Exposição “Ocupação Grande Othelo” no Itaú Cultural

 

"Ocupação Grande Othelo", no Itaú Cultural, celebra os 110 anos de um dos artistas brasileiros mais completos do século XX. Foto: Jorge Almeida

O Itaú Cultural recebe até o domingo que vem, 8 de março, a exposição “Ocupação Grande Othelo”, que celebra os 110 anos de nascimento de um dos maiores artistas brasileiros do século XX. A mostra reúne mais de 160 itens que corroboram a compreendermos a grandeza artística e humana de Grande Othelo (1915-1993) – ator, cantor, compositor, comediante, poeta e um intérprete ímpar.

A mostra revela um artista multifacetado. Pois, no espaço expositivo, há rascunhos e poemas, como “Cadê Você, Gonzagão?”, homenagem a Luiz Gonzaga, partituras originais dos anos 1940, roteiros, cartas, fotografias, figurinos, agendas e documentos históricos — entre eles o contrato com a TV Globo, de 1967, e o diploma de cidadão paulistano, recebido em 1978. Há também troféus simbólicos, como o Velho Guerreiro, entregue por Chacrinha. É uma submersão sólida em um caminho que começou ainda na infância, no circo, e se desdobrou em mais de 100 filmes e dezenas de trabalhos no teatro e na música.

A exposição também aborda questões fundamentais da vida de Othelo, como o seu desempenho político no amparo da classe artística e sua posição firme no debate racial, tema que nunca fugiu. Amigo de Abdias Nascimento e admirado internacionalmente — Werner Herzog chegou a dizer que havia “tanta vida naquele pequeno homem” —, ele concretizou um espólio que vai muito além do humor pelo qual ficou popular.

Em diálogo com a mostra, a plataforma Itaú Cultural Play exibe uma seleção especial de filmes que corrobora a dimensionar sua versatilidade em cena. Entre os destaques está “Rio, Zona Norte”, de Nelson Pereira dos Santos, um dos retratos mais sensíveis do samba e da vida nos morros cariocas, em que Othelo vive o compositor Espírito. No campo das chanchadas que marcaram época, aparecem “Carnaval Atlântida” e “Matar ou Correr”, dirigidos por José Carlos Burle e Carlos Manga, consolidando a antológica parceria com Oscarito.

A fase mais autoral do cinema brasileiro também está representada. No clássico “Macunaíma”, de Joaquim Pedro de Andrade, ele entrega uma atuação histórica na adaptação do clássico modernista. Já em “Jubiabá”, novamente com Nelson Pereira, assume um papel carregado de simbolismo social. A seleção inclui ainda “Também Somos Irmãos”, drama pioneiro na abordagem do racismo no cinema nacional, e Lúcio Flávio, o “Passageiro da Agonia”, de Hector Babenco.

No conjunto, a Ocupação não apenas homenageia um artista consagrado, mas reafirma a importância de preservar a memória cultural brasileira. Grande Othelo foi maior que seus personagens: abriu caminhos, enfrentou barreiras e deixou uma obra que continua atual.

Entre os itens, destaques para o figurino original usado por Grande Otelo no Carnaval de 1986 no desfile da Estácio do Sá, com o tema "Prata da Noite", que homenageou o ator; algumas fotos icônicas, como a de divulgação do filme "O Barão Oteno no Barato dos Bilhões (1971), de Mauro Borges, com Grande Otelo e Elke Maravilha.

SERVIÇO:
Exposição: Ocupação Grande Othelo
Onde: Itaú Cultural – Avenida Paulista, 149 – Cerqueira César
Quando: até 08/02/2026; de terça-feira a sábado, das 11h às 20h; domingo, das 11h às 19h
Quanto: entrada gratuita 

Por Jorge Almeida

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