Sem voz não há espetáculo e especialista explica como atores podem preservar seu principal instrumento de trabalho *
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| Foto meramente ilustrativa. |
Com a aproximação do Dia Mundial do Teatro (27 de março), o laringologista Guilherme Catani alerta para os riscos do esforço vocal a partir da experiência do ator Gabriel Stauffer e orienta sobre cuidados essenciais na rotina dos artistas
No teatro, antes mesmo de o público perceber o
cenário ou a iluminação, é a voz que conduz a história. Ela atravessa o palco,
emociona a plateia e sustenta personagens inteiros. Para atores, cantores e
performers, não é apenas um recurso artístico, é instrumento de trabalho.
Com mais de uma década de carreira, o ator
Gabriel Stauffer conhece bem essa realidade. Desde que iniciou sua
formação em artes cênicas, em 2014, ele aprendeu que cuidar da voz é parte
essencial da profissão.
“Para quem trabalha com teatro, a voz é fundamental.
O nosso instrumento de trabalho é o próprio corpo e a voz faz parte vital
disso. A gente precisa treinar, exercitar e manter essa ferramenta funcionando
bem”, afirma.
Segundo ele, o cuidado começa ainda na formação.
“Assim que você entra na faculdade, já começa a ter aula de voz. Aprendemos
exercícios de articulação, projeção e respiração. Um dos mais clássicos é o
‘Sifuchipa’, muito usado para aquecimento vocal no teatro”, relata.
“Antes do espetáculo, a gente faz aquecimento vocal
e depois o desaquecimento. Em musical, você pode passar três horas cantando e
falando no palco. Em fins de semana com duas sessões por dia, isso pode chegar
a seis horas de uso intenso da voz”, explica.
Nem sempre é possível evitar imprevistos. O ator
lembra quando perdeu a voz pouco antes de entrar em cena no musical O Grande
Circo Místico. “Eu acordei rouco e pensei: ‘Como é que o
público vai pagar para me ouvir cantar assim?’. Mas quando entrei no palco, a
voz encaixou e consegui fazer a apresentação.”
Para ele, situações assim fazem parte da profissão.
“Com o tempo, você aprende os limites da sua voz. Os perrengues ensinam.”
Além do teatro e da
televisão, Stauffer também grava audiolivros, atividade que exige
resistência vocal. “Fico cerca de três horas lendo em voz alta no estúdio.
A voz cansa bastante. Em alguns livros, ainda preciso fazer vozes diferentes
para personagens, o que exige ainda mais controle”, conta. Antes das gravações,
ele realiza exercícios simples de preparação vocal.
Segundo o médico, o uso intenso sem preparo pode
causar desde fadiga vocal até lesões nas pregas vocais.
Catani também reforça cuidados básicos para
preservar a voz: aquecimento antes do uso intenso, repouso vocal após
apresentações, hidratação adequada, evitar pigarrear e atenção à alimentação
para reduzir episódios de refluxo. O especialista também orienta evitar o
tabagismo, proteger-se de mudanças bruscas de temperatura e procurar avaliação
médica em casos de rouquidão persistente.
No Dia Mundial do Teatro, a mensagem é clara: por
trás de cada personagem existe um instrumento invisível, mas
essencial. “Quando bem cuidada, a voz permite que artistas
contem histórias e emocionem o público por muitos anos”, conclui.
Créditos:
Marina Capistrano | NQM
* Este conteúdo foi enviado pela assessoria de imprensa

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