TRANSCLANDESTINA 3020: Mitre Galeria exibe individual de Manauara Clandestina *
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| Foto meramente ilustrativa. |
No contexto da exposição, a galeria promove um bate-papo com a artista e convidadas sobre os caminhos que tornaram possível a presença de pessoas trans no campo da arte e da cultura
Março
de 2026 - No contexto da exposição Transclandestina 3020, em
cartaz na Mitre Galeria, acontece no dia 12 de março, às 19h, o encontro Sonhos
Transclandestinos – Gerações da resistência trans. A
conversa reúne Manauara Clandestina, artista da exposição, em
diálogo com Ica Nichimoto e Vicenta
Perrotta, convidadas pela artista para um encontro aberto ao
público.
Partindo de trajetórias que atravessam diferentes momentos da
história da resistência trans no Brasil, o encontro propõe uma conversa sobre
memória, sobrevivência e transformação. O diálogo se constrói como um espaço de
troca direta entre as participantes, articulando experiências de vida,
percursos de luta e reflexões sobre os caminhos que tornaram possível a
presença de pessoas trans no campo da arte e da cultura.
Evocando a ideia de “transclandestinidade”, presente no título
da exposição, a conversa aborda estratégias de existência que, ao longo do
tempo, permitiram a muitas pessoas trans viver, resistir e imaginar outras formas
de futuro. Ao reunir essas vozes, o encontro evidencia continuidades, mudanças
e processos de transmissão que atravessam a história recente das vidas trans no
país.
Entre lembranças do passado, experiências do presente e projeções de futuro, Sonhos Transclandestinos propõe um momento de escuta e imaginação coletiva, ampliando as possibilidades de pensar os futuros trans a partir do encontro entre diferentes experiências de vida.
Sobre a exposição TRANSCLANDESTINA 3020
O trabalho de Manauara Clandestina se desenvolve a partir da
migração não como dado biográfico, mas como procedimento artístico e político.
Em sua pesquisa, o deslocamento aparece como método de criação e como modo de
reorganizar as condições de existência, articulando experiências individuais e
coletivas, imaginação e produção colaborativa.
O filme TRANSCLANDESTINA 3020, que dá nome à exposição,
funciona como eixo conceitual da mostra. A obra propõe um exercício de
imaginação que busca ultrapassar fronteiras geográficas, corporais e simbólicas
por meio da criação de conexões e da mobilização de coletividades. O filme
integrou a 36ª Bienal de São Paulo e, na exposição,
desdobra-se em um conjunto de trabalhos que aprofundam suas questões centrais.
Na exposição, a noção de transmutação se materializa a partir
do upcycling,
entendido não como estética da reciclagem ou moral do reaproveitamento, mas
como gesto político de reorientação. Materiais classificados como resto ou
descarte são incorporados às obras como suportes de continuidade, evidenciando
outras temporalidades e valores possíveis, especialmente no contexto das
experiências migratórias.
Entre os trabalhos apresentados estão instalações têxteis
construídas a partir de uniformes de alta visibilidade e outros materiais
costurados. Ao rebatizar o espaço expositivo como “Ministério
Trans de Imigração”, a artista transforma a galeria em um lugar
simbólico de trânsito e acolhimento, onde a costura aparece como gesto de
reparo, proteção e ação coletiva.
As polaroids produzidas ao longo do processo criativo integram a
mostra como registros de vínculos e presenças, evidenciando o caráter
relacional do trabalho. Longe de funcionarem como documentação neutra, elas
compõem um arquivo de alianças, afetos e gestos de cuidado que sustentam a
construção da obra.
Para o curador Aldones Nino, autor do texto que acompanha a
exposição, “TRANSCLANDESTINA 3020 é um expresso para o futuro, funcionando como
um dispositivo de passagem concreto para cidades onde a vida trans floresce.
Mais do que uma promessa abstrata, o passaporte para este expresso é um
artefato essencial que garante o deslocamento em um mundo que tenta
impedi-lo.”.
Ao acionar o futuro como território de passagem, na exposição TRANSCLANDESTINA 3020, Manauara Clandestina reposiciona ancestralidades travestis e pertencimentos historicamente marginalizados. Alianças e práticas coletivas aparecem, então, como caminhos possíveis para imaginar outras formas de existência.
Sobre a artista
A prática de Manauara Clandestina mobiliza performance, vídeo, fotografia,
figurino e objetos para construir uma poética marcada pelos deslocamentos e
reinvenções. Suas obras partem de experiências pessoais e coletivas para
elaborar crônicas sobre a travestilidade em suas múltiplas dimensões — como
identidade, existência política, e fabulação radical. Filha de missionários
evangélicos, iniciou suas práticas artísticas ainda na infância, nos cultos
pentecostais da igreja. Esse atravessamento entre espiritualidade, rito e
representação persiste em sua obra, que opera numa chave íntima e simbólica,
entre a rua e o altar, o corpo e a câmera, o desejo e a denúncia.
O nome que adota como artista já anuncia as forças que orientam
seu trabalho: Manauara evoca o território de origem e a travessia; Clandestina
aponta para as violências do apagamento identitário, mas também para a força
criativa da migração e do trânsito.
Em suas obras a artista combina tecnologia e precariedade,
roteiro e espontaneidade, documento e ficção, construindo narrativas que
conectam afirmações subjetivas, cultura marginal e laços afetivos em meio às
contradições da sociedade contemporânea. Ao remixar materiais — como quem
reconfigura elementos encontrados para criar novos trajes —, Manauara
Clandestina transforma os resíduos em linguagem para transitar entre mundos e
fabular outras formas de existência.
Suas mostras individuais incluem: “Sala de Vídeo: Manauara Clandestina” (2024, MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, São Paulo – Brasil), “Saltação” (2021, Casa70, Lisboa, Portugal) e “Pitiú de Cobra” (2021, Delirium, São Paulo – Brasil). Participou de importantes exposições coletivas como: “Encruzilhadas da Arte Afro-Brasileira” (2025, CCBB Salvador – BA; 2024, CCBB Belo Horizonte – MG; 2023, CCBB São Paulo – SP), “Foreigners Everywhere” (2024, 60ª Bienal de Veneza, Veneza – Itália), “Composições para tempos insurgentes” (2024, MAM Rio – Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro – Brasil), “1ª Bienal das Amazônias” (2023, Belém – Brasil), “El tiempo es una ilusión” (2023, Collegium, Arévalo – Espanha), “Festival Internacional de Cinema de Edimburgo” (2022, Edimburgo – Escócia) e exposição coletiva no IAB-SP – Instituto de Arquitetos do Brasil (s/d, São Paulo – SP).
Sobre a Mitre Galeria
A Mitre Galeria, fundada em 2023 por Rodrigo Mitre, surge com o
compromisso de contribuir para um imaginário social diversificado e
efervescente no Brasil, e com a firme crença na prática artística como um motor
chave para a transformação positiva do indivíduo e da sociedade. A galeria vem
articulando propostas que ativam o cenário das artes contemporâneas em Minas
Gerais, no Brasil e além, com um grupo de artistas de diferentes gerações,
formações e práticas. Com um programa baseado em invenções estéticas que mudam
perspectivas, provocando um reexame do passado e da imaginação do futuro, ao
mesmo tempo que nos ancoram nas questões do presente, Mitre reafirma a sua
busca por iniciar ações instigantes que nos conduzam ao desconhecido, abraçando
o mistério como uma força vital.
O ano de 2023 consolida a projeção global da galeria com a
participação em importantes feiras e exposições. Entre elas, a exposição
individual de Marcos Siqueira na Frieze, em Nova York, e a presença de destaque
das artistas Luana Vitra na 35a Bienal de São Paulo e Isa do Rosário na Bienal
de Liverpool. Em 2024, a galeria participou pelo segundo ano consecutivo da
Frieze NY com um estande solo do artista davi de jesus do nascimento.
Em 2025, a galeria inaugura sua sede em São Paulo, no bairro dos Jardins, reafirmando sua presença no cenário artístico brasileiro. O novo espaço nasce com o propósito de ampliar o alcance de seu programa, conectando-se de forma mais direta com novos públicos. No mesmo ano, a galeria participa de importantes feiras internacionais, como Frieze New York, EXPO Chicago e Frieze London, consolidando sua atuação no circuito nacional e expandindo sua projeção global.
Serviço:
Sonhos Transclandestinos – Gerações da resistência
trans
Manauara Clandestina, Ica Nichimoto e Vicenta
Perrotta
12 de março, às 19h
Local: Mitre Galeria
Endereço: R.
da Consolação, 2761, Jardins - São Paulo SP, 01416-001, Brasil
Ingresso: Não necessita,
entrada gratuita
Mais informações: mitregaleria.com
Instagram: @mitregaleria
Créditos: Edgard França | Cor Comunicação
* Este conteúdo
foi enviado pela assessoria de imprensa

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