John Lennon: 40 anos de “Live In New York”

 

"Live In New York City", disco póstumo de John Lennon, completa 40 anos de lançamento em 2026.

Na última terça, 24 de fevereiro, a versão britânica do álbum póstumo “Live In New York City”, de John Lennon, completou 40 anos de lançamento, enquanto a sua versão norte-americana saíra um mês antes. Produzido por Yoko Ono, a obra foi lançada pela Parlophone/EMI e traz gravações de dois shows realizados pelo artista em 30 de agosto de 1972 no Madison Square Garden.


O registro pode ser considerado histórico e emocionante, pois documenta o último show completo de John Lennon como artista solo. Na ocasião, o eterno beatle fez uma apresentação beneficente para o “One To One” e, acompanhado pelos músicos da Elephant’s Memory para angariar recursos em apoio às crianças da Willowbrook State School. Na ocasião, John fez duas apresentações, tarde e noite, e o disco reúne principalmente registros da apresentação da tarde. Apesar das críticas posteriores sobre a escolha do repertório e da mixagem, o álbum tem um peso histórico inegável: foram as únicas apresentações completas de Lennon após o fim dos The Beatles.


Musicalmente, o disco mostra um Lennon cru, direto e politizado. A abertura com “New York City” já indica essa energia elétrica, com direito a improvisos e comentários bem-humorados. “Instant Karma!” traz uma pegada mais pesada, enquanto “Mother” e “Imagine” aparecem com arranjos mais pujantes, marcados pela presença de metais, o que divide opiniões, mas reforça o clima de show ao vivo, sem polimento excessivo.


Entre os momentos mais intensos estão “Cold Turkey” e “Well Well Well”, carregadas de tensão e atitude quase proto-punk. Já “Woman Is The Nigger Of The World” explicita o lado mais agressivo de Lennon naquele período. Quando revisita o passado com “Come Together”, em nova tonalidade, ele entrega uma versão vibrante, ainda que levemente irregular — o que só reforça o caráter humano da apresentação.


O tributo a Elvis Presley em “Hound Dog” traz descontração, antes de Lennon conduzir o público em um coro coletivo de “Give Peace a Chance”, transformando o encerramento em um manifesto compartilhado.


O álbum alcançou o 55º lugar no Reino Unido e o 41º nos Estados Unidos, recebendo disco de ouro. Mais do que um registro tecnicamente perfeito, “Live in New York City” permanece como um documento sincero de um artista que, mesmo nervoso e sem a estrutura de uma grande turnê, subiu ao palco por uma causa maior. É Lennon sem filtro: imperfeito, engajado e intensamente vivo.

 

Álbum: Live In New York City

Intérprete: John Lennon

Lançamento: 24 de janeiro de 1986 (EUA) / 24 de fevereiro (Reino Unido)

Gravadora/Distribuidora: Parlophone / EMI

Produtora: Yoko Ono

 

John Lennon: voz, guitarra rítmica, piano e piano elétrico

 

Yoko Ono: voz, piano, piano elétrico e percussão

Jim Keltner: bateria

Elephant's Memory:

Wayne 'Tex' Gabriel: guitarra solo

Gary Van Scyoc e John Ward: baixo

Richard Frank Jr.: bateria

Stan Bronstein: saxofone

Adam Ippolito: piano

 

1. New York City (Lennon)

2. It's So Hard (Lennon)

3. Woman Is The Nigger Of The World (Lennon / Ono)

4. Well Well Well (Lennon)

5. Instan Karma! (Lennon)

6. Mother (Lennon)

7. Come Together (Lennon / McCartney)

8. Imagine (Lennon / Ono)

9. Cold Turkey (Lennon)

10. Hound Dog (Leiber / Stoller)

11. Give Peace A Chance (Lennon)

Por Jorge Almeida

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