Rainbow: 40 anos de “Finyl Vinyl”
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| "Finyl Vinyl" , o "póstumo" do Rainbow, completa 40 anos de lançamento em 2026. |
Nesta terça-feira, 24 de fevereiro, o álbum “Finyl Vinyl”, do Rainbow, completa 40 anos de lançamento. O disco foi produzido por Roger Glover e Ritchie Blackmore e lançado pela Polydor e pela Mercury (nos Estados Unidos). O material contém registro de faixas ao vivo da banda tocada entre 1978 e 1984, além de três músicas de estúdio que, originalmente, foram lançadas como “B-sides” de compactos.
Bom, na verdade, “Finyl Vinyl” é um disco “póstumo”, uma vez que, quando fora lançado, Ritchie Blackmore havia encerrado o Rainbow por conta da volta do Deep Purple, em 1984. Além disso, não é bem um disco ao vivo “por completo”, pois, seria uma espécie de “best of” de faixas de alguns shows do grupo, afinal, durante esse espaço de seis anos em que as músicas foram gravadas, o Rainbow passou por várias formações, sendo que o único que foi mantido, é claro, foi Ritchie Blackmore.
No entanto, o álbum teve vendas modestas na
época de seu lançamento e, se analisarmos os motivos, um deles provavelmente é
a pouca quantidade de músicas da fase Dio, que é a melhor do grupo. Pois,
Ronnie James Dio aparece apenas em duas faixas, assim como Graham Bonnet,
enquanto o restante do álbum é “dominado” pelas músicas cantadas por Joe Lynn
Turner, ou seja, a fase mais comercial da banda de “Ricardinho Pretomais”.
Antes de falarmos do tracklist, algumas
curiosidades sobre esse “live”: a foto da capa, que apresenta Blackmore
sentado, sozinho, próximo do palco depois de um show, foi registrada por Hoss
Halfin, no Deutschlandhelle, em Berlim, em novembro de 1982 e a pessoa que
aparece ao fundo correndo em direção ao palco é o tecladista do Rainbow na época,
Don Airey (atualmente no Deep Purple).
No LP, que saiu em vinil duplo, não aparece a
faixa “Street Of Dreams“, que aparece na versão em fita
cassete antes de “Jealous Lover”, assim como na versão em CD duplo. As notas do
LP creditam que a bateria de “Weiss Heim” foi
tocada por Bobby Rondinelli, mas, na verdade, a performance foi feita por Cozy
Powell. Além disso, outra informação errônea no material se refere ao local e a
data que a música “Can’t Happen Here” foi tocada.
Na verdade, a música foi gravada em um show realizado no The Orpheum
Theatre, em Boston, Massachussets, em 7 de maio de 1981.
Em relação ao repertório do álbum, Turner
domina a primeira parte, pois ele canta nove das 13 faixas (sem considerar os
temas instrumentais, é óbvio). Então, a fase mais comercial do Rainbow
prevalece e clássicos como “I Surrender”, “Miss Mistreated”, “Can’t Happen Here”,
“Stone Cold” e “Power”, por exemplo,
embora as interpretações dessas músicas careciam de produção, em contrapartida,
era compensada pela poderosa sonoridade do grupo ao vivo e, sem desmerecer, mas
as seis primeiras músicas praticamente são recriações fiéis às originais
gravadas em estúdio. Outra boa pedida da obra é “Tearin’ Out My Heart”,
uma balada Blues que merece destaque por conta do magnífico solo carregado de
Blackmore. Enquanto as faixas de estúdio presentes – “Jealous Lover” foi lançada como lado B do single de “Can’t Happen Here” (1981); enquanto “Bad Girl” no lado B de “Since You Been Gone”
(1979) e a instrumental “Weiss Heim“, de “All Night Long” (1980).
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Da fase de Graham Bonnet, ao vivo, só mesmo o
maior hit do Rainbow, pelo menos em termos de paradas de sucesso, “Since You Been Gone”, cover de Russ Ballard (do
Argent), além da citada “Bad Girl”. O
vocalista parece ter dado uma “escorregada” no começo antes de chegar no
refrão, mas que não chega a comprometer a performance da música.
Outro bom momento do disco é a versão longa,
com mais de 11 minutos, de “Difficult To Cure”,
que foi vagamente baseada na “9ª Sinfonia” de Beethoven
mostra todo o exibicionismo de Ritchie Blackmore, mas o destaque aqui fica por
conta do tecladista David Rosenthal, que fez os arranjos da clássica música de
Beethoven de fundo enquanto o guitarrista exibia todo o seu virtuosismo.
Infelizmente, Ronnie James Dio foi injustiçado
em “Finyl Vinyl”, pois, a obra contém apenas dois temas de
sua fase na banda: “Man On The Silver Mountain” (que
teve ‘overdubs’ de guitarra) e “Long Live Rock ‘N’ Roll”.
Em ambas, o vocal do saudoso baixinho é matador e a guitarra de Blackmore é
revigorante. Ambas são mais longas que as originais, parte disso se deve a uma
grande improvisação e um interlúdio de Blues na primeira, enquanto a segunda é
marcada pela sessão de palmas do público e a interação de Dio com o público.
Enquanto “Weiss Heim” é um bom
tema instrumental em que a guitarra melancólica de Ritchie é apoiada por um
piano atmosférico.
Embora não seja o melhor disco ao vivo do
Rainbow, “Finyl Vinyl” até conseguiu importantes colocações nas
paradas, especialmente na Suécia, ocupando o 25º lugar, enquanto nos charts
britânicos ficou na colocação de número 31 e, na disputadíssima Billboard 200,
ficou no modesto 87º lugar, apesar das vendas não terem sido tão altas.
Mas, sinceramente, se for para apresentar o
Rainbow no seu melhor desempenho ao vivo, não recomendo esse álbum que, não é
um “live” convencional, cá entre nós, sugiro os ótimos “On Stage” (1977) e os póstumos “Live In Germany 1976” (1990) – se você achar – e “Live In Munich 1977” (2006).
No entanto, “Finyl Vinyl” tem
seus méritos, afinal, não foi à toa que a obra ganhou uma versão de luxo, não é
mesmo?
Pode não ser o melhor trabalho ao vivo do
Rainbow, mas vale ouvir sim, uma vez que tem Ritchie Blackmore.
A seguir, a ficha técnica e o tracklist (da
versão em CD) da obra.
Por Jorge Almeida

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