Velhas Virgens: 15 anos de “Carnavelhas 2”
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| A capa de "Carnavelhas 2", das Velhas Virgens, autografada pela vocalista da época, Juliana Kosso. |
Já que hoje começa o feriado prolongado de Carnaval, bora destacar os 15 anos de “Carnavelhas 2: Do Love Story Até a Av. São João”, das Velhas Virgens. Lançado em janeiro de 2011, a obra reúne 15 faixas e mais uma introdução de músicas que misturam influências de antigas marchinhas de Carnaval com rock. Além dos temas que sempre fizeram parte da história da banda (bebedeira, mulher e farra). O álbum faz uma homenagem à cidade de São Paulo e ao centenário do saudoso João Rubinato, mais conhecido como Adoniram Barbosa. A produção ficou por conta de um velho aliado da banda, Paulo Anhaia.
Além
disso, “Carnavelhas 2” contou com uma
respeitada lista de convidados especiais: o língua de trapo Laert Sarrumor; do
ex-apresentador do saudoso “Bem Brasil”, Wandi Doratiotto (“palcoooo!”), e de
representantes de três das quatro principais bandas do rock paulista (é claro,
que as Velhas Virgens integra o quarteto): Nasi (do Ira!), Roger Rocha Moreira
(do Ultraje a Rigor) e o ex-titã Paulo Miklos; a antecessora da (agora
ex-vocalista) Juliana Kosso nos vocais da banda, Lili Katsue, entre outros,
incluindo uma “participação póstuma” de Adoniram Barbosa na faixa “Um Chopps e Dois Pastel”.
O disco abre
com uma introdução em que Laert Sarrumor faz a locução de apresentação da
banda, com uma música de Vicente Celestino ao fundo; em seguida, surge “Marcha do Diabo”, em que o protagonista
diz que só falta uma peça de sua fantasia para sair no Carnaval caracterizado
como “tinhoso”; em “Um Chopps e Dois
Pastel”, Paulão encontra ícones da cultura popular pelas ruas da metrópole
em situações do cotidiano do paulistano; a quarta faixa, “Praia de Paulista”, o vocalista não se deixa abater pelo fato de
São Paulo não ter mar, e que isso não serve de empecilho para se divertir por
aqui, o bar é a “praia” do paulistano. Além disso, o boteco tem duas vantagens
fundamentais em relação a praia: a distância para a “feijuca” é menor e você
não fica com dores por se queimar no sol; em seguida, “São Paulo Meu Amor, Minha Menina” é uma declaração de amor de
Paulão com a cidade, que é destacada por acolher diversas pessoas das mais
variadas etnias; em “DNA de Malandro”,
a sexta canção, aborda como o malandro paulistano se vira andando pelas ruas da
terra da garoa, Nasi faz participação especial nesta; e mais uma vez Laert
Sarrumor contribui em uma faixa do álbum, “Nos
Bares da Vila Madalena”, cuja letra trata de um sujeito que está
procurando, no boêmio bairro da Zona Oeste, dar suas investidas em mulheres
“não-diplomadas” após passar por experiências não bem-sucedidas com as que
possuem o ensino superior; e a metade de “Carnavelhas
2” chega com “Feijuca na Madruga”
em que o personagem, após curtir a noite pela cidade, ainda pode comer a
popular feijoada em plena cinco da matina, lá na tradicional “Feijoada do
Estadão”, e, assim como na primeira versão de Carnavelhas, o Corinthians é
lembrado pelo vocalista aqui.
A nona música do CD, “SP Pornô”,
é abordada sobre pontos da Paulicéia que tem características que lembram
movimentos e posições de duplo sentido, tipo “cheirando a bacalhau a noite
inteira… é o Mercado Municipal”; outro que também misturou rock com marchinha
de Carnaval, Roger Rocha Moreira, do Ultraje a Rigor e um dos autores de “Marylou”, faz participação especial em
“Em Tese”, cujo tema trata, em sua
essência, que as aulas só começam depois do Carnaval, além disso, Paulão brinda
os universitários na letra. A introdução da música conta com a citação do
refrão de “Eu Gosto de Mulher”, do
Ultraje. Esta é a segunda participação de Roger em trabalho das Velhas Virgens,
a primeira vez foi na música “A Mulher
do Diabo”, do álbum “Vocês Não Sabem
Como É Bom Aqui Dentro”, de 1995; já “Adão
e Eva”, a décima primeira faixa, é a única que não tem Paulão como autor ou
co-autor – Cavalo é quem a assina – retrata o caso em que o interlocutor é
enganado pela mulher, que lhe diz que iria visitar a mãe no hospital e foi vista
fantasiada desfilando em escola de samba, porém, a vingança veio à mesma
altura, ele também se fantasia e desfila, contudo, não é bem em uma escola de
samba, era em outro evento, o ex-titã Paulo Miklos participa da faixa; enquanto
isso, em “Taca Silicone na Japa”, a
ex-vocalista das Velhas Virgens, Lili, dá o ar de sua graça em que a mesma,
segundo a música, quer ter a bunda igual à da Juliana Paes e recorre ao
silicone; a 13ª música, “A Nêga”, o
personagem do enredo enfrenta a fúria de sua amada, mesmo que tenha ido apenas
cantar um samba com os amigos (será que ela estava com TPM?); o assumido bebum
corinthiano dá uma de roteirista gastronômico (e etílico) em “Turnê do Chopp” para nenhum guia da
Folha ou do Estadão botar defeito: sua letra apresenta bares, botecos, padarias
e afins de onde há os melhores petiscos e gorós, na concepção do especialista
no assunto; já em “Eu Nasci Aqui”
relembra parte da vida de um paulistano saudosista que passou a infância e
adolescência nas ruas da Zona Norte; e para fechar com “chave de ouro”, “Hino do Terra Nova”, uma homenagem ao
boteco localizado na mesma Zona Norte que, segundo Paulão na época, era o “QG
das Velhas Virgens”, e lá consta os diversos tipos de bebidas alcoólicas (“não,
de leite, Pedro Bó!”, como diria o lendário personagem Pantaleão do mestre
Chico Anysio).
Com
“Carnavelhas 2”, a banda provou mais
uma vez que é possível aproveitar que o roqueiro (sem frescura) curta Carnaval
sem necessariamente ouvir axé ou coisas do tipo. Tem gente que ainda “torce o
nariz” para este projeto das Velhas, mas em relação a isso, Paulão de Carvalho
e Cia. estão “tomando Activia com Johnnie Walker” para os críticos.
A
seguir a ficha técnica e o tracklist da obra.
Coro: Cavalo,
Chapo_cp, Fabinho Haddad, Juliana, Luana Moreno, Paulão, Paulo Anhaia e Roy
Por Jorge Almeida

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