Livro resgata a história da revolucionária da líder política apagada da história por ter sido o grande amor de Lênin *
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| Foto meramente ilustrativa. |
Documentos presentes na obra revelam pedidos de conselhos do revolucionário russo à mulher com quem tinha duros debates e grande afinidade política
Poucas figuras da Revolução Russa foram tão
decisivas — e tão sistematicamente silenciadas — quanto Inessa Armand.
Em “Revolucionária,
Feminista e Amante de Lênin”, livro lançado no Brasil pela
Editora Cultrix, a jornalista e escritora italiana Ritanna Armeni reconstrói,
com rigor histórico e sensibilidade literária, o retrato dessa mulher
extraordinária cuja atuação política e intelectual foi deliberadamente apagada
dos registros oficiais do regime soviético.
Autora do best-seller “As Bruxas da Noite”, Armeni mergulha em uma extensa
investigação para devolver Inessa Armand ao lugar que lhe foi negado: o de protagonista.
Militante bolchevique, dirigente política, mediadora habilidosa e pensadora
crítica da chamada “questão feminina”, Inessa dedicou sua vida à construção do
projeto revolucionário, sem jamais abrir mão de sua autonomia intelectual e
afetiva.
A narrativa acompanha sua trajetória a partir de seu encontro
com Lênin, em 1909, em um café parisiense frequentado por revolucionários
russos exilados. A relação entre os dois, marcada por intensa afinidade
política, admiração mútua e uma ligação amorosa profunda, revelou-se também um
espaço de confronto de ideias. Inessa desafiava Lênin em debates sobre
feminismo, moral socialista, educação e o papel das mulheres na revolução —
temas diante dos quais o líder bolchevique mantinha posições cautelosas e, por vezes,
conservadoras.
O livro apresenta ainda a correspondência entre Inessa e Lênin,
documentos fundamentais que expõem uma relação de confiança rara: ele lhe pedia
conselhos estratégicos, comentava seus textos e reconhecia sua inteligência
política. Ao mesmo tempo, Inessa mantinha uma postura
independente, recusando-se a caber em rótulos fáceis: era devotada sem ser
submissa, bolchevique sem ignorar os limites do partido, idealista e, ao mesmo
tempo, profundamente pragmática.
Ao seguir os poucos vestígios que sobreviveram ao seu apagamento
histórico — cartas, relatos, biografias fragmentadas — Ritanna Armeni percorre
a Europa e constrói um retrato comovente e complexo de uma mulher que parece
deslocada de seu tempo. Inessa Armand surge como uma figura inquieta,
contraditória e indomável, cuja vida desmonta estereótipos femininos e desafia
leituras simplificadoras da história revolucionária.
Mais do que uma biografia, “Revolucionária, Feminista e Amante de Lênin” é um ato de reparação histórica. Ao restituir a voz e a densidade de Inessa Armand, Ritanna Armeni convida o leitor a repensar o papel das mulheres nos grandes acontecimentos do século XX, assim como a reconhecer que nenhuma revolução é completa quando apaga aquelas que a tornaram possível.
Trecho do livro:
Nove de outubro de 1920, oito da manhã. Em Moscou, as noites de
outono são longas, e a luz do dia ainda não invadiu as ruas. Na estação
Kazansky, um homem caminha de um lado a outro da plataforma. Em um vagão
coberto com tecido preto e vermelho viaja em um caixão com o corpo de uma
mulher. Seu nome é Inessa. Inessa Armand. É ela que o homem e um pequeno grupo
de pessoas estão esperando.
Lênin recebe o caixão branco, caminha a seu lado, olha para ele
e o toca de leve, apoiando-se nele de vez em quando, como para se segurar. Por
fim, quando o cortejo chega ao Kremlin, ele se aproxima e ajuda os homens que
realizam o sepultamento. Ao lado de Lênin estão Andrei, Varvara e Inna, filhos
de Inessa, aos quais o homem dirige um sorriso triste e cheio de afeto.
Na manhã do dia 9 de outubro, muitos registram essa dor, que nem
mesmo o pudor conseguiu esconder. Alexandra Kollontai, uma das bolcheviques
mais conhecidas e independentes, contará alguns anos mais tarde: “Durante
o cortejo fúnebre, Lênin se mostrou irreconhecível. Caminhava de olhos
fechados, e a todo instante achávamos que estivesse para cair”.
Angelica Balabanoff, figura histórica do movimento operário russo e,
posteriormente, do italiano, observa: “Toda
a sua pessoa, não apenas seu rosto, exprimia tanta tristeza que ninguém ousava
nem sequer cumprimentá-lo com um aceno de cabeça. Estava claro que queria ser
deixado sozinho com sua tragédia. Parecia ter diminuído de tamanho; a boina
escondia seu rosto, e era como se seus olhos tivessem desaparecido entre as lágrimas
dolorosamente contidas”.
Vladimir Ilitch Ulianov olha para o caixão coberto de flores e
se sente culpado. Havia sido ele a insistir para que Inessa se afastasse de
Moscou nas férias. Ela não queria viajar, mas acabou cedendo e, no Cáucaso,
adoeceu de cólera.
Sobre
a Autora:
Ritanna
Armeni é jornalista e escritora. Foi chefe de redação da
revista Noi
donne e trabalhou nos periódicos Rinascita, Il manifesto, L’Unità e Liberazione.
Foi porta-voz do político socialista italiano Fausto Bertinotti, tendo também
conduzido por três anos o programa Otto e mezzo com Giuliano Ferrara. É autora
premiada e, dentre suas obras de destaque, estão As Bruxas da
Noite (2019), La Colpa Delle Donne – Dal
Referendum Sull’Aborto alla Fecondazione Assistita: Storie, Battaglie e
Riflessioni (2006), Prime Donne Perché in Politica non C’è Spazio per il Secondo Sesso (2008), Due Pacifi
sti e um Generale – A Colloquio con Vincenzo Camporini (2010) e Parola di
Donna – Le 100 Parole Che Hanno Cambiato il Mondo
Raccontate da 100 Protagoniste (2011).
Sobre
o Grupo Editorial Pensamento:
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o Grupo Editorial Pensamento aposta em mensagens que procuram expandir o corpo,
a mente e o espírito. Mensagens que emanam energia positiva e bem-estar.
Mensagens que equilibram o ser. Mensagens que transformam o mundo.
Serviço:
Livro: Revolucionária,
Feminista e Amante de Lênin
Autor:
Ritanna Armeni
Editora:
Cultrix
Páginas:
280
Preço:
R$ 58,00
Disponível
para compra através do link
Créditos: Marcelo Boero | Aspas e Vírgulas
* Este conteúdo foi enviado pela assessoria de imprensa

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