Trio campineiro, Retrato Brasileiro, lança Divertimento, álbum em homenagem à obra do pianista Marcelo Onofri *
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| Foto meramente ilustrativa. |
Em formação inédita para os integrantes, as composições e arranjos foram feitas para o álbum no vibrafone, guitarra, baixo e piano
Álbum embargado até 26/02 em sigilo
A primeira impressão ao ouvir “Divertimento” é a de
estar escutando um álbum de histórias sendo contadas com personagens,
paisagens, cores e sentimentos através da sonoridade criada por Marcelo Onofri
e construída em uma formação totalmente inédita com o trio Gabriel Peregrino,
Guilherme Saka e Théo Fraga do Retrato Brasileiro. Professor do curso de Artes
Cênicas da Unicamp, Marcelo mostra em sua música sua característica marcante de
compor através de imagens e cenas, de forma divertida e criativa. O álbum
é a realização de um desejo antigo do trio que se formou em 2015 através do
curso de Música também da Unicamp, e segue criando e lançando sons há mais de
10 anos. É uma homenagem ao professor e amigo cujas obras convergem em uma
criação que traz composições do período em que Marcelo viveu em Viena
(Áustria), referências barrocas e contrapontísticas, influências brasileiras,
coros e poesia em 13 faixas arranjadas para este álbum, sendo três delas
completamente inéditas. Divertimento reflete momentos de
ensaio e de criação entre os quatro músicos, em um processo livre, autêntico,
repleto de pesquisa e técnica. O projeto foi viabilizado através do ProAc e já
está em todas as plataformas de áudio. Escute
aqui.
Composto por Gabriel Peregrino (vibrafone),
Guilherme Saka (guitarra) e Théo Fraga (contrabaixo), o Retrato Brasileiro
propõe, ao lado de Onofri (piano), uma sonoridade pouco convencional dentro da
música instrumental brasileira, sem bateria e com forte diálogo entre timbres,
contrapontos e narrativas. “Apesar de a maioria das obras já terem sido
gravadas em algum momento da carreira do Marcelo, ele nunca havia trabalhado
com essa formação. A guitarra elétrica e o vibrafone trouxeram uma nova cor
para músicas que ele já havia gravado em outros contextos, fomos desenvolvendo
juntos os arranjos e sentindo quais peças encaixavam melhor no conjunto que
queríamos construir”, explica o trio.
Embora a maioria das faixas já existisse no
repertório do compositor, Divertimento apresenta uma exceção
importante: “Amoraefrans”, única composição totalmente inédita do disco,
escrita por Onofri durante os próprios ensaios de gravação. A música, dedicada
aos sobrinhos do compositor nascidos durante a pandemia do Covid-19, foi
construída coletivamente, em um processo artesanal. “Foi muito interessante,
porque pudemos acompanhar de perto o modo como o Marcelo compõe, com a gente
participando ativamente, quase como um laboratório. Em alguns momentos, a gente
parava de tocar e ele continuava ao piano, improvisando ou já compondo algo
novo, como se aquilo já estivesse escrito há muito tempo”, relembra Gabriel.
Outro destaque é “Kabrum”, faixa que incorpora uma
poesia do próprio Onofri, originalmente publicada em seu álbum Temporâneo (2008).
No novo disco, o poema surge recitado, criando um raro momento de palavra
dentro de um trabalho majoritariamente instrumental. A peça funciona como um
mantra introspectivo, inspirado em dias de chuva e recolhimento.
A dimensão narrativa das composições é um dos
elementos centrais do álbum. Fortemente influenciado pela música erudita e
pelas artes cênicas, Marcelo Onofri concebe suas obras como personagens em
movimento. “Ele pensa as melodias como se fossem cenas: diálogos, caminhadas,
encontros. Muitas faixas parecem trilhas de filmes que não existem”, explica o
grupo.
Essa característica aparece de forma evidente em
faixas como “Lancelot’s Adventures”, que atravessa diferentes atmosferas
sonoras, e “No Velho Texas”, peça emblemática do encontro entre o trio e
Onofri, tocada pela primeira vez por todos eles em 2019, no recital de
formatura de Gabriel Peregrino na Unicamp, momento considerado o ponto de
partida simbólico do projeto.
Musicalmente, as obras de Onofri foram compostas a
partir de uma fusão entre referências da música de concerto (Bach, Ravel), da
música brasileira (Tom Jobim, Gilberto Gil) e da tradição latino-americana,
como em “Tragitango”, homenagem a Astor Piazzolla, compositor do novo tango
argentino, um músico consagrado mundialmente e referência fundamental para quem
estuda música instrumental. O resultado é um álbum que transita entre o popular
e o erudito, com forte senso de desenvolvimento temático e liberdade formal.
“Tragitango é uma das minhas músicas preferidas do repertório. Dá pra perceber
o quanto o Marcelo estuda a fundo os compositores que o influenciam: ele
consegue criar uma homenagem que carrega claramente a linguagem do Piazzolla, o
jeito dele de escrever, mas sem perder a própria identidade. Você escuta e
pensa: ‘tem a cara do Piazzolla, mas também tem a cara do Marcelo’”, comenta
Gabriel.
O título Divertimento sintetiza
tanto a estética musical quanto o processo de criação do disco. Além de remeter
à ideia de peças camerísticas, o nome traduz o clima de troca, experimentação e
prazer coletivo que marcou os ensaios e gravações. “É um disco muito
energético, diverso e divertido de ouvir. Uma homenagem que também é um
encontro de amizades”, define o trio.
A arte da capa é assinada pela ilustradora Malu
Bragante, convidada por Marcelo Onofri. A artista acompanhou ensaios do grupo e
desenvolveu uma ilustração inspirada nos músicos e em seus instrumentos,
evitando a fotografia tradicional e apostando em um retrato lúdico e sensível,
também artesanal como a construção do álbum, que dialoga diretamente com o
espírito do projeto.
Divertimento também marca um momento especial na trajetória do Retrato Brasileiro, que completou dez anos de carreira em 2025. Ao longo dessa década, o trio realizou turnês internacionais, participou de festivais no Brasil e no exterior e consolidou uma linguagem própria, situada entre a música popular e a música de concerto. O novo álbum simboliza a maturidade artística do grupo e seu encontro com um dos compositores mais singulares da música instrumental brasileira contemporânea.
Ficha Técnica
Álbum: Divertimento
Artistas: Retrato Brasileiro e Marcelo Onofri
Formação:
· Guilherme Saka – guitarra
· Théo Fraga – contrabaixo
· Marcelo Onofri – piano
Capa: Malu
Bragante
Créditos: Stella Sanches | Fala Com a Stella
* Este conteúdo
foi enviado pela assessoria de imprensa

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