Até no Carnaval, a velha hipocrisia do 'bolsopetismo'
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| Foto meramente ilustrativa. |
Hoje, 18 de fevereiro, quarta-feira de Cinzas, um dos melhorias dias do ano, aconteceu a apuração do Carnaval 2026 do Rio de Janeiro que teve a Viradouro, com o samba-enredo "Para cima, Ciça!", como a grande campeã, levando o seu quarto título, enquanto a estreante Acadêmicos de Niterói, que homenageou o Presidente Luís Inácio Lula da Silva com o samba-enredo "Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil", foi rebaixada, para alegria dos bolsonaristas e aos que têm antipatia pelo presidente. E é justamente acerca dessa última que gostaria comentar.
Antes do
desfile, houve muita polêmica por conta da escolha do tema por parte da
Acadêmicos de Niterói, que resolveu homenagear Lula. Enquanto os petistas e
seus simpatizantes parabenizaram e torceram pela escola, o lado opositor, além
de criticar, reclamaram, entraram com ações na Justiça para barrar o desfile da
escola, com outros até propondo cassação do mandato ou sugerindo a
inelegibilidade do chefe do Executivo nacional sob a alegação de propaganda
eleitoral antecipada. E, certamente, o desdobramento disso rolará o ano
inteiro. Mas, segundo especialistas, se não houve pedido de votos explícito,
não houve irregularidades em relação à homenagem a Lula.
Os cristãos
bolsonaristas, especialmente os evangélicos, até alegaram intolerância
religiosa por parte da escola devido a uma das alas fazer uma crítica à
"família tradicional brasileira" em conserva. Particularmente, em
relação a isso, acho hipocrisia por parte desse pessoal. Primeiro, discordo que
seja um desrespeito aos cristãos, mas sim é uma crítica social aos usam a
instituição família para que, "debaixo dos panos", fazerem coisas que
até Deus duvida: adultérios, crimes, corrupção, manipulação, etc. Além disso,
alguns religiosos pregam a sua intolerância às instituições, inclusive escolas
de samba, que fazem celebrações referentes a outras religiões, inclusive as de
matrizes africanas. Como cristão católico, particularmente, embora não tenha
visto o desfile, mas acompanhei a repercussão, não senti incomodado ou ofendido
com a mensagem transmitida pela escola.
Outro ponto
que tem que deixar bem claro é que o Governo Lula não R$ 12 milhões para a
Acadêmicos de Niterói para que a agremiação pudesse realizar a homenagem. Pois,
a Embratur, como patrocinadora do Carnaval do Rio, deu esse montante para que
as escolas dividissem entre elas, portanto, um milhão para cada uma. Agora, se
a escola recebesse algum benefício a mais por parte do governo, aí sim era
justo todo motivo de crítica e questionamento sobre o tal.
E a
hipocrisia bolsonarista se fez presente nesse Carnaval, pois, alegam que a
homenagem a Lula é campanha política antecipada, mas quando Jair Bolsonaro foi
presidente, ele também foi homenageado no Carnaval. Em 2020, por exemplo, ele e
alguns ministros foram representados pelos bonecos de Olinda e o próprio Jair
publicou a honra em suas redes sociais na época. Além disso, o ex-presidente
participou, fez aparições em diversos eventos, inclusive, até discursou em
alguns deles, como Marcha Para Jesus e, em 2022, a menos de dois meses da
eleição, esteve presença no principal rodeio do País, em Barretos, onde foi
aclamado pelo seu público e fez cavalgada e tal.
No entanto,
por outro lado, os petistas também demonstraram hipocrisia. Pois, hoje, como
governo, acharam merecida, justa, seja lá como se referir, a homenagem a Lula
no Carnaval, porém, em 2006, o Partido dos Trabalhadores, através de sua
bancada na Câmara dos Vereadores de São Paulo, entrou como uma ação popular na
Justiça de São Paulo para tentar impedir o desfile de um carro alegórico da
escola Leandro de Itaquera com uma homenagem aos, na época do PSDB, José Serra,
prefeito de São Paulo, e Geraldo Alckmin, governador do Estado, e um busto em
homenagem ao ex-governador Mário Covas, sob a alegação de que os tucanos
estariam a usar dinheiro público para campanha e promoção pessoal. No entanto,
naquele ano, a escola foi rebaixada e Lula foi reeleito. Acredito que os
bolsonaristas que acreditam em coincidência estão esperançosos para que isso
aconteça novamente: a escola rebaixada e o homenageado derrotado nas urnas.
Bom, a primeira parte aconteceu.
E,
sinceramente, apesar de não estar em lugar de fala, não sou expert em desfile
de Carnaval, mas como cidadão, sinto-me no direito de opinar: deveria ter uma
lei que proíba qualquer homenagem de cunho cultural e religioso, a
personalidades políticas, independentemente de seu campo ideológico, que esteja
na ativa. Ou, pelo menos, que a proibição aconteça em ano eleitoral,
independentemente se é pré-campanha ou não.
E até 4 de
outubro temos uma batalha mental árdua pela frente por conta dessa maldita
polarização. O jeito é aturar para não surtar.
Dito isso, agora me dão licença que vou apreciar o álbum "Kiss", do Kiss, que completa hoje 52 anos de lançamento.
Por Jorge
Almeida

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