Exposição “¡Cancha Brava! Futebol Sudamericano En Disputa” no Museu do Futebol
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| Um recorte da obra "Um Século de Fiesta Y Rivalidade". Créditos: divulgação |
Com curadoria de Luiza Romão, Matias Pinto e Gisele de Paula, a mostra estabelece um percurso cativante, combinando informação e conhecimento. Tem instalação sonora, obras inéditas, imagens e recursos interativos que insere o público dentro desse universo. Logo na entrada, uma espécie de rádio gigante deixa “sintonizar” os países sul-americanos, com músicas, sotaques e histórias locais. No espaço central, uma arquibancada que vibra ao som das torcidas reforça essa sensação de presença, quase como estar dentro de um estádio. Intitulada “Carnaval Toda La Vida”, o espaço reproduz cantos de torcidas de clubes do continente, inclusive com alguns deles inspirados em artistas brasileiros, por exemplo, como “Ilariê”, sucesso da Xuxa, vociferada pela ‘cancha’ do Vélez Sarsfield; ou a La Plaza Y Comando, torcida do Cerro Porteño cantando inspirado em “Anunciação”, de Alceu Valença.
O próprio título já explica bem a ideia da mostra. “Cancha”, palavra de origem indígena, remete ao campo, enquanto “brava” fala da intensidade das torcidas. Juntas, resumem esse jeito sul-americano de viver o futebol: extasiado, coletivo e, muitas vezes, marcado por tensões. E é justamente aí que a exposição ganha energia, ao mostrar que o futebol também matuta distinção, racismo, autoritarismo e memória histórica — inclusive resgatando períodos em que estádios foram utilizados por regimes ditatoriais.
Ao mesmo tempo, a exposição não perde de vista o lado prazeroso. Há espaço para a música, para a literatura e para a arte popular, com referências a autores como Eduardo Galeano, Gabriel García Márquez e Mário de Andrade, além de obras que dialogam com a memória e a identidade dos povos sul-americanos. Instalações como a “Escadaria de Memória” e o grande mural com personagens do futebol ajudam a reforçar esse cruzamento entre arte e história.
Em meio aos trabalhos expostos, chamam atenção a obra “Um Século de Fiesta Y Rivalidade” (2025), feito com spray, pigmento de cola, pigmento de pó, álcool e acrílica sobre parede, de Marina Ceclie da Silva e Cleber TCC, que também tem uma reprodução feita em miniatura que permite o contato tátil. Ou, ainda, “Diego” (2020), do artista Mulambo, uma impressão, que também teve uma reprodução tátil, que homenageia Diego Armando Maradona.
Em suma, “¡Cancha Brava!” trabalha
como uma representação correta do futebol do continente: um lugar onde convivem
festa e disputa, formosura e contrassenso. É uma experiência que informa, comove
e faz pensar — exatamente como o futebol costuma fazer por aqui.
Por Jorge Almeida

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