Matanza: 20 anos de “A Arte do Insulto”
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| "A Arte do Insulto", do Matanza, completa 20 anos em 2026. |
Nesse ano, “A Arte do Insulto”, o quarto disco de estúdio do Matanza, chega aos seus 20 anos de lançamento. Gravado nos estúdios Ar e Tambor, o álbum foi produzido por Rafael Ramos e lançado pela Deckdisc e é considerado um dos mais pesados do grupo carioca.
Amado e odiado, o Matanza já era uma realidade nos primeiros anos do século XXI, enquanto os ‘noventistas’ lamentavam a saída de Rodolfo Abrantes dos Raimundos, e, quando pareciam ter ficado órfãos, Jimmy London e companhia surgiram no momento certo para preencher a lacuna deixada pelos Raimundos, afinal, as duas bandas até tinham algumas coisas em comum: o Harcore (os Raimundos misturavam com o forró e o Matanza misturava com o country), além disso, ambos faziam sons enérgicos, ofensivos aos “ouvidos frágeis” e “tocando o foda-se” para o politicamente correto. E o ápice do grupo carioca foi “A Arte do Insulto”, que trouxe mais peso, em termos sonoros, e uma pegada mais ligada ao Heavy Metal e o Hardcore Punk, deixando um pouco, mas não por completo, o Countrycore.
O play começa com tudo na faixa-título, em que Jimmy e companhia
mandam a real para aqueles bebuns que enchem o saco no boteco. Logo, o Matanza
já inicia os trabalhos com os dois pés no peito e em alta velocidade. Em
seguida, a desafiadora “Clube
dos Canalhas“, enaltecendo a canalhice e taxando que só um
idiota completo é quem morre de tédio. O terceiro tema é uma das minhas
favoritas de toda a discografia da banda: “O Chamado do Bar“, música empolgante e um refrão
certeiro: “Devo nada pra ninguém / Bebo se
estiver afim / Minha vida é minha / E a sua que se foda“, quer algo
mais direto que isso? Depois, em “Sabendo Que Posso Morrer” mantém o ritmo e aborda
sobre a autodestruição. Em seguida, temos “Quem Perde Sai” que, como o nome sugere, fala de
jogatina, mulheres e bebida, claro. Já a faixa seis é “Meio Psicopata“,
outra pedrada em que o interlocutor diz que estava na dele no bar, bebendo e
aparece um sujeito vem o incomodar por conta de uma vaga e que, segundo ele,
não faz nada de errado, é a confusão que o procura, mas que o seu psiquiatra
não o entende. E a obra chega ao meio com outro petardo: “Eu Não Gosto de Ninguém“,
com sua abordagem que deixa claro o modo de vida anti-social do eu-lírico.
Inclusive, me identifico bem com o teor da música.
A faixa oito, por sua vez, dá uma diminuída no ritmo, mas não
deixa de perder o peso: me refiro a “O Caminho da Escada e da Corda“, que deixa nítido
que se refere a um bandido condenado à forca ao pôr-do-sol (talvez no
Alabama?). Posteriormente, em “Ressaca Sem Fim“, uma paulada que faz uma ode à
bebedeira, claro. O tema seguinte é “Tempo Ruim“, que foge um pouco do estilo dos
caras, pois é uma “balada de despedida”. Depois, vem a raivosa “Quem Leva a Sério O Quê?“,
em que Jimmy London parece levar uma reflexão para os que levantam discussões
inúteis por aí, ou que falam muito, mas escreve (ou age) pouco. A penúltima
música é ótima “Whisky
Para Um Condenado“, um countrycore típico da banda e que fala a
respeito de um cara que, segundo ele, só tinha meia hora de vida e queria que
seu último pedido fosse realizado: bebericar um uísque. E, para encerrar, a
beberrona “Estamos Todos Bêbados“,
uma balada que lembra aquelas típicas músicas irlandesas em que o bandolim
marca forte presença e que, parecia que a banda a fez justamente no clima
proposto na música: “Nós
estamos todos bêbados / Bêbados de cair / E todos que não estiverem bêbados /
Dêem o fora daqui“.
Bom, que me desculpem os fãs das bandas de rock contemporâneas
do Matanza na época, tipo Charlie Brown Jr., Pitty, Detonautas, NX Zero e
aquelas bandas de emocore da época, mas esse trabalho de Jimmy London, Donida,
China e Fausto é uma das melhores coisas lançadas pelo rock brazuca no século
XXI. Sem exagero, “A
Arte do Insulto” é uma pedrada e um tapa na cara desse pessoal mais
sensível e que se incomoda com certas abordagens dos caras que, convenhamos,
estavam cagando e andando para quem não gostasse, mas o recado foi dado.
Clássico.
A
seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.
Por Jorge Almeida

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