Exposição “Neide Sá: Vida, Doce Mistério” na Pinacoteca do Estado
![]() |
| "Registros" (1997-2020), adesivo, borracha e madeira. Foto: Jorge Almeida |
Com aproximadamente 100 obras, a exposição “Neide Sá: Vida, Doce Mistério” segue em cartaz no segundo andar da Pinacoteca do Estado de São Paulo, na Pina Luz. Aos 84 anos, a artista enaltece sua importância histórica e experimental como uma das criadoras do movimento Poema/Processo, que sugere um rompimento radical ao compreender o poema não somente como texto, mas como item visual, sensorial e gráfico, para além do alfabeto.
Os trabalhos reunidos foram produzidos entre as décadas de 1960 e 2000, vinculado o começo de sua trajetória às pesquisas mais recentes. É nítido notar como a artista seguiu as modificações de cada época: da exploração de acrílicos, as cores vibrantes e os novos processos de impressão dos anos de 1960 e 70, até as ponderações mais extensas acerca da identidade e memória da virada dos anos 1990 para 2000, quando o Brasil revisitou seus 500 anos de história.
Um dos nichos mais fortes da exposição é destinado às obras participativas, marca respeitável da artista desde os anos 1980. Trabalhos como Momento (1967), Reflexível (1977) e Nós & nós (2004) atraem o público a tocar, manusear e construir seus próprios poemas. Essa extensão interativa robustece um conceito central em sua produção: a arte como experiência viva, que só se remata na afinidade com o outro.
Entre as peças mais simbólicas está Ciclo infinito vida-morte (1968–2010), um objeto-poema em forma de cubo de acrílico com face em aço e espelho. A obra trabalha como um dispositivo de leitura e reflexão, designando um jogo contínuo entre abrir e fechar, apagar e refazer, viver e morrer. É um resumo poético da pesquisa de Neide sobre linguagem, tempo e permanência.
Com curadoria de Lorraine Mendes, a exposição desponta uma artista coerente, inquieta e fortemente empenhada com a educação e com a ideia de que a arte é um meio de comunicação e transformação.
Entre outros destaques estão obras como “Sem Título, da série Metassignos Antropofágicos” (1972-2018), uma impressão fotográfica; “Registros” (foto), de 1997-2020, feito com adesivo, borracha e madeira; “Ciclo infinito vida-morte” (1969-2013), obra feita com acrílico, espelho, aço, tinta automobilística, vinil adesivo recortado.
SERVIÇO:
Exposição: Neide Sá: Vida, Doce Mistério
Onde: Pinacoteca
do Estado de São Paulo (Pina Luz) – Praça da Luz, s/n° - Luz
Quando: até
08/02/2026; de quarta-feira a domingo, das 10h às 18h
Quanto: R$
30,00 (inteira); R$ 15,00 (meia-entrada); gratuito aos sábados para o público
em geral
Por Jorge Almeida

Comentários
Postar um comentário