Ratos de Porão: 35 anos de “Anarkophobia”
![]() |
| Em 2026, "Anarkophobia", do Ratos de Porão, completa 35 anos. |
Nesse ano, o álbum “Anarkophobia“, do Ratos de Porão, completa 35 anos de lançamento. Gravado no decorrer de 1991, no Music Lab Studio, em Berlim, o disco saiu pela Roadrunner e produzido por Harris Johns. O play também ganhou uma versão em inglês.
Após uma
bem-sucedida turnê pelo continente europeu, o Ratos de Porão entrou no estúdio,
ainda em Berlim, e repetiu a fórmula do disco anterior, que está mais próximo
do Metal e do Thrash Metal/Crossover e Punk Rock, recheada de letras ácidas por
parte de João Gordo, que parece ter se tornado especialista em abordar temas
atemporais. E, assim elaborando músicas mais longas e trabalhadas, a banda
apresentou um dos discos mais pesados da carreira, com riffs mais rápidos e
cativantes, os vocais brutais de João Gordo e a cozinha precisa composta por
Jabá e Spaghetti.
A
pedrada começa com “Contanto
os Mortos“, com sua ‘intro’ avassaladora, depois os caras
‘tendenciaram’ ao Thrash Metal com “Morte
ao Rei” (o título até lembra de uma canção do Rainbow, “Kill The King“),
que marca presença corriqueiramente nas apresentações da banda. A terceira
faixa é “Sofrer“, que é
bem técnica, uma ótima linha de baixo, refrão contagiante e letra fantástica.
Posteriormente, “Anarkophobia”
apresenta “Ascensão e Queda“,
um Crossover que tem um instrumental primoroso e um vocal absolutamente
incrível de Gordo. E, chegando ao meio, “Mad Society“, o primeiro tema em inglês do álbum,
que tem um trecho mais cadenciado em uma genuína faixa de Thrash Metal.
A
segunda parte do disco vem com “Ódio (All I Need Is)“, que começa com uma melodia
de violão, mas depois vem a pancadaria, desencadeando riffs furiosos e vocal
idem. Em seguida, vem “Anarkophobia“,
onde o baixista Jabá mostra todo seu talento no baixo, com as bases fortes, um
autêntico Thrash Metal. O antepenúltimo tema é “Igreja Universal“, um clássico da banda e que tem
uma das melhores letras da banda que, como o título diz, aborda a respeito da
instituição religiosa liderada por Edir Macedo criticando a lavagem cerebral
que a IURD faz nas pessoas em nome da fé. Mas, curiosamente, anos depois, o
próprio João Gordo foi trabalhar para a emissora de TV ligada a Macedo e à
Igreja Universal, a RecordTV, atuando como repórter e jurado nos programas “Legendários” e “Ídolos Kids“, entre
2010 e 2013. Bom, mas isso é outra história. A penúltima faixa é um cover dos
ídolos Ramones e a canção escolhida foi “Commando“, que ficou muito boa por sinal e,
inclusive, durante uma das apresentações da lendária banda novaiorquina em São
Paulo, em 1991. E, para finalizar o tracklist original, “Escravo da TV“,
outro petardo cuja abordagem segue atualíssima.
Em
2012, o álbum foi relançado pela Voice Music em digipack com cinco faixas
bônus, sendo um cover dos Mutantes (“Jardim Elétrico“), enquanto as demais – “(All We Need Is) Hatred“,
“Death Of The King“,
“Counting The Dead”
e “Universal Church”
– são versões em inglês de músicas do próprio disco, além de ter um encarte
mais elaborado, repleto de fotos.
Assim
como “Cada Dia Mais Sujo e Agressivo”
(1987) e “Brasil‘ (1989), “Anarkophobia”
possui a sua edição cantada em inglês. Vale destacar que os registros lançados
em outro idioma foram feitos apenas para que o público gringo dos caras
conseguisse entender a abordagem das letras, o que, convenhamos, foi uma baita
estratégia, pois, os Ratos de Porão são bem respeitados lá fora.
Quem
tiver a prensagem original de “Anarkophobia”
não precisa nem dizer sobre a qualidade da obra, mas também vale a pena
adquirir a nova prensagem do play, já que, além de ter o tracklist original, a
qualidade gráfica e os bônus tracks fazem valer cada centavo. Obrigatório em
qualquer coleção, seja lá de Punk Rock, Thrash Metal, Crossover ou até dos
próprios Ratos.
A seguir, a
ficha técnica e o tracklist (versão relançada em 2012) da obra.
Por Jorge
Almeida

Comentários
Postar um comentário