Instalação de Bruno Faria no Itaú Cultural une música e artes visuais

 

A instalação de Bruno Faria com 168 LPs em exposição no Itaú Cultural. Foto: Jorge Almeida

O Itaú Cultural está com a exposição “Introdução à História da Arte Brasileira 1960-90” (2015-2022) em cartaz até domingo, 15 de fevereiro. Na verdade, a mostra é composta por uma instalação que dá o nome à exposição. A obra é do pernambucano Bruno Faria (Recife, 1981).

A instalação permite uma visão atenta para o universo em que música e artes visuais caminham lado-a-lado, mas nem sempre foram compreendidas como tal. A obra reúne 168 discos de vinil da música brasileira lançados entre 1961 – caso, de A Bossa Negra" (1961), de Elza Soares -, e 1994, quando foi lançado o atemporal “Da Lama Ao Caos”, de Chico Science & Nação Zumbi.

A obra mostra como as capas, concebidas por artistas visuais, transformaram o disco em um genuíno apoio de invenção estética e registro de seu tempo. Afinal, quem nunca ouviu algo do tipo: “um grande disco se começa por uma grande capa”?

Mais do que expor os objetos, a obra reativa sua dimensão material e sensorial. O público pode manusear alguns discos e ouvi-los em uma vitrola instalada no espaço, fazendo com que imagem e som se encontrem numa mesma experiência. Com isso, a história da arte brasileira é relatada não por grandes marcos oficiais, mas por gestos gráficos, escolhas visuais e diálogos diretos com a música popular.

Esse enfoque atravessa toda a direção de Bruno Faria, apontada por uma pesquisa documental que ativa memórias culturais e averigua como objetos aparentemente cotidianos carregam camadas densas de história. Fotografia, instalação, intervenção e publicação se articulam em uma produção que entende o arquivo como matéria viva.

A obra, parte do acervo da Fundação Itaú, reúne capas elaboradas por nomes como Hélio Oiticica, Guto Lacaz, Regina Vater, Rubens Gerchman, Elifas Andreato e Décio Pignatari, além de álbuns de artistas fundamentais da música brasileira, como Gilberto Gil, Elza Soares, Caetano Veloso, Gal Costa, Chico Buarque, Titãs e Tom Zé (sim, a polêmica capa de “Todos os Olhos” (1973) está lá). Muitas dessas capas, embora icônicas, passaram despercebidas como obras de arte para grande parte do público — e é justamente essa invisibilidade que a instalação projeta.

SERVIÇO:
Exposição: 
Introdução à História da Arte Brasileira 1960-90
Onde: Itaú Cultural – Avenida Paulista, 149 – Bela Vista
Quando: até 15/02/2026; de terça a sábado, das 11h às 20h; domingo, das 11h às 19h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida

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