Velhas Virgens: 20 anos de “Cubanajarra”
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| "Cubanajarra", das Velhas Virgens, completa 20 anos de lançamento em 2026. |
O
álbum “Cubanajarra”, das Velhas
Virgens, chega aos seus 20 anos em 2026. Lançado em 2006, o trabalho do sexteto
capitaneado por Paulão de Carvalho, o álbum foi produzido por Paulo Anhaia e
lançado pela independente Gabaju Records, a gravadora da banda.
Depois
terem lançado o ótimo “Carnavelhas”
(2004), que mistura marchinhas de Carnaval, rock e umas letras sacanas e de
duplo sentido, as Velhas Virgens chegavam em 2006 comemorando os 20 anos de
existência (e independência!) e, para celebrar a marca, a banda paulista
presenteou os fãs com um disco de inéditas, em vez de optar pelo óbvio, como
lançamento de coletâneas ou discos ao vivo, e foram certeiros, pois aqui temos
um disco básico e bem rock and roll, aliás, bem melhor do que as bandas “de
rock” que estavam no mainstream na época, tipo Charlie Brown Jr., Detonautas e
toda aquela porcariada toda.
O
álbum abre com a empolgada faixa-título, cujo tributo é destinado aos corsários
e suas garrafas de rum (que, com Coca-Cola, se transforma em cuba) com o seu refrão
que é impossível não sair cantarolando quando a escutamos. Depois, a banda
mantém o clima da bebedeira em “Gim no Pingado“, um rock típico das Velhas
Virgens, cujo refrão dá para cantarmos embriagados. O terceiro tema é “As Mulheres e Nelson Rodrigues“,
com uma letra bem interessante e que deixa claro o poder da mulher na arte de
enganar. Em seguida, vem “Dinheiro
Pra Torrar“, outro ‘rockão’ básico em que o interlocutor é bem
claro: “quando eu penso no bar e nas
putas, eu preciso de dinheiro, dinheiro pra torrar“. Nada mais
justo. Na sequência, uma faixa que se tornou clássico no repertório das Velhas
Virgens: “Esse Seu Buraquinho“,
uma baladinha acústica em que Paulão faz uma ode ao brioco da champola, mas que
a amada parece fazer “ânus adocicado” em liberá-lo. Posteriormente, vem “Seu Garçom“,
que é cantada por Lili, mas que, convenhamos, nada contra ela, mas é a faixa
mais fraca do disco. A música tem uma pegada punk rock, mas com uma letra até
meio boba. Mas a vocalista em si, é maravilhosa, nos shows deixava os marmanjos
babando, uma gata nipônica. E o CD chega à metade com “Mea Culpa“, uma
longa faixa com dose de Blues, em que trata o estado depressivo de um cara que,
aparentemente, está na casa dos 40 anos e faz uma autocrítica por ter chegado a
essa situação, ou seja, bateu uma “deprê” e o cara recorreu ao médico para
“salvar o seu fígado”.
Logo
em seguida, outro belo petardo e que se tornou mais um clássico da banda “Tudo O Que A Gente Faz É Pra
Ver Se Come Alguém” que, ao vivo, lembra mais ainda de “I Wanna Be Sedated“,
dos Ramones. Já em “Arca
de Noé“, os caras ousam e mandam muito bem em um Country Rock
de qualidade. O tema seguinte é “Bafo de Jiboia“, outra ‘blueseira’ que fala do
cara que foi esculhambado em casa e no trabalho porque “estava bebão”, mas que
parecia não ter se arrependido do que fizera. Letra genial. Depois, outra faixa
bem rock: “Cretina“, que
aborda a respeito do cara que é feito de trouxa pela companheira que lhe dá uns
“perdidos”. Convenhamos, qual homem que nunca teve uma “cretina” na vida? E
que, assim como o interlocutor, resolveu pular dessa “barca furada”. A
penúltima faixa é a autobiográfica “Paulão Foi Pro Bar“, mas que é cantada pelo
baixista Tuca Paiva, que não faz feio no gogó. E, para encerrar, a explícita “Quero Te Ver Gozar Pelo Cu“,
com uma letra bem pornográfica, por sinal (ah, vá!), com a presença de uns
elementos eletrônicos.
Apesar
do “deslize” em “Seu
Garçom“, o álbum é brilhante, um dos melhores da banda. Esse
foi o último disco da banda com o baterista Lips Like Sugar. Já que o trabalho
seguinte dos caras (“Ninguém
Beija Como As Lésbicas“, de 2009), a banda sofreu alterações em sua
line-up, com as entradas de Juliana Kosso no lugar de Lili e Roy Carlini na
vaga de Caio Andrade. O baterista Simon Brow já tinha entrado no grupo um pouco
antes e participou do ao vivo “Nós
Somos as Velhas Virgens” (2008).
A
seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.
Paulão de Carvalho: voz e coro
Paulo Anhaia: coro, percussão, piano em “Arca de Noé“, bateria acústica, programação e guitarras adicionais em “Quero Te Ver Gozar Pelo Cu“
1. Cubanajarra (Paulão de Carvalho / Alexandre Dias)
Por Jorge Almeida

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