Joelho de Porco: 50 anos de “São Paulo 1554/Hoje”

 

"São Paulo 1554/Hoje", do Joelho de Porco, completa 50 anos em 2026.

Aproveitando que hoje, 25 de janeiro, é aniversário de 472 anos da cidade de São Paulo, vamos falar a respeito dos 50 anos de um álbum que está relacionado à data: “São Paulo 1554/Hoje”, da banda Joelho de Porco. Gravado ao longo de 1975 nos estúdios que pertencia ao maestro Rogério Duprat, o Vice-Versa, em São Paulo, o disco saiu pelo selo independente Crazy e a produção ficou por conta do próprio Joelho de Porco.


Formado em 1972 por Tico Terpins e Próspero Albanese, o grupo só lançou o seu primeiro disco em 1976, gravado no horário noturno, por conta do orçamento apertado. O resultado não se parecia com nada do rock brasileiro daquele momento. Enquanto o progressivo e o rock pesado se levavam muito a sério, o Joelho fazia justamente o contrário. O espírito debochado já dizia tudo, a começar pelo selo que lançou o disco: Crazy.


A homenagem a São Paulo é presente em várias faixas do disco, pois naquela época, a cidade já era fascinante e já exigia os cuidados em perambularmos por ela. Mas, a obra começa com a ótima “Hey Gordão”, que fala da obsessão com a saúde, de forma lenta e surpreendente, antes da pegada mais roqueira aparecer de vez em “Boeing 723897”, em que é destacado a poluição sonora e aérea. Inclusive, ainda sobre o tema, o play ainda traz a irônica “Aeroporto de Congonhas”, com sua triste comédia de uma família paulistana que, na ausência de praia, se conforma em ver aviões “subindo e descendo”.


O humor dos caras, bem ao estilo “tio do pavê”, vem com força em “México Lindo” ou no grito memorável em “Mardito Fiapo de Manga”. O Joelho de Porco, ainda mantendo a pegada irônica, mas de maneira elegante e fina, aflora com “Debaixo das Palmeiras” e na ótima “A Lâmpada de Edison”, com uma ótima linhas de guitarra.


A abordagem à vida cotidiana e seus empecilhos marcam presença em “Cruzei Meus Braços, Fui Um Palhaço” e também um retrato de um roqueiro dos anos 1970 em “Meus 26 Anos”. No entanto, o carro-chefe não só do play, mas do grupo está presente aqui: a atualíssima “Sampa By Day”, um hino urbano que se mantém atual, mesmo cinco anos depois: quem, em 2026, se sente plenamente seguro “andando nas ruas do Centro, cruzando o Viaduto do Chá”? Pois é, hoje, muita gente ainda tem a sensação de insegurança de circular pelas vias da região central, situação que o Joelho de Porco já bradava em 1976. Os “trombadinhas” daquela época eram equivalentes ao que, nos dias atuais, chamamos de “noias”.


Musicalmente, o álbum é um caldeirão. Tem rock, bolero, referências à música rural, paródia, colagem e melodias muito bem construídas. Merece destaque também nos vocais de Próspero e Tico, expressivos, teatrais e muito conscientes do efeito que causam.

 

Enfim, “São Paulo 1554/Hoje” traz muita dose paulistana de humor, crítica, música brasileira e rock, sem rótulos fáceis como pós-tropicalista ou proto-punk.

 

Relançado em vinil nos anos 80, depois em CD e mais tarde nas plataformas digitais, esse registro continua como um dos álbuns mais autênticos do rock brasileiro. Um retrato caótico, engraçado e crítico de São Paulo — e, no fundo, de quem vive nela.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

 

Álbum: São Paulo 1554/Hoje

Intérprete: Joelho de Porco

Lançamento: 1976

Gravadora/Distribuidora: Crazy

Produtor: Joelho de Porco

 

Próspero Albanese: voz

Tico Terpins: baixo e voz

Walter Baillot: guitarra, violão em "Mardito Fiapo de Manga", "México Lindo" e "A Lâmpada de Edison" e guitarra lap steel em "Debaixo das Palmeiras" e "A Lâmpada de Edison" e vocais

Sérgio Sá: arranjos, piano em "Hey Gordão", "Mardito Fiapo de Manga", "México Lindo" e "A Lâmpada de Edison", piano elétrico em "Debaixo das Palmeiras" e órgão em "Aeroporto de Congonhas", "A Lâmpada de Edison" e "Meus 26 Anos"

Flavio Pimenta: bateria e percussão

Dudi Guper: percussão

 

1. Hey Gordão (Próspero Albanese / Renato Albanese)

2. Boeing 723897 (Tico Terpins / Allan Terpins / Dudi Guper)

3. Mardito Fiapo de Manga (Tico Terpins / Sérgio Terpins / Charatz)

4. Cruzei Meus Braços... Fui Um Palhaço (Próspero Albanese / Tico Terpins)

5. Debaixo das Palmeiras (Próspero Albanese / Tico Terpins)

6. México Lindo (Tico Terpins)

7. Aeroporto de Congonhas (Tico Terpins)

8. São Paulo By Day (Tico Terpins)

9. A Lâmpada de Edison (Walter Baillot / Tico Terpins)

10. Meus 26 Anos (Walter Baillot / Tico Terpins)

 

Por Jorge Almeida

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