cover da década de 1940 e que os Stones a transformaram em um Blues de primeira qualidade. A guitarra slide dá o tom.
O
lado B começa muito bem com “Bitch”,
um rock bem agitado, com destaque para o baixo cabuloso de Bill Wyman e a ótima
presença dos metais. Uma das melhores do disco. Depois, em “I Got The Blues”,
uma balada no estilo Blues gospel, com destaque para Jagger cantando muito e o
protagonismo ficam por conta das presenças (mais uma vez) dos metais e da
colaboração de Billy Preston em um desempenho estupendo no órgão, além do ótimo
trabalho de backing vocal. Em seguida, em “Sister Morphine”, canção gravada por Faithfull em
1969, ganhou uma roupagem bem diferente com os Stones, que a deixaram mais
Blues, com Ry Cooder na gutarra slide. A penúltima música é “Dead Flowers“,
com uma letra pesada e triste a respeito da heroína e que merece ser ouvida com
atenção. E, para finalizar, “Moonlight
Mile“, que teve arranjos de cordas feito por Paul Buckmaster
por sugestão de Mick Taylor. A música foi oriunda de uma sessão entre Jagger e
Taylor, que recebeu a promessa de que seria creditado como co-autor, o que não
ocorreu.
Anos
depois, em 2015, “Sticky
Fingers” ganhou duas versões luxuosas. Uma, com um CD bônus com dez
faixas, sendo algumas com versões alternativas de algumas músicas do álbum e
também com cinco músicas gravadas ao vivo no Roundhouse em 1971. E a outra
edição trazia outro CD bônus com 13 faixas de um show realizado na Universidade
de Leeds em 1971. Aliás, a edição brasileira do disco, na época, saiu sem a
faixa “Sister Morphine”,
ou seja, mas o problema foi sanado com o relançamento da obra em 1976.
E
não tinha como não falar de “Sticky
Fingers” sem destacar a sua polêmica capa. A arte da capa, feita
por Andy Warhol, trazia a foto da virilha de um modelo vestindo uma calça jeans
bem apertada, ocultando um pênis supostamente ereto e que muitos fãs
acreditaram ser de Mick Jagger, porém, segundo as pessoas envolvidas na sessão
da foto, vários homens foram fotografados, mas o vocalista não estava entre
eles. No lançamento original, o zíper que aparecia era de verdade que, quando
era puxado, mostrava um sujeito usando cuecas de algodão. Porém, depois de
vários lojistas reclamarem de que o zíper estava a danificar o vinil, o item
foi transferido para o meio do disco, onde os danos seriam minimizados.
Inclusive, a capa original foi substituída em alguns países, como na Espanha,
que trouxe uma imagem que mostrava três dedos de uma mão feminina saindo de uma
lada com líquido preto. Além disso, naquele País, a faixa “Sister Morphine”
foi trocada por “Let
It Rock”, de Chuck Berry. Vale reforçar que os espanhóis ainda
viviam sobre a ditadura de Francisco Franco, que durou de 1939 até 1975. Já a
edição russa da obra trouxe uma capa semelhante a original, mas a fotografia de
uma calça jeans, aparentemente feminina com uma foice e um martelo gravados em
uma fivela de cinto em forma de estrela.
O
disco chegou ao topo das paradas no Reino Unido, posição que ocupou por quatro
semanas seguidas, enquanto nas paradas norte-americanas, ficou um mês no topo.
Bom,
“Sticky Fingers” é
um daqueles discos que é considerado obrigatório em qualquer coleção que se
preze. Não é à toa que ele é constantemente citado em diversos rankings, como
os “500 Maiores Álbuns de Todos os
Tempos”, da Rolling Stone, ocupando a 63ª posição, enquanto o canal
VH1 o colocou em 46º na lista dos melhores discos de todos os tempos, além de
ter sido citado como um dos “1001
discos que você tem que ouvir antes de morrer”, livro lançado em
2005.
E,
por fim, chega de falatório, bora ouvir esse grande clássico do rock.
A
seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.
Por
Jorge Almeida

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