CCBB BH recebe primeira grande exposição sobre memes - 28/03 a 22/06 *
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| Foto meramente ilustrativa. |
Reunindo mais de 800 criações de 200 produtores de conteúdo e artistas, a mostra investiga os memes como forma de linguagem, crítica, afeto coletivo e produção estética. De virais históricos como o "Sanduíche-íche" à profusão das carretas e trenzinhos da alegria, a exposição mergulha na cultura digital brasileira e na potência do humor. A exposição chega à capital mineira depois de temporadas de sucesso em São Paulo e Brasília.
Belo Horizonte, março de 2026 – O Brasil é um dos
maiores produtores e consumidores de memes do mundo, e agora também será o
primeiro país a receber uma grande exposição dedicada a esse fenômeno. Com
estreia marcada para 28 de março de 2026 no Centro Cultural Banco do Brasil
Belo Horizonte (CCBB BH), a mostra “MEME: no Br@sil da memeficação”, que poderá
ser conferida até 22 de junho, reúne cultura digital, arte
contemporânea e crítica social, ao apresentar cerca de 800
itens produzidos por 200 criadores do universo digital
e artistas. Depois de BH, a exposição segue para o Rio de
Janeiro até novembro de 2026.
Com curadoria de Clarissa
Diniz e Ismael Monticelli, e colaboração do perfil de Instagram
@newmemeseum, a mostra convida o público a explorar a memeficação como um dos
modos mais potentes – e irônicos – de narrar o Brasil contemporâneo.
“Memes não são só piadas. Eles são ferramentas
políticas, culturais e afetivas. São como o Brasil elabora, disputa e contorna
suas diferenças – sociais, raciais, de gênero, estéticas – em tempo real”,
afirma Clarissa Diniz. “A exposição parte do humor para provocar: como estamos
refazendo o país através de suas imagens mais debochadas?”.
“É impossível compreender o Brasil de hoje sem
entender seus memes”, diz Ismael Monticelli. “Eles não apenas refletem a
realidade, mas atuam sobre ela: produzem memória, disputam narrativa, geram
pertencimento. Enquanto fazemos memes, os memes refazem o Brasil”.
A proposta curatorial rompe fronteiras entre o que é visto como “alta” e “baixa” cultura, reunindo nomes consagrados da arte contemporânea brasileira, como Anna Maria Maiolino, Gretta Sarfaty, Nelson Leirner e Claudio Tozzi, ao lado de criadores de conteúdo como Blogueirinha, Porta dos Fundos, Alessandra Araújo, Melted Vídeos, John Drops e Greengo Dictionary.
O
meme antes do meme
Organizada em cinco núcleos temáticos – Ao pé da
letra, A hora dos amadores, Da versão à inversão, O eu
proliferado e Combater ficção com ficção – tendo como prólogo um
espaço tátil intitulado Alisa meu pelo e epílogo Memes: o que
são? Onde vivem? Do que se alimentam?, a mostra ocupa o pátio e o
3º andar do CCBB BH e possui cenografia imersiva e uma ampla diversidade de
linguagens: vídeos, neons, esculturas, roupas, quadrinhos, pinturas,
objetos, backlights,
instalações sonoras e experiências interativas.
“A exposição não tem a ambição de ser um inventário
do humor nacional, mas investigar os memes como uma linguagem viva, que transborda
a internet e afeta diretamente nossas formas de pensar, sentir e agir”, afirma
Ismael Monticelli. “Eles são dispositivos de memória, de disputa e de
pertencimento, que operam em altíssima velocidade e atravessam todas as camadas
da vida social”.
“Queremos provocar o público a pensar: será que essa
vocação memética do Brasil começou mesmo com os memes digitais?”, questiona
Clarissa Diniz. “Ou será que ela já se anunciava no carnaval, nos bordões da
TV, nas pichações e nos outdoors? O que acontece quando política, publicidade e
arte se dobram aos formatos da zoeira?”.
Ao receber este projeto, o Centro Cultural Banco do Brasil reafirma seu papel como um espaço vivo de diálogo com as linguagens contemporâneas, valorizando a potência crítica, afetiva e estética que surge tanto das redes quanto das ruas. A mostra também reforça o compromisso do CCBB com a valorização da cultura brasileira em toda a sua diversidade, incluindo as expressões que nascem, se desenvolvem e se reinventam no ambiente digital.
Percurso
da mostra
Prólogo
- Alisa Meu Pelo | Pátio do CCBB BH
O meme “Alisa meu pelo”, surgido em 2017 a partir da
onça-pintada da nota de R$50, acompanhada da legenda “alisa meu pelo (onça
carente)”, viralizou ao ressignificar a onça não como ícone de virilidade, mas
como símbolo afetivo, carente e próximo. Ao se difundir, o meme passou a
comentar o próprio Brasil de forma leve e zombeteira, ativando uma produção
simbólica popular e participativa. Na exposição, onças em diferentes materiais
convidam o público ao toque e à interação, ampliando esse gesto coletivo de
humor e reflexão. Participaram da criação das onças os artistas José Francisco
Afrânio, Jorge Gomes e Vinicius Vaitsmann.
Núcleo
1 - Ao pé da letra | 3º andar do CCBB BH
No primeiro núcleo da exposição, o foco recai sobre
os jogos semânticos e os descompassos entre texto e imagem que tornam os memes
tão eficazes em gerar riso, crítica e estranhamento. Em vez de explicarem um ao
outro, palavras e figuras se combinam para formar sentidos inesperados – ou se
colam literalmente, desnaturalizando expressões e convenções sociais. Abordando
práticas como o uso de emojis, narrações e dublagens cômicas, além de línguas
digitais como o tiopês, o pajubá e estruturas como o snowclone,
o núcleo revela como essas invenções linguísticas produzem deslocamentos de
sentido e potência crítica.
Alguns criadores presentes no núcleo são: Amanda Magalhães (@amandzmagalhaes), Daniel Santiago, Frimes (@frimes), Greengo Dictionary (@greengodictionary), Guto TV (@gutotvreal), Leandra Espírito Santo, Melted Vídeos (@meltedvideos), Nelson Leirner, Pamella Anderson, Panos Subversivos (@panossubversivos), Rafael Portugal (@rafaelportugal), Raquel Real (@raquelrealoficial), Roxinha e Ruth Lemos.
Núcleo
2 - A hora dos amadores | 3º andar do CCBB BH
Inspirado pela célebre capa da revista Time de
2006, que elegeu "você" como a personalidade do ano, este núcleo
aborda a virada provocada pela internet e pelas redes sociais, que deram
visibilidade inédita às “pessoas comuns”. Os memes, nesse contexto, aparecem
como uma tecnologia social de protagonismo, permitindo que vozes antes apagadas
ou silenciadas ocupem o centro da cena cultural. Em países como o Brasil,
marcados por fortes desigualdades, os memes se tornaram um território fértil
para narrativas insurgentes: do humor que revela a precariedade cotidiana à
crítica social feita com poucos recursos e muita sagacidade. Este núcleo
celebra essa potência do amadorismo como desvio criativo e força política.
Alguns criadores presentes no núcleo são: Alessandra Araújo (@alessandraraujooficial), Valdisnei (Lourival Cuquinha e Daniela Brilhante), Malfeitona (@malfeitona), O Brasil Que Deu Certo (@obrasilquedeucerto) e Raphael Vicente (@raphaelvicente).
Núcleo
3 - Da versão à inversão | 3º andar do CCBB BH
Se a imitação é uma das bases da linguagem memética,
aqui ela é entendida como gesto crítico e criativo. Este núcleo mostra como
memes transformam cópias em versões que subvertem e desmontam o original,
produzindo humor, paródia e comentário social. A exposição apresenta desde
pequenas alterações – como trocar uma palavra ou fazer um recorte específico de
imagem – até inversões radicais: mulheres imitando homens, humanos dublando
animais, estéticas que embaralham as fronteiras entre identidade e
representação. Como no carnaval, o riso vem da inversão – e nela, uma crítica
se insinua.
Alguns criadores presentes no núcleo são: A Vida de Tina (@avidadetina), Alexandre Mury, Festa da Firma (@festadafirma), John Drops (@johndrops), Juvi Chagas (@ajuvichagas), Lara Santana (@larasantana), Malhassaum (@malhassaum), Porta dos Fundos (@portadosfundos), Renata Felinto e Victor Arruda.
Núcleo
4 - O eu proliferado | 3º andar do CCBB BH
Neste núcleo, a curadoria volta-se à explosão do
“eu” nas redes sociais e à forma como a vida privada se tornou espetáculo. A
internet deixou de ser apenas um espaço de compartilhamento para se tornar um
palco de autoperformance. A construção de si – por meio de selfies, dancinhas,
relatos, confissões e personagens – tornou-se prática cotidiana, revelando
tanto o desejo de existir publicamente quanto os efeitos dessa hiperexposição.
O núcleo aborda a dramaturgia do “eu” como potência e armadilha. Se, por um
lado, possibilita a afirmação de identidades historicamente apagadas, por
outro, evidencia o impacto subjetivo da lógica neoliberal, que transforma
autoestima em mercadoria e precariza o bem-estar mental.
Alguns criadores presentes no núcleo são: Blogueirinha (@blogueirinha), Coach de Fracassos (@coachdefracassos), Frases Pra Você (@frasespravoce), Galinhas Inseguras (@galinhasinseguras), Gretta Sarfaty, Jacira Doce (@jaciradoce), Lenora de Barros, Nathalia Cruz (@nathaliapontocruz), Panmela Castro, Pedro Vinicio (@pedrovinicio80), Regina Vater, Telma Saraiva, Valentina Bandeira (@valentinabandeira) e Valeska Soares.
Núcleo
5 - Combater ficção com ficção | 3º andar do CCBB BH
A polarização política e a radicalização do discurso
público são temas centrais deste núcleo, que examina o papel dos memes na
disputa simbólica do presente. Ao mesmo tempo em que são ferramentas de
enfrentamento, síntese e resistência, os memes podem também ser veículos de
desinformação, exclusão e violência simbólica. A curadoria propõe aqui uma
reflexão sobre os usos éticos do riso, compreendendo o humor como forma
sofisticada de diplomacia, mas também como instrumento perigoso nas mãos do
autoritarismo. Entre memecracia e memecrítica, este núcleo convida a pensar:
como rir sem reforçar os estigmas que queremos combater?
Alguns criadores presentes no núcleo são: Augusto de Campos, Claudio Tozzi, Dolangue News (@dolangue.news), História no Paint (@historianopaint), Juju dos Teclados (@jujudosteclados), Marcelo Tas (@marcelotas), O Pasquim, Paulo Gustavo, Porta dos Fundos (@portadosfundos), Regina Silveira, Saquinho de Lixo (@saquinhodelixo) e Sensacionalista (@sensacionalista).
Epílogo
- Memes: o que são? Onde vivem? Do que se alimentam? | 3º andar do CCBB BH
Encerrando o percurso, o epílogo da exposição abraça
a impossibilidade de definir os memes de maneira definitiva. Ao invés de uma
resposta fixa, a curadoria propõe uma provocação coletiva: como cada pessoa
compreende o que é um meme? O que eles significam hoje? O epílogo contou com a
colaboração da equipe do #MUSEUdeMEMES da Universidade Federal Fluminense,
coordenada por Viktor Chagas, maior estudioso de memes no Brasil, e apresenta
10 entrevistas com criadores brasileiros, como Gregório Duvivier e Malfeitona,
que responderam, em vídeo, essa indagação existencial com liberdade e afeto.
Aqui, o meme é entendido como forma fluida, mutante e bastarda – que habita os
interstícios da linguagem, circula entre mídias e revela, no improviso, a
imaginação crítica do nosso tempo.
"MEME: no Br@sil da memeficação" é uma produção da Patuá Produções, com patrocínio do Banco do Brasi e da BB Asset. Depois de Belo Horizonte, a exposição será apresentada no Rio de Janeiro (agosto a novembro de 2026).
Sobre
os curadores
Clarissa
Diniz é curadora, escritora e professora em arte com 20 anos de
carreira. Professora da Escola de Belas Artes da UFRJ. Foi uma das primeiras
curadoras brasileiras a incluir memes em exposições. Realizou curadorias em
importantes instituições como no Museu de Arte do Rio, na Pinacoteca de São
Paulo e no Museu de Artes de São Paulo – MASP. Ao longo de sua carreira, já
realizou curadorias de exposições como: Contrapensamento selvagem (cocuradoria com Cayo
Honorato, Orlando Maneschy e Paulo Herkenhoff. Instituto Itaú Cultural,
SP); O
abrigo e o terreno (cocuradoria com Paulo Herkenhoff. Museu de
Arte do Rio – MAR, 2013); Ambiguações (Centro Cultural Banco do Brasil, Rio
de Janeiro, 2013); Todo mundo é, exceto quem não é – 13ª Bienal Naifs do Brasil (SESC
Piracicaba, 2016 e Sesc Belezinho,2017); Dja Guata Porã –
Rio de Janeiro Indígena (cocuradoria com Sandra Benites, Pablo Lafuente e
José Ribamar Bessa. MAR, 2017); Rio do samba: resistência e reinvenção (cocuradoria
com Evandro Salles, Marcelo Campos e Nei Lopes. MAR, 2018); À Nordeste (cocuradoria
com Bitu Cassundé e Marcelo Campos. Sesc 24 de Maio, São Paulo, 2019); Raio-que-o-parta:
ficções do moderno no Brasil (cocuradoria com Raphael Fonseca,
Fernanda Pitta, Aldrin Figueiredo, Marcelo Campos, Divino Sobral e Paula Ramos.
Sesc 24 de Maio, 2022) e Histórias Brasileiras (cocuradoria com Adriano
Pedrosa, Lilia Schwarcz, Sandra Benites, Isabella Rjeille, Amanda Carneiro,
André Mesquita, Guilherme Guifrida, Glacea Britto, dentre outros, MASP, 2022).
Entre 2006 e 2015, foi editora da revista Tatuí, principal
revista de crítica de arte brasileira, de viés experimental. Publicou inúmeros
catálogos e livros.
Ismael Monticelli é artista multimídia. Sua pesquisa de doutorado, concluída em 2022, enfocou a relação entre arte, internet e redes sociais. Foi contemplado pelo programa Retomada Artes Visuais (2023) da Fundação Nacional de Artes – Funarte. Recebeu o 7º Prêmio Indústria Nacional Marcantonio Vilaça (2019), o mais importante prêmio para artistas em atuação no Brasil. Também foi um dos três artistas selecionados para a Bolsa ProHelvetia de Residência para Artistas Sul-Americanos, realizada na La Becque Résidence d’Artistes, La Tour-de-Peilz, Suíça (2019). Realizou residência no Institute of Contemporary Arts de Singapura, desenvolvendo um trabalho com parte da coleção da instituição. Participou da 14ª e da 10ª Bienal do Mercosul (2025 e 2015). Entre 2022 e 2023, seu trabalho foi destacado pelo The Guardian, pela Apollo Magazine e pela Ocula Magazine, durante sua participação na exposição Horror in the Modernist Block (curadoria de Melanie Pocock, Ikon Gallery, Birmingham, Reino Unido). Realizou diversas exposições individuais, como O Teatro do Terror (Casa França-Brasil, Rio de Janeiro, 2025; Museu Nacional da República, Brasília, 2024); e O que sobrenada, sobrenada no caos (curadoria de Clarissa Diniz, Portas Vilaseca Galeria, Rio de Janeiro, 2022). Participou de diversas exposições coletivas no Brasil e em países como Reino Unido, Estados Unidos, Suíça e Singapura. Possui Doutorado em Arte e Cultura Contemporânea – Arte, Imagem e Escrita (UERJ, 2022), Mestrado em Artes Visuais – Processos de Criação e Poéticas do Cotidiano (UFPel, 2014) e Bacharelado em Artes Visuais (UFRGS, 2010).
Colaboração
| Perfil de instagram New Memeseum
O @newmemeseum foi criado no final de julho de
2020 e conta com quase meio milhão de seguidores. Uma das principais motivações
de sua criação foi o desejo de refletir, com humor e ironia, sobre os
mecanismos adotados para sobreviver no/ao mundo da arte e, também, sobre os
mecanismos que o mundo da arte nos impinge. O perfil realizou a ocupação
virtual Combater
ficção com ficção no projeto ofício:web do
Sesc Pompéia, São Paulo, que ficou em cartaz de julho a agosto de 2021.
Participou da terceira edição do programa Pivô Satélite, São Paulo,
intitulada Sexo,
Mentiras e Videotape, com curadoria de Raphael Fonseca, com a
proposta Panorama
Botijão da Arte Brasileira. Além disso, o trabalho do perfil já foi
destacado pelos Jornais Folha de São Paulo e O Globo.
Circuito
Liberdade
O CCBB BH é integrante do Circuito Liberdade,
complexo cultural sob gestão da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo
(Secult), que reúne diversos espaços com as mais variadas formas de
manifestação de arte e cultura em transversalidade com o turismo. Trabalhando
em rede, as atividades dos equipamentos parceiros ao Circuito buscam
desenvolvimento humano, cultural, turístico, social e econômico, com foco na
economia criativa como mecanismo de geração de emprego e renda, além da
democratização e ampliação do acesso da população às atividades propostas.
Serviço
Exposição "MEME: no Br@sil da
memeficação”
Período: 28 de março a 22 de junho de 2026
Horário: De quarta a segunda, das 10h às 22h
Local: Pátio e Galerias do 3º Andar – Centro
Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte (CCBB BH)
Endereço: Praça da Liberdade, 450 – Funcionários,
Belo Horizonte – MG
Ingressos: Gratuitos, disponíveis no site ccbb.com.br/bh e na bilheteria do CCBB BH
Classificação indicativa: Livre
Créditos: Fábio Gomides | A Dupla Informação
* Este conteúdo
foi enviado pela assessoria de imprensa

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