Rush: 50 anos de “Caress Of Steel”

 

"Caress Of Steel", do Rush, completa 50 anos de lançamento em 2025.

Nesta quarta-feira, 24 de setembro, o terceiro disco de estúdio do Power Trio canadense do Rush, “Caress Of Steel”, completa 50 anos de lançamento. Gravado entre julho e agosto de 1975 no Toronto Sound Studios, em Toronto (ah, vá!), no Canadá, o álbum foi produzido pela banda juntamente com Terry Brown e lançado pela Mercury. Foi a partir dele que o grupo mudou a sua sonoridade, deixando mais de lado o Hard Rock baseado no Blues para apresentar uma elevada de elementos do rock progressivo.


Em 1975, o Rush estabilizou-se com a sua formação que se tornaria a definitiva, com o guitarrista Alex Lifeson, o baixista e vocalista Geddy Lee e o baterista Neil Peart, que se juntou ao grupo em 1974, e passou a ser o principal letrista da banda. Com o lançamento de “Fly By Night” (1975), o grupo marcou a primeira música conceitual e com várias partes, que foi “By-Tor And The Snow Dog”, que possui quase nove minutos. O Rush estava em plena ascensão de sua popularidade e, em junho de 1975, eles concluíram a turnê do álbum na parte canadense da turnê que teve a banda como atração principal pela primeira vez.


Com o bom desempenho ao fazer uma faixa conceitual, o Rush pegou esses elementos da música conceitual e extensa que iniciou em “Fly By Night” e fez disso o foco de seu novo material. A postura do trio corroborou como desenvolvimento com o som do grupo, que foi do Hard Rock para o Rock progressivo e o resultado foi “Caress Of Steel”, que deixou os três membros orgulhosos.


O álbum começa muito bem com a ótima “Bastille Day“, que mostra todo o potencial da voz de Neil Peart em uma música mais direta e pesada em uma letra que Peart fez a respeito de um evento histórico, para ser mais exato, como o título indica, é referente ao ataque à Bastilha durante a Revolução Francesa. Em seguida, o play apresenta a “infantil” “I Think I’m Going Bald” que, apesar da letra “engraçadinha” para os padrões do grupo, possui riffs bem criativos de Lifeson, além de um estupendo solo de guitarra cheio de ‘feeling’, enquanto Peart faz a sua parte com as baquetas. É a faixa mais fraca do disco. O terceiro tema, “Lakeside Park“, por sua vez, é mais cadenciada e apresenta uma letra que remete ao passado, talvez ao de Neil Peart sobre o local que fica em St. Catherine’s, em Ontario. Canção rápida em que a performance do trio é brilhante, com o dinamismo de Neil, o vocal inspirado de Geddy, que também fez ótimas linhas de baixo na música e a alternância de sons que Lifeson fez de sua guitarra colabora para que essa música tenha se tornado um clássico. E o lado A termina com a epopeia de quase 13 minutos chamada “The Necromancer“, que é dividida em três partes – “Into The Darkness“, com letra narrada por uma voz sombria tendo uma guitarra ao fundo e um groove de baixo sinistro, “Under The Shadow” em que o trio arrepia em seus respectivos instrumentos, e “Return Of The Price“, que é o trecho mais curto e com Lifeson detonando tudo. A letra foi inspirada em “O Senhor dos Anéis” e, nessa terceira parte, o personagem By-Tor, que aparecera na canção “By-Tor And The Snow Dog“, de “Fly By Night“, onde ele era um vilão, volta em “The Necromancer“, dessa vez como um herói.

E o lado B do álbum é todo dedicado a épica “The Fountain Of Lamneth“, que tem quase 20 minutos e é a maior música da discografia do Rush e foi dividida em seis partes que traz todos os elementos característicos do som do grupo: efeitos de guitarra, solos de bateria, excelentes riffs, linhas de baixo marcantes, melodias excelentes, dinamismo, enfim, tudo aquilo que há de melhor quando se fala de Rush, mas com eles se alternando nos momentos de destaque em que desfilam a pura genialidade dos caras.

Aliás, curiosamente, a capa do álbum deveria ser impressa em uma tonalidade prateada para dar uma aparência de “aço” (“steel”, entendeu?). No entanto, um erro de impressão culminou em dar à capa uma cor de cobre. Esse erro não foi corrigido nas impressões posteriores do disco. A arte da capa foi desenhada por Hugh Syme, que fez o seu primeiro trabalho para o grupo e, a partir daí, ele desenhou a arte da capa de todos os discos do Rush desde então.

Na época do lançamento, o disco não agradou muito ao público e à crítica, vide fracasso de vendas, mas o tempo – ah, o tempo! – fez com que “Caress Of Steel” tivesse a devida importância. Contudo, o play teve o “azar” de ter saído entre duas obras-primas dos canadenses: os clássicos “Fly By Night” (1975) e “2112” (1976).

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Caress Of Steel
Intérprete: Rush
Lançamento: 24 de setembro de 1975
Gravadora: Mercury
Produtores: Rush e Terry Brown

Geddy Lee: voz e baixo
Alex Lifeson: guitarras e violões de 6 e 12 cordas, violão clássico e steel guitar
Neil Peart: bateria e percussão

1. Bastille Day (Letra: Peart / Música: Lee / Lifeson)
2. I Think I’m Going Bald (Letra: Peart / Música: Lee / Lifeson)
3. Lakeside Park (Letra: Peart / Música: Lee / Lifeson)
4. The Necromancer:
I. Into The Darkness (Letra: Peart / Música: Lee / Lifeson)
II. Under The Shadows (Letra: Peart / Música: Lee / Lifeson)
III. Return Of The Price (Letra: Peart / Música: Lee / Lifeson)
5. The Fountain Of Lamneth
I. In The Valley (Letra: Peart / Música: Lee / Lifeson)
II. Didacts And Narpets (Letra: Peart / Música: Lee / Lifeson)
II. No One At The Bridge (Letra: Peart / Música: Lee / Lifeson)
IV. Panacea (Letra: Peart / Música: Lee)
V. Bacchus Plateau (Letra: Peart / Música: Lee)
VI. The Fountain (Letra: Peart / Música: Lee / Lifeson)

Por Jorge Almeida

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