Darwin antes do mito: primeira edição de A Origem das Espécies revela quem era o naturalista *
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| Foto meramente ilustrativa. |
Visita às curiosidades, escolhas e hesitações proporciona viagem aos fatos que marcaram o nascimento de uma das obras mais influentes da ciência
Celebrado em 12 de fevereiro, o Dia de Darwin marca
o aniversário do naturalista inglês e é comemorado no mundo todo como uma forma
de destacar suas contribuições à ciência e incentivar o pensamento científico.
A data simboliza um retorno às origens, inclusive textuais, de sua
teoria.
Para conhecer Charles Darwin em
sua forma mais ensaística e mais humana, é necessário revisitar a primeira
edição de A
Origem das Espécies, lançada em 1859. Longe da imagem do
cientista seguro, o livro revela um autor atento às próprias dúvidas, cuidadoso
com as palavras e consciente do impacto provocado por suas ideias.
A seguir, confira seis curiosidades da
primeira, publicada sem cortes ou censuras pela Editora Edipro, que
ajudam a compreender melhor o contexto, as escolhas e os limites do pensamento
darwiniano naquele momento histórico.
-
A palavra “evolução” quase não existe
Curiosamente, o termo “evolução” aparece apenas uma
vez em todo livro original e somente na última frase. Darwin preferia a
expressão “descendência com modificação”. Na época, a
palavra carregava a ideia de um progresso linear e predeterminado rumo à
perfeição, concepção em que ele não acreditava.
- E a origem do ser humano?
Embora hoje a obra seja diretamente associada à
evolução humana, Darwin evitou deliberadamente esse tema na primeira edição.
Ele sabia que a reação seria intensa. A menção mais próxima surge apenas ao
final da obra, quando observa, de forma discreta, que sua teoria “lançaria
luz sobre a origem do homem”.
- Um livro extenso e incômodo
Darwin dedicou um capítulo inteiro às fragilidades
da seleção natural, como a escassez de fósseis intermediários. Esse tom quase
autocrítico é especialmente forte na versão original, revelando um cientista
mais preocupado em expor limites e dificuldades do que apresentar uma teoria
fechada e incontestável.
-
O urso que quase virou baleia
Na primeira edição, Darwin incluiu uma passagem
especulativa sobre um urso que nadava com a boca aberta para capturar insetos,
sugerindo que, ao longo de muitas gerações, a seleção natural poderia
transformá-lo em uma criatura tão grande quanto uma baleia. O trecho foi alvo de
críticas e acabou sendo retirado em edições posteriores.
- Uma obra com forte dimensão literária
Antes de se consolidar como um clássico
científico, A
Origem das Espécies foi escrita com um estilo próximo ao
ensaio: metáforas, exemplos narrativos e digressões fazem parte da construção
do argumento. Muitas versões didáticas ou resumidas acabaram aparando essa
dimensão mais literária e reflexiva do texto original.
-
“A sobrevivência do mais apto” não é dele
A expressão célebre não aparece na primeira edição
de 1859. Ela foi criada pelo filósofo Herbert Spencer. Darwin só a incorporou a
partir da quinta edição, por sugestão de amigos, como forma de tornar o
conceito de seleção natural mais acessível — e menos associado à ideia
equivocada de um “selecionador” consciente.
Créditos: Carolina Arnold | LC Agência de Comunicação
* Este conteúdo
foi enviado pela assessoria de imprensa

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