Quando o samba vira método de cena: livro investiga como o samba de gafieira pode reinventar o teatro *
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| Foto meramente ilustrativa. |
"Processos Criativos Teatrais: Dá Samba?", de Júlia Gunesch, será lançado na sexta-feira (27 de fevereiro), com baile de samba de gafieira na Cia Lá na Dança (203 norte)
O que acontece quando o abraço, a condução e o
improviso do samba de gafieira deixam de ser apenas passos e passam a funcionar
como ferramentas de criação cênica? Essa é a pergunta que move o lançamento
de “Processos
Criativos Teatrais: Dá Samba? O princípio de interação entre os corpos do samba
de gafieira para composições cênicas”, novo livro da
pesquisadora e artista Júlia Gunesch. O evento acontece nesta sexta-feira (27
de fevereiro), das 19h às 0h, na Cia Lá na Dança, (203 norte, bloco A) e inclui
apresentação da autora com uma intervenção dançada ao lado de um parceiro
(Vitor Avelar) e uma parceira (Verane Comis) de dança, ao som de DJ Erivaldo
Alves.
No livro, Júlia Gunesch acompanha, passo a passo,
uma investigação prática: como o samba de gafieira pode contribuir com a
linguagem teatral sem perder sua potência popular e coletiva. Partindo de uma
perspectiva histórica sobre as hibridações culturais que moldaram as danças de
salão no Brasil, a autora mergulha no “princípio de interação entre os corpos”
típico do samba de gafieira e testa suas implicações diretamente no palco.
“Eu quis transformar essa pesquisa em livro para
furar a bolha acadêmica: traduzir ideias que nasceram na universidade para uma
linguagem mais acessível e, ao mesmo tempo, ampliar a circulação de um tema
ainda pouco estudado, as danças de salão brasileiras como prática artística e
produção de conhecimento”, explica a autora, Júlia Gunesch.
A pesquisa se materializa em três criações
analisadas no livro: GANCHOS (2018), Quarta da Carne (2019) e ALAÍDE (2019). Em
cada uma delas, o que está em jogo não é “usar dança no teatro”, mas deslocar
engrenagens fundamentais do samba como escuta, risco, presença e resposta
corporal para dentro da dramaturgia. O resultado aponta para uma cena que pode
coreografar o cotidiano, trocar música por palavra (ou silêncio) e ainda assim
sustentar um diálogo orgânico entre teatro e dança.
Sustentada pela abordagem Practice as
Research (PaR), de Robin Nelson, a obra integra teoria e
prática para apresentar nove princípios essenciais das danças de salão
brasileiras (como abraço, condução e improviso coordenado) e cinco traços
particulares do samba de gafieira (como multidirecionalidade de torso e quadril
e a síncope musical). O livro se constrói como manual poético e, ao mesmo
tempo, como convite crítico: repensar fronteiras entre gêneros artísticos e
reconhecer no samba de gafieira um modo de pensar corpo, relação e criação.
“O samba de gafieira ensina que a interação entre os
corpos é dramaturgia: ela muda a qualidade da relação em cena e cria mais
organicidade. É uma escola de escuta, força, conexão e negociação”, destaca
Júlia.
No lançamento, essa passagem do papel para a
experiência acontece ao vivo: além da conversa/apresentação sobre a pesquisa, a
autora realiza uma intervenção em dança ao lado de um parceiro e uma parceira
com discotecagem do DJ Erivaldo Alves. O projeto é realizado com recursos do
Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF), com Editora ANDA, com a
Casa Amarela Criativa e apoio institucional da Secretaria de Cultura e Economia
Criativa e do Governo do Distrito Federal (GDF).
Júlia
Gunesch
Atriz, diretora, coreógrafa, professora e
pesquisadora de samba, teatro, danças de salão brasileiras e tribal fusion
bellydance. Mestra em Artes Cênicas e Bacharela em Interpretação
Teatral pela Universidade de Brasília (UnB). Atua como professora de danças de
salão desde 2010, tendo ministrado aulas em escolas e festivais de dança no
Brasil e no exterior. Atualmente, desenvolve pesquisa de doutorado no Programa
de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal da Bahia
(PPGAC/UFBA), investigando sobre performances de gênero no samba de gafieira
como potência criativa para as artes cênicas.
Créditos: Camila Maxi de Figueiredo | Baú Comunicação
* Este conteúdo
foi enviado pela assessoria de imprensa

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