Carnaval deve ser espaço de celebração, respeito e combate ao racismo *
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| Imagem meramente ilustrativa. |
Consultores da Inaperê alertam para alguns cuidados em relação ao uso de fantasias durante os dias de folia
Com a chegada dos meses de janeiro e fevereiro, os
blocos de rua e eventos carnavalescos tomam as principais cidades do país,
reforçando o Carnaval como uma das maiores expressões culturais brasileiras. Ao
mesmo tempo, a festa também exige atenção para que a alegria coletiva não abra
espaço para práticas discriminatórias. Para Leo Bento e Andréa Ladeira, sócios
e fundadores da Inaperê, o período é uma oportunidade de promover consciência e
combater o racismo e outras formas de preconceito.
Entre as situações que merecem atenção está o uso de
fantasias que reforçam estereótipos, como o blackface - prática considerada
racista e amplamente repudiada no Brasil e no mundo. Originado no século XIX, o
blackface consiste em pessoas brancas pintarem o rosto de preto para
representar pessoas negras de forma caricata e depreciativa, reproduzindo
imagens de subalternidade e desumanização.
Segundo os especialistas, esse tipo de manifestação
configura violência simbólica e contribui para a manutenção de desigualdades
históricas. “A liberdade de expressão e de criatividade no Carnaval não pode
ser confundida com a reprodução de práticas que ofendem e excluem”, afirma
Bento.
O alerta também se estende a outras fantasias e
abordagens que estigmatizam populações indígenas, mulheres, pessoas LGBTQIAPN+,
pessoas com deficiência e outros grupos historicamente minorizados. “Não há
festa quando parte da população se sente desrespeitada ou exposta a situações
de constrangimento”, destaca Ladeira.
O debate sobre o tema tem ganhado mais visibilidade
nos últimos anos, refletindo avanços na conscientização social. Em 2026, o
Ministério da Igualdade Racial lançou a campanha “Sem Racismo o Carnaval Brilha
Mais”, que busca prevenir práticas discriminatórias em blocos de
rua, ensaios, quadras e desfiles, além de valorizar a contribuição da população
negra para a construção da festa.
Para a Inaperê, a iniciativa reforça a importância
de reconhecer que o Carnaval brasileiro é profundamente marcado pela história,
pela criatividade e pela resistência da cultura negra. Do samba às baterias,
das fantasias às alegorias, a celebração é resultado de trajetórias coletivas
que devem ser respeitadas e valorizadas.
Mais do que uma discussão pontual, o enfrentamento
ao racismo durante o Carnaval está ligado a um compromisso mais amplo com a
construção de uma sociedade inclusiva. “O espaço público da festa reflete as
relações do cotidiano. A mudança cultural passa por escolhas individuais e pela
responsabilidade coletiva”, afirmam Bento.
Entre as atitudes recomendadas estão a escolha
consciente de fantasias, a valorização da diversidade cultural e a denúncia de
práticas discriminatórias. Para os especialistas, quando a pluralidade é
celebrada com respeito, o Carnaval cumpre seu papel de encontro, expressão e
pertencimento.
“Carnaval é tempo de alegria, criatividade e
liberdade. Mas a verdadeira festa só acontece quando todos podem participar com
dignidade”, conclui Ladeira.
Sobre a Inaperê
A Inaperê é uma consultoria especializada em DE&I
e que oferece uma série de ações que visam a ampliação da diversidade e
garantia de equidade no ambiente escolar e empresarial. Fundada pelos
educadores Leonardo Bento e Andréa Ladeira, desenvolve ações de letramento
racial e histórico em escolas, empresas e instituições públicas, aliando rigor
acadêmico, prática pedagógica e vivência territorial. Entre seus projetos,
destacam-se as consultorias em equidade racial para empresas e escolas, a
Biblioteca Comunitária da Paz, as Trilhas das Memórias Negras e o grupo de
estudos Entrelinhas Afro-Indígenas, que acontecem mensalmente na cidade de São
Paulo.
Créditos: Sebastião Rinaldi
* Este conteúdo
foi enviado pela assessoria de imprensa

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