Zé Ramalho: 45 anos de “A Terceira Lâmina”
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| "A Terceira Lâmina", de Zé Ramalho, completa 45 anos de lançamento em 2026 |
Este ano, o terceiro disco solo de Zé Ramalho, o clássico “A Terceira Lâmina”, completa 45 anos de lançamento. Gravado nos Estúdios Sigla, em janeiro de 1981, e lançado pela Epic (CBS/Sony Music) e co-produzido por Zé Ramalho e Mauro Motta.
No começo da década de 1980, Zé Ramalho já era
consagrado um artista de enorme prestígio em virtude de seus dois primeiros
discos solos, que traziam seu nome, em que cada um trazia um carro-chefe que
até hoje são obrigatórias em seus shows e, claro, são verdadeiros, no sentido
literal da palavra, hinos da Música Popular Brasileira – afinal, quem não
conhece “Avôhai” e “Admirável Gado Novo”,
não é mesmo? Então, calcado com suas letras enigmáticas com base nos ritmos
nordestinos, com toque de folk, energia roqueira e pitadas de psicodelia, Zé
Ramalho lançou o seu terceiro trabalho: “A Terceira Lâmina”,
cujo título traz a sua “terceira mensagem em forma de música e poesia”.
O álbum apresenta boas músicas, como “Canção Agalopada”, que abre a obra, que foi musicada a
partir de um poema de sua autoria que estava em seu livro “Apocalipse”, editado em 1977, que mantém o clima
apocalíptico e que traz a participação de Msria Lúcia Godoy, uma cantora lírica
mineira. Em seguida, em “Filhos de Ícaro“, o
tom profético foi mantido, mas aquela atmosfera dos arranjos sombrios para a
temática que a letra exigia deu lugar a um samba. Na sequência, a faixa-título
que, particularmente, considero a melhor música de Zé Ramalho. Um ótimo arranjo
em uma letra bem interessante em que o cantor transmite uma mensagem
libertária, manifestando-se “discurso sobre a liberdade e o descaso com os
humildes”, como o próprio cantor se refere ao conteúdo da canção. Sinceramente,
para este que vos escreve, ela está no mesmo patamar que “Avôhai“, “Admirável Gado Novo”
e “Chão de Giz“. A quarta música é “Um Pequeno Xote“, em que o falecido Severo do Arcodeom
manda muito bem na sua sanfona. Em seguida, aparece “Atrás do
Balcão“, com uma letra bem interessante em que Zé descreve,
metaforicamente falando, a rotina árdua dos profissionais dos bares que
observam tudo que acontece atrás do balcão e, assim, encerrou o lado A de forma
brilhante.
A segunda parte da obra vem com “Galope Rasante“, que traz um ótimo trabalho percussivo
de ritmo nordestino bem encaixado com as presenças de metais, incluindo aí a
participação do ilustre saxofonista Léo Gandelman. A próxima canção do disco é
“Kamikaze“, com uma letra bem bonita, mas que me chamou
mais atenção a flauta tocada por Waldemar Falcão. Posteriormente, aparece “Violar“, um curto tema instrumental em que Zé toca
viola brilhantemente. Já em “Cavalos do Cão“,
temos um frenético galope com a participação especial de sua prima Elba Ramalho
cuja letras traz memórias de guerras do sertão. A penúltima música é “Ave de Prata“, linda balada que Zé Ramalho compôs para
Elba, que também gravou em seu ‘debut’ de 1979. E, para finalizar, “Dia dos Adultos“, outro frevo que foi inserido por Zé
Ramalho no festival de MPB da TV Tupi, em 1980, no lugar de “A Terceira Lâmina”, que ficou de fora por “vontade dos
organizadores” que queriam uma nova versão de “Frevo Mulher”.
Em 2003, o disco foi reeditado com três faixas
bônus – “Eternas Ondas“, “A Terceira Lâmina”
(uma versão mais curta) e “Mestiça“.
Sem o mesmo apelo em relação aos seus dois
primeiros discos, “A Terceira Lâmina” é um excelente
álbum para quem gosta dessa pegada apocalíptica/mitológica de Zé Ramalho. Grande
obra.
A seguir a ficha técnica e o tracklist (com faixas bônus) da obra.
Zé Ramalho: voz, violão
ovation e violão ovation de 12 cordas.
Por Jorge Almeida

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