Lobão: 40 anos de “O Rock Errou”
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| "O Rock Errou", de Lobão, completa 40 anos de lançamento em 2026. |
O álbum “O Rock Errou”, de Lobão, completa neste mês de março 40 anos de seu lançamento. Produzido por Gutti, Leninha Brandão e Lobão, o disco foi lançado pela RCA Victor. O registro teve vendagens expressivas de mais de 100 mil cópias na época.
No
ano de 1986, o rock brasileiro fervilhava com criatividade e com o surgimento
de verdadeiras obras-primas da década de 1980. E, entre esses lançamentos, vale
destaque o segundo álbum solo do controverso e polêmico Lobão.
Acompanhado
por ótimos músicos, como os guitarristas Torcuato Mariano e Mariano Martinez
(que também tocava teclados), João Batista no baixo e Jurim Moreira na bateria,
Lobão compôs um LP que misturou raiva, anarquia e depressão, pois, pouco tempo
antes, o músico perdeu o velho amigo Júlio Barroso, além de ter sido preso, com
uma pequena quantidade cocaína e maconha quando estava chegando na RCA.
O
disco abre com uma breve introdução instrumental com guitarras estrondosa. Na
sequência, aparece a faixa-título em que Lobão faz uma crítica à acomodação do
rock, mas dá aquela velha cornetada na polícia, ditadura, políticos, sobrando
até para o Vaticano, para a Casa Branca e a Dama de Ferro, mas o satírico
trocadilho do nome da música questiona se realmente foi apenas o “rock” que
errou, pois, os problemas do Brasil seguia a uma verdadeira balbúrdia. Na
sequência, vem “A
Voz da Razão”, que mostra toda a versatilidade de Lobão, em que
ele canta em dueto com Elza Soares, que interpreta magistralmente a canção com
a sua voz rasgada. O quarto tema é “Baby Lonest”, um bom Hard Rock agradável de ouvir,
mas não tem status de clássico. Já em “Spray Jet”, Lobão arrisca o refrão em inglês e a
música tem influências de Soul Music, com direito a estalo de dados na ‘intro’.
O disco chega à metade com “Moonlight
Paranóia”, que nada mais é do que uma boa versão em português
para “Seasons Of Wither”,
do Aerosmith.
O
lado B da bolacha inicia com uma das minhas músicas favoritas de Lobão: a
emblemática “Revanche”,
que foi outro clássico da obra. O tema era uma reflexão cruel sobre a vida, a
solidão e a dureza da realidade, aliás, uma música bem atual, afinal, “a favela é a nova senzala,
correntes da velha tribo / E a sala é a nova cela, prisioneiros nas grades do
vídeo”… “hoje em dia somos escravos e quem é vai pagar por isso?”,
tem trecho mais profético que isso (lembrando que a música é de 1986). Essa
música é uma das grandes obras de Lobão, fora o ótimo trabalho de guitarra que
acompanha toda a canção. Em seguida, a sensualidade se faz presente na linda
balada “Noite e Dia”,
que foi tema de novela e tocou também à exaustão nas rádios. Na continuação,
outro petardo: “Canos
Silenciosos”, um rockão em que Lobão celebra a adrenalina da
noite, seus excessos e diversão, enfim, a liberdade de curtir uma boa noitada,
com “sexo, ‘drops’, rock and roll e
adrenalina”, mas sem esquecer do medo que ela proporciona como as
repressões policiais autoritárias – “homens, fardas, cassetetes, camburões / abusando da lei com suas
poderosas credenciais”. A penúltima faixa é “Glória (Junkie Bacana)”,
feita em parceria com Cazuza, que fala de um pedido de desculpas ao vizinho por
causa do barulho e das bebedeiras que o interlocutor cometeu por conta de um
amor perdido. Uma música que é bem a cara de Caju (outro apelido de Cazuza). E,
para finalizar, a balada “Click”,
que fala de um encontro feito na noite carioca sob a lente de uma câmera.
E,
obviamente, não poderia deixar de falar da polêmica capa do álbum: Lobão
aparece vestido de padre ao lado de sua companheira na época, Danielle Daumerie
(que colaborou nos vocais de “Moonlight
Paranóia”), nua, usando um véu na cabeça e com as mãos cobrindo
as partes baixas. E detalhe: ela só tinha 18 anos na época. Quer coisa mais
provocativa que isso?
Hoje,
40 anos depois, Lobão pode até ter feito algumas escolhas equivocas, seja na
carreira ou no posicionamento político, e segue com a mesma figura polêmica de
sempre, mas com esse registro, ele deu um tiro certeiro e nos brindou com um
dos melhores álbuns de sua carreira.
A
seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.
Lobão: guitarra
e voz
Por
Jorge Almeida

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