Rolling Stones: 40 anos de “Dirty Work”
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| “Dirty Work”, o ‘conturbado’ disco dos Stones completa 40 anos em 2026. |
Hoje, 24 de março, o álbum “Dirty Work”, dos Rolling Stones, completa 40 anos de lançamento. Gravado em dois períodos entre abril e agosto de 1985, o disco foi co-produzido por Steve Lillywhite e The Glimmer Twins. Esse foi o primeiro disco da banda feito pela CBS Records, além do selo Rolling Stones Records.
As
sessões de “Dirty Work”
iniciaram em abril de 1985, em Paris, depois teve um curto intervalo e, na
sequência das gravações, o play teve a presença ilustre de Jimmy Page, na faixa
“One Hit (To The Body)”.
Contudo, o período ficou marcado por conta dos constantes desentendimentos
entre Keith Richards e Mick Jagger. O guitarrista demonstrou insatisfação por
conta de que o vocalista estava mais comprometido em dedicar-se ao seu primeiro
disco solo, “She’s The Boss”
(1985), e também em investidas em uma carreira de ator.
Essas
atividades de Jagger fora dos Stones comprometeu o seu desempenho nas gravações
do álbum, como ausência em diversas sessões de gravação, com algumas delas
sendo feitas apenas por Richards, Ron Wood, Bill Wyman e Charlie Watts,
enquanto Mick adicionou os seus vocais posteriormente. O vocalista não teve
bastante envolvimento na obra, tanto que o play foi o primeiro álbum dos Stones
desde de “Sticky Fingers”
(1971) em que o vocalista não tocou violão ou guitarra em nenhuma faixa e o
primeiro a ter Keith Richards nos vocais em mais de uma música.
Outro
fato que constata o pouco interesse de Mick Jagger na criação do disco pode ser
constatado na quantidade de músicas creditadas apenas aos Glimmer Twins, o que
não acontece desde “Out
Of Our Heads” (1965), o que dava indício do
distanciamento entre eles.
Essa
crise de relacionamento entre os Stones tornou-se notória no lendário show do
Live Aid, em 13 de julho de 1985, pois, enquanto Mick Jagger se apresentava
sozinho no evento, Keith e Ron Wood estavam no mesmo show, mas tocando com Bob
Dylan. Outra situação desconfortável que os caras passaram foi a forma como
Jagger tratava seus colegas de banda, como fosse seus subordinados, dando
ordens e sem chegar a um consenso, como Keith Richards afirmou em sua
autobiografia “Life”
(2009), aqui no Brasil intitulado “Vida”.
Outra
situação incômoda que os Rolling Stones passavam estava relacionada à pouca
participação de Charlie Watts nas sessões, pois o baterista estava afundado no
vício da heroína e do álcool. Tanto que, em “Undercover” (1983) quanto “Dirty Work”, diversos bateristas foram creditados nos
discos no lugar de Watts.
Curiosamente,
Jagger e Richards parecem trocar golpes no clipe de “One Hit (To The Body)”, além disso, em certos
momentos daquele período, eles se evitavam nos lugares e boatos da época diziam
que eles chegaram às vias de fato. Esse momento conturbado persistiu por alguns
anos, período que Mick Jagger lançou “Primitive Cool” (1987) e Keith soltou “Talk Is Cheap”
(1988), sua primeira investida na carreira solo.
E,
durante a produção d e “Dirty
Work”, um personagem importante na vida do grupo morreu. Em 12 de
dezembro de 1985, Ian Stewart, pianista de longa data e considerado o “sexto
Stone”, morreu de um súbito ataque cardíaco aos 47 anos. Conhecido como “Stu”,
o músico foi um dos fundadores dos Rolling Stones, mas por conta de sua “falta
de beleza”, foi tratado como músico de apoio. Em sua homenagem, o disco teve
uma faixa oculta em que Stewart tocava “Key To The Highway”, de Big Bill Broonzy, para
fechar o álbum.
O
disco até começa bem com “One
Hit (To The Body)”, que tem a participação de Jimmy Page, com
um refrão bem circundante. Já em seguida, aparece “Fight”, que tem uma típica pegada de rock
oitentista e uma força vocal de Jagger. O terceiro tema é “Harlem Shuffle”,
uma balada bem bacana e que foi um dos singles do álbum, um cover que ajudou na
divulgação do álbum e colaborou bastante para as vendagens do disco. Depois,
vem “Too Rude”, que
traz os vocais de Keith Richards, que tem uns toques de reggae que, em nada,
lembra os Rolling Stones, e que encerra a primeira metade do disco.
O
play inicia a outra parte com “Winning Ugly”, que se destaca pelo timbre de
guitarra. Posteriormente, vem a dobradinha “Back To Zero” e a faixa-título, que mantém o
estilo dos anos 1980, são boas músicas. A penúltima música é “Had It With You”,
é um rock and roll agitado com direito a solo de gaita. E a décima faixa é a
ótima “Sleep Tonight”,
uma balada romântica e calma cantada por Keith Richards. A obra ainda contém
uma faixa oculta: “Key
To The Highway“, tocada pelo “sexto Stone”, Ian Stewart, como
forma de homenagem ao companheiro falecido.
Evidentemente
que “Dirty Work” tem
boas músicas, mas por conta das circunstâncias em que ele foi produzido, isso
contribui para que o play não tenha o devido reconhecimento, mas deve ser
analisado com bons olhos. Não é um clássico, mas longe de ser um trabalho
“descartável”.
A
seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.
Por
Jorge Almeida

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