Exposição Joaquín Torres García - 150 anos pode ser visitada até 9 de março no CCBB em São Paulo *

 

Foto meramente ilustrativa.

A curadoria de Saulo di Tarso, em colaboração com o Museo Torres García, revisita o Universalismo Construtivo - ideia de empregar formas simples e universais para expressar a identidade latino-americana - sem tratá-lo como fórmula fechada

curador Saulo di Tarso assina a exposição Joaquín Torres García – 150 anosem cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) São Paulo até 9 de março, propondo uma leitura da obra do artista uruguaio e sua influência na arte latino-americana. Realizada pelo Ministério da Cultura, a mostra reúne mais de 70 criadores modernos e contemporâneos do Brasil e do exterior e explora como Torres García articulou vanguardas europeias, identidade sul-americana e pedagogia artística. A visitação é gratuita, diária, das 9h às 20h, exceto às terças-feiras. Depois de São Paulo, a exposição segue para Brasília, de 31 de março a 21 de junho, e Belo Horizonte, de 15 de julho a 12 de outubro.

A curadoria de Saulo di Tarso, em colaboração com o Museo Torres García, revisita o Universalismo Construtivo - ideia de empregar formas simples e universais para expressar a identidade latino-americana - sem tratá-lo como fórmula fechada. O percurso propõe conexões inéditas entre o Uruguai e o Brasil, aproximando o legado de Torres García de debates contemporâneos sobre circulação de obras, memória institucional e pertencimento cultural.

Para Torres García, a infância era central à reflexão estética. Defendia um ensino de arte voltado à experiência e à invenção, no qual o estímulo era a elaboração de símbolos e a ordenação de percepções. Desenvolveu brinquedos de madeira com finalidade formativa e trouxe para sua pintura uma síntese visual próxima do traço infantil, valorizando a capacidade das crianças de estruturar o mundo por sinais simples e universais. Muitas dessas obras podem ser vistas na exposição.

“Celebrar 150 anos de um artista da dimensão de Torres García exige pensar necessariamente em uma ampliação do percurso histórico”, afirma Saulo. “Ele foi amplamente exposto no Brasil, mas ainda sofremos de uma espécie de síndrome da lusofonia, que nos afasta culturalmente do nosso legado espanhol e dos países vizinhos da América do Sul. Esta mostra propõe conexões efetivas entre o Uruguai e o Brasil”, complementa o curador.

A exposição também ressignifica o silêncio em torno do incêndio do MAM Rio, em 1978. “A curadoria visa ressignificar o silêncio em torno do incêndio que ocorreu no MAM Rio em 1978, por isso o subtítulo da mostra ‘O olhar contínuo’, evocando a presença de artistas como Anna Bella Geiger, Marcos Chaves e Montez Magno, que expõem uma tela em homenagem a Torres García, feita logo após o incêndio, além da série ‘Nova Geografia’, de Rubens Guerschman, um dos artistas que mais atuaram na reconstrução do MAM Rio. Até hoje, tratou-se o incêndio com silêncio, um silêncio que procura se ressignificar na mostra através de uma grande celebração que possui mais de 70 participações”, comenta. “É a primeira vez que são mostrados escritos e cartas do próprio Torres García no Brasil, assim como originais inéditos e manuscritos, pela primeira vez, saem de dentro do Museu Torres García, para dar a dimensão da produção de um dos artistas teóricos mais importantes do século 20 europeu e sul-americano.”

Inspirada em experiências internacionais, como a exposição realizada pelo MoMA, a mostra propõe uma narrativa que ultrapassa a iconografia mais conhecida, valorizando a capacidade do artista de articular as vanguardas europeias com um retorno singular ao Uruguai, em 1934, quando passou a defender a civilização sul-americana como centro de produção estética.

Artistas brasileiros
Mais de 40 artistas brasileiros participam da mostra, incluindo Cecília Meireles, Ernesto Neto, Willys de Castro, Bispo do Rosário, Rubens Gerchman, Ronaldo Azeredo, Sacilotto, Cildo Meirelles, Hélio Oiticica, Leonilson, Jac Leirner, Anna Bella Geiger, Sérgio Camargo, Rivane Neuenschwander e Rosana Paulino. No núcleo internacional, figuram Carmelo Arden Quin, Gyula Kosice, Mondrian, Theo van Doesburg, Vantongerloo, Alfredo Jaar e Carlos Garaicoa. O percurso se encerra em um diálogo expressivo entre Torres García e Rosana Paulino.

A mostra evidencia, ainda, a produção de Torres García e o diálogo com a arte moderna e contemporânea latino-americana, promovendo encontros no tempo e no espaço, e reafirmando o princípio do artista: “O nosso norte é o sul”.

Serviço - Exposição Joaquín Torres García – 150 anos - em São Paulo
Data: visitação até 9 de março
Horário: das 9h às 20h, exceto às terças
Local: CCBB São Paulo - Rua Álvares Penteado, 112 – Centro   
Gratuito

Sobre Saulo di Tarso
Saulo di Tarso é curador, pesquisador e produtor cultural, reconhecido por articular exposições que conectam tradição e inovação na arte latino-americana. Idealizador e curador da mostra Joaquín Torres García – 150 anos, em colaboração com o Museu Torres García, ele também foi responsável pela museografia e produção multimídia da premiada exposição Marc Chagall: sonho de amor (APCA 2023) e traduziu a obra poética completa de Chagall para o português. Sua trajetória inclui curadorias em instituições como Casa do Olhar Luis Sacilotto, Casa das Rosas, Paço das Artes, Paço Imperial, Museu Afro Brasil, Galeria da Unicamp e Galeria Olido, além da criação da Trienal Internacional de Grafias pelo Memorial da América Latina. Com experiência em arte-educação, produção digital e pesquisa em arte contemporânea, atuou em projetos ao lado de nomes como Emanoel Araújo, Alexandre Wollner e Hans-Joachim Koellreutter, e participou de iniciativas culturais e políticas, incluindo a coordenação de cultura na campanha presidencial de Eduardo Campos e Marina Silva. Fundador da Tangram Museologia e filiado ao ICOM-CIMAM, vive entre Brasil e Itália.

Créditos: Bartira Betini | Betini Comunicação

* Este conteúdo foi enviado pela assessoria de imprensa

 

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