Exposição “¡Cancha Brava! Futebol Sudamericano En Disputa” no Museu do Futebol

Um recorte da obra "Um Século de Fiesta Y Rivalidade". Créditos: divulgação

O Museu do Futebol está com a exposição “¡Cancha Brava! Futebol Sudamericano En Disputa”, em cartaz até o próximo domingo, 5 de abril, e permite uma submersão direta no que o futebol significa na América do Sul: muito mais do que esporte, ele é cultura, identidade e também conflito. A mostra expande o contemplar para além do Brasil e atrela as histórias dos países que formam a Confederação Sul-Americana de Futebol, despontando como o esporte atravessa questões sociais, políticas e afetivas do continente.

Com curadoria de Luiza Romão, Matias Pinto e Gisele de Paula, a mostra estabelece um percurso cativante, combinando informação e conhecimento. Tem instalação sonora, obras inéditas, imagens e recursos interativos que insere o público dentro desse universo. Logo na entrada, uma espécie de rádio gigante deixa “sintonizar” os países sul-americanos, com músicas, sotaques e histórias locais. No espaço central, uma arquibancada que vibra ao som das torcidas reforça essa sensação de presença, quase como estar dentro de um estádio. Intitulada “Carnaval Toda La Vida”, o espaço reproduz cantos de torcidas de clubes do continente, inclusive com alguns deles inspirados em artistas brasileiros, por exemplo, como “Ilariê”, sucesso da Xuxa, vociferada pela ‘cancha’ do Vélez Sarsfield; ou a La Plaza Y Comando, torcida do Cerro Porteño cantando inspirado em “Anunciação”, de Alceu Valença.

O próprio título já explica bem a ideia da mostra. “Cancha”, palavra de origem indígena, remete ao campo, enquanto “brava” fala da intensidade das torcidas. Juntas, resumem esse jeito sul-americano de viver o futebol: extasiado, coletivo e, muitas vezes, marcado por tensões. E é justamente aí que a exposição ganha energia, ao mostrar que o futebol também matuta distinção, racismo, autoritarismo e memória histórica — inclusive resgatando períodos em que estádios foram utilizados por regimes ditatoriais.

Ao mesmo tempo, a exposição não perde de vista o lado prazeroso. Há espaço para a música, para a literatura e para a arte popular, com referências a autores como Eduardo Galeano, Gabriel García Márquez e Mário de Andrade, além de obras que dialogam com a memória e a identidade dos povos sul-americanos. Instalações como a “Escadaria de Memória” e o grande mural com personagens do futebol ajudam a reforçar esse cruzamento entre arte e história.

Em meio aos trabalhos expostos, chamam atenção a obra “Um Século de Fiesta Y Rivalidade” (2025), feito com spray, pigmento de cola, pigmento de pó, álcool e acrílica sobre parede, de Marina Ceclie da Silva e Cleber TCC, que também tem uma reprodução feita em miniatura que permite o contato tátil. Ou, ainda, “Diego” (2020), do artista Mulambo, uma impressão, que também teve uma reprodução tátil, que homenageia Diego Armando Maradona.

Em suma, “¡Cancha Brava!” trabalha como uma representação correta do futebol do continente: um lugar onde convivem festa e disputa, formosura e contrassenso. É uma experiência que informa, comove e faz pensar — exatamente como o futebol costuma fazer por aqui.

SERVIÇO:
Exposição: “¡Cancha Brava! Futebol Sudamericano En Disputa
Onde: Museu do Futebol – Estádio do Pacaembu – Praça Charles Miller, s/n° - Pacaembu
Quando: até 05/04/2026; de terça a domingo, das 9h às 18h (entrada até às 17h); toda primeira terça-feira do mês com funcionamento estendido até às 21h (entrada até às 20h)
Quanto: R$ 24,00 (inteira); R$ 12,00 (meia-entrada); entrada gratuita para crianças de até sete anos; e entrada gratuita para o público em geral às terças-feiras

Por Jorge Almeida

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