Peça Sizwe Banzi está morto reflete sobre a desumanização presente na segregação racial *
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| Foto meramente ilustrativa. |
Trabalho idealizado por Réggis Silva, com direção de Ricardo Rodrigues, é montado a partir de diálogo com a figura dos djélis do oeste africano, conhecidos entre nós como griôs
Escrita por
Athol Fugard, John Kani e Winston Ntshona em 1972, a peça Sizwe
Banzi está morto aborda as injustiças do apartheid na África do
Sul. Interessado em discutir a opressão à população negra, presente até os dias
de hoje, o ator Réggis Silva decidiu montar o espetáculo. A
temporada, composta de 20 apresentações, acontece entre os dias 26 de
fevereiro e 29 de março de 2026, no Galpão do Folias. Duas sessões serão
acessíveis a pessoas com deficiência, com recursos de Libras e audiodescrição.
Réggis
Silva juntou-se a Carlos Francisco, ator do Longa-metragem “O
Agente Secreto” e considerado melhor ator no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro
de 2023 por Marte Um, e ao diretor Ricardo Rodrigues,
da aclamada peça Prot{agô}nistas – O Movimento Negro no Picadeiro,
para conduzir uma experiência única no palco. O trabalho retoma o estilo
narrativo da África Ocidental, centrado na figura dos djélis/griôs, os grandes
guardiões da memória de seu povo. A trilha sonora é assinada pelo rapper Rincon
Sapiência.
“O
eixo da criação está no trabalho dos atores. Por isso, queremos destacar o
poder das palavras. Nesse sentido, a ideia é que nada tire o foco da
interpretação, o que vai resultar em um cenário nada excessivo, com elementos
multiuso”, diz Réggis Silva.
Na
trama, em algum momento durante as quatro décadas sombrias de apartheid, o
estúdio fotográfico de Styles, em Porto Elizabeth, se tornou o epicentro de uma
saga humana pungente. Marcado pelo estigma da desconfiança, Sizwe Banzi busca
refúgio sob o olhar atento das lentes e o estalar dos flashes.
Entretanto,
ele é pressionado a alterar sua identidade para se adequar às regras opressivas
da sociedade em que vive. Preocupado com o sustento de sua família, Banzi
abdica de seu próprio nome e legado, assumindo a identidade de Robert
Zwelinzima, um homem morto, que lhe oferece a perspectiva de um novo começo.
Para
Réggis, essa situação ultrapassa a simples luta pela sobrevivência. Trata-se de
um reflexo da batalha incessante pela dignidade em meio a uma sociedade
racista. “Precisamos conviver com a segregação diariamente, em todos os lugares
e momentos. Basta olhar em volta: quantos negros circulam nos lugares que você
frequenta?”, comenta o artista.
Preservação
da identidade
Em Sizwe
Banzi está Morto, o estúdio de Styles transforma-se em um oásis de
esperança onde as identidades podem ser registradas, reinventadas, e as
memórias preservadas. É lá que o personagem-título, confrontado pela realidade
brutal de um sistema que nega sua humanidade, decide forjar um novo destino.
A
câmera de Styles grava a essência da resistência humana, a vontade de existir
par aalém dos horrores inventados pelo sistema de poder branco. Ao mesmo tempo,
a fotografia de Banzi/Zwelinzima, além de registar a opressão, configura-se
como um documento de liberdade, um testemunho da coragem de reescrever sua
história em um mundo que insiste em apagá-la.
“Acreditamos
que apresentar um olhar brasileiro sobre o apartheid, um tema tão relevante que
afeta as pessoas no mundo inteiro, é importantíssimo. Infelizmente, a
segregação ainda deixa as suas marcas”, acrescenta o idealizador do espetáculo.
O
projeto "Sizwe Banzi está morto" foi contemplado no edital Fomento
CULTSP PNAB Nº 22/2024.
Ficha
Técnica
Texto
original: Athol Fugard, John Kani e Winston Ntshona
Tradução:
Adriana Marcolini
Direção:
Ricardo Rodrigues
Assistência
de direção e preparação de Ator: Juliana Jardim
Elenco:
Carlos Francisco e Réggis Silva
Músicas:
Rincon Sapiência
Iluminação:
Túlio Pezzoni
Cenografia:
Bira Nogueira
Figurino:
Leide de Castro
Preparação
Corporal: Vanessa Soares
Operação
de Luz: Nicolas Marchi
Operação
de som: André Moro
Fotos:
Kim Leekyung
Produção
executiva: Renato Modesto e Renata Jardim
Designer:
Victor Bittow
Redes
Sociais: Kauã Tripoloni
Assessoria
de Imprensa: Canal Aberto - Márcia Marques
Idealização:
Réggis Silva
Créditos: Dani Valério | Canal Aberto
* Este conteúdo
foi enviado pela assessoria de imprensa

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