Sepultura: 25 anos de "Nation"
![]() |
| "Nation", oitavo disco de estúdio do Sepultura, chegou às suas bodas de prata em 2026. |
Na última sexta-feira, 20 de março, marcou o 25º aniversário de “Nation”, o oitavo disco de estúdio do Sepultura, sendo o segundo com Derrick Green nos vocais. Gravado entre 2000 e começo de 2001 no AR Studios, no Rio de Janeiro; Ouvir Studios, em São Paulo; The Magic Shop, em Manhattan; e Coyote Studio, no Brooklyn, ambos nos Estados Unidos; além da última faixa no Millbrook Studio, em Helsinki, na Finlândia. A produção ficou por conta do próprio Sepultura e de Steve Evetts, enquanto Hiili Hiilesmaa produziu apenas a faixa a instrumental “Valtio” com o grupo Apocalyptica, formado por vioncelistas islandesas.
Passados cinco anos da polêmica saída de Max
Cavalera e sua substituição por Derrick Green, o Sepultura seguiu adiante com “Against”
(1998), que apresentou um novo estilo do Sepultura, ou seja, agora só com uma
guitarra, com elementos tribais, as influências das músicas nativas brasileiras
e tendências mais industriais e modernas e, com “Nation” não foi
diferente.
O novo disco apresentou diversos convidados,
como o vocal do Hatebreed, Jamey Jasta; Jello Biafra, do Dead Kennedys;
Cristian Machado, do Ill Niño; João Gordo, do Ratos de Porão; e o já citado
Apocalyptica.
Esse foi o último trabalho do grupo com a
Roadrunner, pois, a banda ficou insatisfeita com a falta de apoio da gravadora,
que não promoveu o álbum, além de não ter apoiado a banda na gravação do “One Man Army”, que estava programado para ser filmado
no final de agosto de 2001, mas não chegou a ser feito. Tal situação, fez o
Sepultura assinar com a SPV Records em 2002.
O álbum abre com “Sepulnation”, que a
banda tocou pela primeira vez no Rock In Rio III (2001), ou seja, antes mesmo
do lançamento do disco, e, desde então, o grupo tenta emplaca-la como um hino
do Sepultura por conta da insistência de mantê-la no repertório até hoje. Mas o
fato é que é uma baita faixa, com um groove bem feito pelo baterista Igor
Cavalera e, apesar de ser uma grande faixa e bem trabalhada, não chega a ser
tão clássica quanto “Territory”, por exemplo. Depois, o
ouvinte é presenteado com a Hardcore “Revolt”, uma faixa
rápida e agressiva que possui menos de um minuto de duração. O play ainda tem a
cadenciada “Border Wars”, com grooves e levadas lentas que
evidenciam o vocal de Derrick Green.
O disco, depois, dá uma oscilada com faixas como “One Man Army”, “Vox Populi”, a cadenciada “The Ways Of Faith” e “Uma Cura”, com direito a Derrick cantar em português, mas que, convenhamos, uma faixa que parece ter sido uma zoeira da banda para “testar o português” de seu vocalista.
Mas, em seguida, os caras apresentam uma das
melhores do trabalho “Who Must Die?”, que nos shows da
turnê, na época, deve ter aberto muitas rodas de pogo e dado uma trégua nos
bangers nos momentos mais calmos da música. Já em “Saga”, que começa
com uma ‘intro’ percussiva tribal e, depois que entra o vocal de Derick, Igor
esmurra a bateria sem dó e nem piedade.
O play apresenta a peculiar “Tribe To A Nation”, que começa de forma amena, mas depois culmina em agressividade e brutalidade, mas chama a atenção da participação de Dr. Israel, um músico de reggae que deu uns toques do gênero da música. Em seguida, Jello Biafra detona na discursiva “Politricks”, tendo o baixo de Paulo Jr. protagonizando ao fundo e o vocal agressivo de Derrick em alguns trechos junto com a batera de Igor. Posteriormente, outro convidado especial na obra: Jamey Jasta, do Hatebreed, em “Human Cause”, outro Hardcore curto, rápido, agressivo e certeiro. Quase um minuto de pedrada na orelha. Já “Reject” tem uma pegada bem interessante. Andreas Kisser traz um riff bacana e o melhor ainda aparece no final com a batida de Igor Cavalera. O penúltimo tema é “Water”, uma música meditativa e uma pegada tribal ao fundo (é a única faixa que não tem o baterista como co-autor). E o tracklist original da obra termina com a maravilhosa instrumental “Valtio”, em que Andreas e o grupo de cordas Apocalyptica mandam muito bem. Excelente tema para ser usado em abertura de shows, tipo rolando nas PA’s enquanto a banda se prepara para entrar no palco.
Como é de praxe, o Sepultura sempre nos brinda
em seus discos faixas bônus. E, com “Nation” não foi
diferente e, além dos brasileiros, japoneses, mexicanos e colombianos foram
agraciados em uma versão em digipak com cinco temas extras. Destaques para os
covers do Crucifix, caso de “Annihilation“, que
tem a participação especial de Cristian Machado, do Ill Niño; e do Black Flag,
com João Gordo mandando bala em “Rise Above” junto
com Derrick Green. As outras faixas são “Bela Lugosi’s Dead“,
cover do Bauhaus, além da demo de “Revolt” e uma versão
ao vivo de “Roots Bloody Roots“.
No saldo, “Nation” é um bom
registro do Sepultura, não apresenta nada genial, mas também não é tão abaixo
como muitos atribuem, talvez ainda sentidos com a saída de Max, mas se tivesse
menos faixas, provavelmente, seria melhor acolhido.
A seguir, a ficha técnica e o tracklist (com
faixas bônus) da obra.
Por Jorge Almeida

Comentários
Postar um comentário