Janis Joplin: 55 anos de “Pearl”

 

"Pearl", álbum póstumo de Janis Joplin, completa 55 anos em 2026.

No último domingo, dia 11 de janeiro, o álbum “Pearl”, trabalho póstumo de Janis Joplin, completou 55 anos de lançamento. Gravado entre o final de julho e o início de outubro de 1970 no Sunset Sound Records, em Hollywood, na Califórnia, o disco teve a produção de Paul Rothchild, conhecido pelo seu trabalho com o The Doors, e o material saiu pela Columbia Records. A obra-prima saiu três meses depois da morte da cantora (Janis morreu em 4 de outubro de 1970).


Depois de ter como bandas de apoio a Big Brother And The Holding Company e a Kozmic Blues Band, Janis Joplin teve o suporte do The Full Tilt Boogie, que foram os músicos que a acompanharam no Festival Express, durante a turnê de show que a cantora fez em trem pelo Canadá no verão de 1970, para gravar “Pearl“. Boa parte do material foram compostos no Canadá dois meses antes da cantora e o grupo a iniciarem as sessões de gravações. A banda também apareceu duas vezes no The Dick Cavett Show. Eles também tocaram em muitas cidades americanas, antes e depois do Festival Express, embora nenhuma gravação desses shows tenha sido lançada oficialmente.


O disco começa muito bem com o ‘rockão’ “Move Over”, que atesta a versatilidade da banda e destaque para a bateria firme logo na ‘intro’. Em seguida, aparece “Cry Baby”, música em que Janis Joplin despeja toda sua emoção, intensidade e sua interpretação magistral que nos faz parecer sentir a dor dela de perder o amor de sua vida. O terceiro tema é “Woman Left Lonely”, que começa mansamente com Hammond de Ken Pearson e, no desenrolar da canção, o vocal poderoso da cantora é explorado de forma magnífica. Na sequência, o disco dá uma animada com “Half Moon”, um Blues Rock de primeira qualidade e o play encerra o lado um com “Buried Alive In The Blues”, outro ótimo Blues Rock mais acelerado, com bons solos de guitarra e que apresenta a habilidade da banda. Tornou-se uma faixa instrumental porque Janis Joplin faleceu antes de gravar os seus vocais.


O lado B tem “My Baby”, uma balada linda de morrer, assim como “Trust Me” (que Bobby Womack escreveu para Joplin), “Get It While You Can“, faixas 8 e 9, respectivamente, que ajudam a manter o estilo, tanto na melodia quanto na abordagem. Propositalmente, pulei dois temas que, particularmente, atribuo como os pontos altos do álbum: “Me And Bob McGee”, um grande clássico do rock em que fala da história de um casal de viajantes com o espírito de atravessar os Estados Unidos. Nela, Janis tocou violão. Cabe aqui um parêntese: a primeira vez que escutei essa música foi, na verdade, uma versão de um comercial de cigarros dos anos 1990, Lark (não sei se esse produto ainda existe!). E, claro, a inigualável “Mercedes Benz” (o nome da música não possui a grafia original da marca de veículos – Mercedes-Benz -, com hífen) em que Joplin canta à capella para que Deus lhe dê um carro da marca alemã para fazer frente aos amigos que dirigem Porsches. Talvez, seja a música mais conhecida de Janis e, infelizmente, foi a última música gravada pela cantora, uma vez que ela a cantarolou no estúdio no dia 1º de outubro, três dias antes de sua morte. Enfim, todas as músicas em que ela canta, foram aprovadas e arranjadas pela própria Janis Joplin e apenas duas faixas tiveram a assinatura da cantora – “Move Over”, composta apenas por ela, e “Mercedes Benz”, em que Janis divide os créditos com Bobby Neuwirth e Michael McClure.


A foto icônica da capa do álbum, registrada por Barry Feinstein em Los Angeles, mostra Joplin reclinada em seu sofá vitoriano com uma bebida na mão. O nome do play – “Pearl” (“Pérola”, em português) – foi escolhido justamente por ser o apelido da cantora e, convenhamos, não poderia ter sido melhor escolha e o álbum chegou ao topo das paradas norte-americanas ao passar a barreira das quatro milhões de cópias vendidas.


Em 1999, uma versão remasterizada de “Pearl” foi lançada em CD acrescida de quatro faixas-bônus com gravação ao vivo inéditas do Festival Express Tour, gravadas em 4 de julho de 1970. Mais tarde, em 2005, o disco foi relançado com mais bônus, incluindo também algumas versões alternativas e, no CD 2, com 13 faixas gravadas ao vivo em algumas apresentações entre 28 de junho e 4 de julho de 1970.

Aliás, em 2003, a Rolling Stone classificou o álbum na 122ª colocação na lista dos “500 Melhores Álbuns de Todos os Tempos”, sendo que, na lista revisada de 2012, passou a obra para o número 125 do ranking.

Infelizmente, Janis Joplin se foi, jovem, com apenas 27 anos, e não pode desfrutar da obra-prima que acabara de criar. Esse disco serve como uma aula para quem não sabe quem foi Janis Joplin, pois a essência de seu legado está em “Pearl”, um álbum que merece ser ouvido no ‘repeat’ umas ‘trocentas’ vezes. Vale ser apreciado cada segundo.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Pearl
Intérprete: Janis Joplin
Lançamento: 11 de janeiro de 1971
Gravadora: Columbia Records
Produtor: Paul A. Rothchild


Janis Joplin: voz e violão em “Me And Bob McGee

John Till: guitarra
Richard Bell: piano
Ken Pearson: órgão Hammond
Brad Campbell: baixo
Clark Pierson: bateria

Bobby Womack: violão em “Trust Me
Sandra Crouch: pandeiro
Bobbye Hall: congas e percussão
Phil Badella, Vince Mitchell e John Cooke: backing vocal


1. Move Over (Joplin)
2. Cry Baby (Ragovoy / Berns)
3. A Woman Left Lonely (Penn / Oldham)
4. Half Moon (John Hall / Johanna Hall)
5. Buried Alive In The Blues (Gravenites)
6. My Baby (Ragovoy / Shuman)
7. Me And Bob McGee (Kristofferson / Foster)
8. Mercedes Benz (Joplin / Neuwirth / McClure)
9. Trust Me (Womack)
10. Get It While You Can (Ragovoy / Shuman)


Por Jorge Almeida

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