"Quim: Inconsciente Preciso" transforma cotidiano em arte popular no Parque do Palácio *

 

Foto meramente ilustrativa.

O trabalho do artista mineiro revisa critérios de reconhecimento artístico e desloca o olhar para produções fora do circuito acadêmico

“Quim: Inconsciente Preciso” transforma cotidiano em arte popular no Parque do Palácio
O trabalho do artista mineiro revisa critérios de reconhecimento artístico e desloca o olhar para produções fora do circuito acadêmico

A primeira exposição individual “Quim: Inconsciente Preciso”, de Joaquim Dimas Fidelis, em cartaz até 7 de junho de 2026 no Parque do Palácio, em Belo Horizonte, projeta o artista mineiro como um expoente da arte popular no circuito contemporâneo. Ex-carroceiro e sem formação acadêmica, Quim apresenta um conjunto de pinturas construídas a partir de um processo intuitivo, no qual a cor organiza a imagem e dá forma a paisagens que articulam referências do interior e da cidade.

Desde que iniciou sua produção, em 2017, o artista desenvolve uma forma própria de construir a pintura, na qual a resolução da imagem acontece no próprio ato de pintar. “Eu começo a pintar sem saber o que vai aparecer, é como se a imagem fosse se formando sozinha”, afirma Joaquim. Suas composições se organizam em campos cromáticos distribuídos em faixas horizontais, com elementos recorrentes que não descrevem um lugar específico, mas sintetizam experiências visuais acumuladas ao longo de sua trajetória — da infância no interior de Minas Gerais, em Nelson Sena, distrito de  São João Evangelista, à chegada à capital mineira por melhores oportunidades de trabalho —, em uma linguagem autêntica e reconhecível.

Para o colecionador e apreciador de arte popular Rildo Faria, é justamente essa relação entre imaginação e execução que define a potência do trabalho. “O que o título ‘Inconsciente Preciso’ revela é um modo de construção muito próprio da arte popular, em que a imagem nasce da imaginação sem planejamento, mas encontra forma e equilíbrio quando chega à tela. No trabalho do Quim, esse processo não é difuso, ele se organiza com clareza, como se a experiência acumulada no inconsciente conduzisse a pintura até um resultado preciso”, comenta.

O galerista Costantino Papazoglu, diretor da Papazoglu Galeria e produtor da exposição, também observa que a consistência do trabalho está ligada à prática contínua. “Existe uma precisão estrutural que não depende necessariamente de uma formação acadêmica. O que vemos é um domínio construído pela prática, capaz de sustentar uma linguagem própria e autêntica dentro da produção contemporânea”, completa.

Arte popular e prática artística
“A expressão popular está muito ligada aos modos de fazer, ao conhecimento que não vem da formação acadêmica, mas da vivência e da prática. É uma produção que se constrói a partir do repertório cultural de quem faz, muitas vezes aprendida na repetição, na observação e na transmissão entre gerações. Não é uma arte improvisada, mas uma linguagem que se organiza com consistência a partir da experiência”, explica Rildo.

Esse entendimento tem ampliado a presença dessas produções tanto em exposições quanto no ensino de arte, com a incorporação de práticas não acadêmicas nos cursos de artes visuais. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), homologada em 2017, reforça esse movimento ao orientar o reconhecimento de diferentes matrizes culturais brasileiras, incluindo manifestações populares e saberes tradicionais.

No campo institucional, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), por meio do Decreto nº 3.551/2000, reconhece os “modos de fazer” como patrimônio cultural imaterial. Em Belo Horizonte, a mostra “Quim: Inconsciente Preciso” se insere nesse contexto ao apresentar uma produção que se constrói fora dos circuitos acadêmicos e se afirma no debate contemporâneo.

SERVIÇO:
Quim: Inconsciente Preciso
Local: Parque do Palácio – Av. Djalma Guimarães, 161, Portaria 2 – Mangabeiras, Belo Horizonte (MG)
Período: Até 7 de junho de 2026
Horário: Quarta a sexta, das 10h às 18h; sábado e domingo, das 9h às 18h
Entrada: consultar o Parque do Palácio (@parquedopalacio)
Instagram: @papazoglugaleria

Créditos: Ilana Penido | Romano Comunicação

 * Este conteúdo foi enviado pela assessoria de imprensa

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