Rush: 50 anos de “2112”
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| "2112", do Rush, completa 50 anos de lançamento em 2026. |
Hoje, 1º de abril, data mundialmente conhecida como o dia da mentira, é também a data em que um dos melhores discos do rock progressivo completa aniversário de lançamento: “2112”, o quarto disco de estúdio do Rush, que chega em 2021 aos seus 45 anos de existência. Gravado durante o mês de fevereiro de 1976 no Toronto Sound Studios, em Toronto, no Canadá, o disco foi co-produzido pelo Rush e Terry Brown e saiu pela Anthem Records.
Depois de terem lançado em 1975 o álbum “Caress Of Steel”, que foi um fracasso de vendas, a
Mercury Records, o selo internacional do Rush, que, inclusive, cogitou em
abandonar a banda, mas concedeu-lhes mais um disco após negociações com o
empresário do grupo na época, Ray Danniels. E, apesar da gravadora ter pressionado
o grupo a não fazer álbuns ao estilo “canções-conceito”, o trio ignorou o
conselho e manteve seus princípios e lançou aquele que se tornaria o primeiro
grande sucesso do Rush, o clássico “2112” (lê-se
“twenty-one twelve”).
Claro que o protagonismo está na faixa-título
que, na época do lançamento, ocupava todo o lado A do vinil, uma vez que é uma
canção épica de 20 minutos dividida em sete partes, recheada de riffs e uma
abordagem de ficção futurística, com uma ótima letra de Neil Peart, em que Geddy
Lee narra a respeito de uma sociedade controlada pelos “Priests of the Temples
of Syrinx” (“Sacerdotes do Templo de Syrinx”) tem todas as disposições de seu
cotidiano controladas e censuradas, até que um dia um cidadão desse lugar
encontra uma espécie de amuleto que o liberta dessa vida alienada.
O lado B do play começa com a ótima “A Passage To Bangkok”, que traz um riff contagiante e
uma ótima letra de Neil Peart sobre o turismo do consumo de drogas,
especialmente, a maconha, mas sem necessariamente citar a droga por conta das
insinuações como visitas à Colômbia, México, Jamaica, e mencionar expressões
como “noites douradas de Acapulco” e “anéis de fumaça”. O terceiro tema é “The Twilight Zone”, uma homenagem feita à série
televisiva de mesmo nome, uma vez que os caras eram fãs da série e que
surpreende o ouvinte por conta de suas mudanças de ritmo e estilo e a parte
mais legal fica por conta dos vocais sussurrados baixinhos junto a Geddy no
refrão. Depois, em “Lessons”, cuja letra e música foram
escritos por Alex Lifeson, que traz seus indefectíveis riffs de forma perfeita
para combinar com a voz de Geddy Lee na canção. Na sequência, outro tema sem a
participação do baterista no processo de criação: “Tears”, linda balada
totalmente composta por Geddy Lee e que ficou marcada por ter sido a primeira
música do Rush a ter uma participação de um músico fora da banda: Hugh Syme,
que tocou Mellotrom na música. Ele ainda participaria em outras canções do
grupo, como “Different Strings”, de “Permanent Waves” (1980) e “Witch Hunt”, de “Moving Pictures” (1981). E, encerrando a obra, a
pedrada “Something For Nothing”, uma música forte e coesa e que
contém a marca da banda.
A emblemática capa de “2112”, que trazia o logo “Man In The Star”,
permitiu que os fãs adotassem o emblema do Starman como um logotipo desde a sua
primeira aparição. A ideia principal da capa expressa a oposição entre o ser
humano, representado pelo homem nu, livre e cheio de criatividade e a
mentalidade coletivista que explora a personalidade dos reprimidos,
representada pela estrela, como definiu o designer Hugh Syme, que é o
responsável pelas capas da banda desde 1975. O logo apareceu em mais sete
discos do Rush, além do pano de fundo da bateria de Neil Peart, como pode ser
visto na capa do “All The World’s A Stage” (1976), o primeiro
disco ao vivo do grupo.
Na época do lançamento, a obra chegou ao 61°
lugar da Billboard, recebendo disco de ouro em novembro de 1977, juntamente com
os lançamentos da época: “A Farewell To Kings” e o já citado disco ao vivo de
1976 e, ainda, atingiu o disco de platina em fevereiro de 1981, pouco tempo
após o lançamento de sua obra-prima: o arrasa-quarteirão “Moving Pictures”.
Desde 1987, quando a Anthem lançou “2112” em CD, o álbum teve mais seis relançamentos nos
mais diversos formatos, remasterizações e materiais extras. A edição
comemorativa de 40 anos, por exemplo, de 2016, contém um disco bônus que possui
novas músicas de estúdio e vários músicos tocando o álbum, como o Alice In
Chains, que fez uma releitura de “Tears”, por exemplo.
Outra boa pedida é a edição remasterizada que saiu em 2012, que trazia três
faixas-bônus, com temas gravados ao vivo entre 1980 e 1981.
Enfim, “2112” é um disco
indispensável na coleção de qualquer um que aprecie uma boa música e,
contrariando a data de hoje, há muita verdade nisso. Vale cada centavo.
A seguir, a ficha técnica (versão
remasterizada de 2012) e o tracklist da obra.
High Syme: sintetizador,
guitarra sintetizada e Mellotron em “Tears“
1. 2112 (Letra: Peart / Música: Lee / Lifeson)
2. A Passage To Bangkok (Letra: Peart / Música: Lee /
Lifeson)
3. The Twilight Zone (Letra: Peart / Música: Lee /
Lifeson)
4. Lessons (Letra e música: Lifeson)
5. Tears (Letra e música: Lee)
7. I. Overture (live) (Letra: Peart / Música: Lee /
Lifeson)
8. II. The Temples Of Syrinx (live) (Letra: Peart / Música: Lee /
Lifeson)
9. A Passage To Bangkok (live) (Letra: Peart / Música: Lee /
Lifeson)
Por Jorge Almeida

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