A arte digital e a expansão do olhar: um novo suporte da criatividade humana, por Flor Pimentel*
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| Foto meramente ilustrativa. |
O que define a arte, o material utilizado ou a visão de quem cria? Ao longo dos séculos, passamos da pedra para o afresco, do óleo sobre tela para a fotografia. Em 2026, assistimos à consolidação de uma nova e poderosa forma de expressão: o suporte digital. Mais do que uma tendência tecnológica, estamos vivenciando uma expansão da gramática visual, onde o artista utiliza códigos, dados e pixels como ferramentas para materializar o intangível.
Recentemente, o Museum of Modern Art (MoMA) de Nova
York validou essa transição ao abrir seu espaço mais nobre para a obra
"Unsupervised", de Refik Anadol. Ali, o artista utilizou uma
inteligência artificial treinada por ele para interpretar 200 anos de arte
moderna pertencentes ao acervo do próprio museu. A obra não era um registro
estático, mas uma manifestação que variava em tempo real de acordo com as
condições climáticas de Manhattan. O impacto dessa instalação prova que o
suporte digital permite uma obra fluida e em constante diálogo com o mundo,
algo que o suporte físico tradicional não poderia oferecer.
Essa jornada de experimentação não é súbita. No
Brasil, o pioneirismo de Waldemar Cordeiro já antecipava, nos anos 70, que o
computador seria um aliado da sensibilidade humana. Hoje, essa evolução alcança
nomes como Sebastião Salgado, que leva o rigor de seu olhar para coleções
digitais via Sotheby’s, e Frank Stella, que encontrou no design 3D o DNA para
suas esculturas. Para esses artistas, o digital não é uma tela substituta; é um
novo território onde a autenticidade e a visão artística encontram novas formas
de existência e circulação global.
A
Infraestrutura da Confiança e o Valor da Obra
A grande inovação deste novo suporte não reside
apenas na estética, mas na capacidade de garantir a integridade da visão do
artista. Se antes o digital sofria com a dúvida sobre sua
"colecionabilidade", a tecnologia Blockchain trouxe a solução
definitiva para o mercado.
Pense nela como um selo de procedência inviolável.
Através da criptografia, a assinatura do artista é gravada de forma imutável,
respondendo a perguntas fundamentais que o mercado faz há 400 anos: Quem
validou? Qual é a edição? Qual é a procedência? Essa engenharia de confiança
permite que a obra digital tenha a mesma, ou até maior, rastreabilidade que uma
tela física, garantindo que o valor e a propriedade permaneçam protegidos e
verificáveis.
Entender a arte digital hoje é entender como a
criatividade humana está rompendo barreiras físicas. Do rigor técnico de
Salgado à interpretação algorítmica de Anadol, que transformou o acervo
histórico do MoMA em uma obra mutável e viva, reagindo em tempo real ao clima
de Manhattan, o digital consolida-se como o suporte definitivo para o
colecionismo de alto nível. Não se trata de substituir o passado, mas de
celebrar um novo capítulo onde a tecnologia serve ao propósito mais antigo da
humanidade: a expressão do pensamento através da arte.
*Flor Pimentel,
Diretora de Marketing da plataforma iArremate.
Agradecimentos: Antonio Montano | Vetor.Am
** Este
conteúdo foi enviado pela assessoria de imprensa

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