DAN Galeria apresenta mostra inédita de Ivald Granato *
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| Foto meramente ilustrativa. |
Com curadoria de Maria Alice Milliet, exposição reúne pinturas realizadas no fim da década de 1990 e destaca a força simbólica das máscaras na obra do artista
Março de 2026 - A DAN Galeria inaugura,
em 28 de março, a exposição Máscaras, Ivald Granato – Quem é você?, com
curadoria de Maria Alice Milliet. A mostra inédita reúne um
conjunto de pinturas realizadas por Granato no fim da década de 1990 e as
coloca em diálogo com máscaras africanas preservadas nas coleções de Christian-Jack
Heymès e da família Mastrobuono. A abertura acontece em São Paulo e se conecta
à agenda da 22º edição da SP-Arte.
A
exposição parte de um dado central para a leitura da trajetória de Ivald
Granato. Durante décadas, sua presença pública, suas ações performáticas e sua
energia irreverente ocuparam lugar decisivo na recepção de sua obra. Esse
aspecto é incontornável, mas não a resume.
Granato
foi também um pintor de grande domínio técnico, um desenhista excepcional e um
conhecedor profundo da história da arte. Transitava entre linguagens e
repertórios com intimidade rara, não para repetir estilos, mas para
tensioná-los a partir de uma inteligência visual muito própria. Maria Alice
Milliet lembra que, ao chegar à maturidade, depois de mais de três décadas de
exposições, premiações e reconhecimento, Granato já ocupava um lugar de
destaque na cena artística brasileira. Talentoso desenhista e pintor, havia
atravessado os “ismos” e a Pop Art em estreita sintonia com seu tempo.
Essa
mostra ajuda a recolocar esse ponto em evidência, situando-o como parte de uma
investigação consistente, em que pintura, memória, teatralidade e identidade se
entrelaçam. No fim dos anos 1990, Granato se afasta, por um momento, do embate
mais imediato com a contemporaneidade e volta o olhar para dimensões profundas
de sua própria formação. É desse movimento que nasce a série ligada às
máscaras. Segundo a curadora, essa passagem corresponde a uma inflexão em sua
carreira, quando o artista procura valores ligados ao passado, à ancestralidade
e à memória cultural brasileira. Em 1998, Granato realiza uma série de pinturas
sobre papel chamada The Mask. Na sequência, desenvolve obras de maior fôlego
reunidas sob o título Quem é você – The Mask. Para o artista, essas máscaras
eram anotações visuais de rostos que povoavam seu imaginário.
Ao
tratar dessa produção, Maria Alice Milliet desloca a leitura habitual que
costuma aproximar esse tipo de repertório apenas da tradição europeia do
moderno. No caso de Granato, ela está ligada à busca de raízes culturais e ao
desejo de afirmação identitária. A curadora recupera sua origem miscigenada,
com ascendência negra e indígena, e inscreve essa série num campo de
pertencimento, reconhecimento simbólico e reverência, marcado por uma
aproximação que nasce de dentro. Esse aspecto é decisivo para a compreensão da
mostra. A ancestralidade africana aparece como força estrutural na cultura
brasileira e como chave para reler uma parte importante de sua obra.
Milliet observa que, depois de uma primeira incursão em figuras mais próximas de um universo popular e carnavalesco, Granato volta-se para as máscaras tribais. Na série cuja pergunta organiza o título da exposição, vemos uma sucessão de caras estranhas emergirem de fundos escuros, em composições que condensam intensidade gráfica, energia cromática e forte carga simbólica. A representação tem, nesse conjunto, um peso particular. Ela é figura de passagem, condensação de gesto, invenção de persona e presença ritual. Dez anos após sua morte, Máscaras, Ivald Granato – Quem é você? nos faz compreender com mais nitidez a complexidade do artista.
Sobre o artista
Ivald
Granato (Campo dos Goytacazes, Brasil, 1949 —São Paulo, Brasil, 2016) . Do que
é possível ser praticado por um artista, pouquíssimas são aquelas realizações
que escaparam a Ivald Granato. Não é de se espantar, portanto, que ele seja um
dos precursores da performance no cenário artístico brasileiro. Incluindo o seu
próprio corpo, numerosos são os suportes e meios que empregou na feitura de sua
obra, ato contínuo e intenso de uma criação inquieta e provocativa.
Ainda
que Granato seja muito destacado pela prática de performances como I’m not Andy
Warhol e a icônica Mitos Vadios, de 1978, é a pintura que consagrou sua
produção artística. Antes de qualquer coisa, Granato foi um grande pintor e
desenhista, práticas que começou a desenvolver ainda na infância. Em sua
pintura, o artista consegue transmitir espontaneidade e vivacidade,
conquistadas com pinceladas rápidas e livres, cores intensas e vibrantes, o que
resulta em trabalhos de corporalidade expressiva e frenético gesto criativo.
Diga-se, tudo muito bem construído e documentado pelo artista. Em mais de
cinquenta anos de trajetória artística, Granato deve fases bem distintas e
marcantes, que iam acontecendo com naturalidade. Seu rigor técnico e
organização o acompanharam por todos os períodos, assim como sua obstinação
desde criança para desenvolver sua trajetória artística, atestada pela família
e amigos próximos a ele.
Assim,
há obras que dialogam com o surrealismo, a Pop Art, como as da Série Pop, dos
anos 60, arte conceitual nos anos 70, figurativo e abstrato mais tarde. A
expressividade gestual sempre foi destacada. Na obra “A Natureza-Morta que
Picasso Pintou e Deixou em Minha Casa Quando eu Tinha Cinco Anos (1979)”
Granato utiliza procedimentos do cubismo para dar um tratamento tendente ao
abstrato às figuras vagamente antropomórficas, enquanto em Margot (1981) a
figura humana ganha um tratamento fantasioso e expressivo. Granato também
visitou grandes mestres, com releituras da história da arte, como Sem
Título/Monalisa, pertencente à série Heads, dos anos 2000, na qual o artista
substitui o rosto da Monalisa pela silhueta de uma cabeça cujos traços se
baseiam no formato do perfil de seu pai, e também numa obra como Baconato
(2013), onde o artista desenvolve uma série (inédita) sobre obras de Francis
Bacon, fundindo os trabalhos dos dois, e revelando o percurso da mistura.
Em
toda obra pictórica de Granato domina a força da gestualidade, a presença
intensa do corpo do artista na obra. O gesto aqui opera como evidência do
potente ato criativo, cujo movimento e energia preservam-se presentes na obra
acabada, atualizando constantemente o processo gerativo que é a própria
pintura. Mais do que isso, está surge sempre como acontecimento, sinal
paradoxal da criação que permanece inédita mesmo após a consolidação do seu
próprio ato.
Sobre a galeria
A
DAN Galeria foi fundada em 1972, em São Paulo, por Gláucia e Peter Cohn. Nos
primeiros anos de atividade, a galeria concentrou-se na arte moderna
brasileira, apresentando obras de importantes artistas do movimento modernista
de 1920, tais como Di Cavalcanti, Antonio Gomide, Ismael Nery, Tarsila do
Amaral entre outros. Ainda nos primeiros anos de funcionamento, artistas como
Alfredo Volpi, Cícero Dias, Antonio Bandeira e Yolanda Mohalyi foram
incorporados ao grupo representado pela galeria que, ao longo das últimas
décadas, expandiu-se também para a produção internacional e para a arte
contemporânea.
O
departamento de arte contemporânea foi criado em 1985 por Flávio Cohn, filho do
casal fundador. Posteriormente, seu irmão Ulisses Cohn também se associou ao
quadro de direção da Dan. Juntando pesquisa histórica e sintonia com o mercado
internacional, nos últimos vinte anos a galeria exibiu obras de Lygia Clark,
Lothar Charoux, Luiz Sacilotto, Gonçalo Ivo, Ascânio MMM, Macaparana, Sérgio
Fingermann e artistas internacionais como Sol LeWitt, Antoni Tapies, Jesus
Soto, Cesar Paternosto, Eduardo Stupía, Adolfo Estrada, Knopp Ferro, Ian
Davenport, Max Bill, Joseph Albers, além dos britânicos Tony Cragg, Kenneth
Martin e Mary Martin.
A
DAN Galeria incluiu mais recentemente em sua seleção, importantes artistas
concretos: Francisco Sobrino, François Morellet e Getúlio Alviani; bem como os
artistas geométricos abstratos históricos: Sandu Darié, Salvador Corratgé,
Wilfredo Arcay e Dolores Soldevilla, só para mencionar alguns dos cubanos do
grupo Los Once (The Eleven). O fotógrafo brasileiro Cristiano Mascaro; os
artistas José Spaniol e Teodoro Dias (Brasil); os internacionais, Tony Cragg
(G. Bretanha), Lab [AU] (Bélgica) e Jong Oh (Coréia), se juntaram ao
departamento de Arte Contemporânea da galeria.
A DAN Galeria sempre teve por propósito destacar artistas e movimentos brasileiros desde o início da década de 1920 até hoje. Ao mesmo tempo, mantém uma relação próxima com artistas internacionais, uma vez que os movimentos artísticos historicamente se entrelaçam e dialogam entre si sem fronteiras.
Serviço
Máscaras, Ivald Granato – Quem é você?
Curadoria: Maria Alice Milliet
Endereço: DAN Galeria – Rua Estados Unidos, 1638 – São Paulo
Abertura: 28 de março
Período expositivo: 28 de março a 27 de junho
Horário: das 10h às 19h, de segunda a sexta; das 10h às 13h, aos
sábados
Entrada
gratuita
Classificação: livre
Mais informações: dangaleria.com.br
Créditos: Edgard França | Cor Comunicação
* Este conteúdo
foi enviado pela assessoria de imprensa

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