Exposição “O Que Nos Une” no Centro Cultural FIESP

 

"Exoesqueleto controlado pelo cérebro", criado por equipe liderada pelo prof. Nicolelis, que foi exibido na abertura da Copa do Mundo de 2014. Foto: Jorge Almeida 

Em cartaz até o próximo domingo, 1º de fevereiro, no Centro Cultural FIESP, a exposição “O Que Nos Une” apresenta um conjunto de instalações imersivas inéditas criadas pelo Aya Studio, que convidam o público a pensar sobre os atrelamentos entre cérebros humanos e os impactos das novas tecnologias na conduta e na consciência coletiva.

O ponto inicial é a teoria Brain Net, desenvolvida pelo médico e neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, professor emérito da Duke University. A partir dessa análise, a exposição sugere uma reflexão sobre como cérebros podem sincronizar suas atividades e operar em rede, cultivando coletivos apropriados de partilhar conceitos, emoções e criar recursos de forma cooperativa. Ao juntar ciência, tecnologia e arte contemporânea, a exposição revela esse conceito em experiências sensoriais que tornam palpável aquilo que normalmente é invisível: as forças que nos vinculam. 

Esse pensamento se solidifica em três instalações interativas. Em “O Cérebro”, o público é levado a uma submersão visual e simbólica no principal órgão do sistema nervoso, com imagens multiplicadas por espelhos infinitos e animações que revelam sinapses, impulsos elétricos e conexões em constante movimento. Já “O Coletivo” transforma a apresentação das pessoas em impulsos visuais projetados no espaço, despontando como a proximidade entre corpos gera imagens ligadas às grandes criações humanas, robustecendo a ideia de que somos mais pujantes juntos. Em “Sincronização”, batimentos cardíacos são captados e transformados em luz e som; à medida que os participantes se aproximam, ritmos e cores se ornamentam, culminando na criação de uma trilha sonora coletiva. 

Além das instalações, a exposição exibe o exoesqueleto utilizado no chute inicial da Copa do Mundo FIFA de 2014 por uma pessoa com paraplegia completa (foto). O equipamento é resultado do projeto internacional Andar de Novo, liderado por Nicolelis, que comprovou ao mundo a pontencialidade das interfaces cérebro-máquina na reabilitação de pessoas com paralisia. O público também pode assistir a trechos de entrevistas do neurocientista e circular por um espaço marcado por frases provocativas que sintetizam seu pensamento, como essa: "Quando a política bate com a biologia, ela perde de goleada! A conveniência [propiciada pela era digital] está matando a agência humana!" 

Para o professor, a mostra enaltece o conceito de que o cérebro humano não pode ser comprimido a algoritmos e que ciência e arte são expressões integrantes do mesmo impulso inventivo. Ao percorrer a mostra, o visitante é convidado a perceber que a verdadeira revolução tecnológica do nosso tempo passa pela compreensão da potência das conexões humanas. 

SERVIÇO:
Exposição: O Que Nos Une
Onde: Centro Cultural FIESP – Galeria de Arte – Avenida Paulista, 1313 – Cerqueira César
Quando: até 1°/02/2026; de terça a domingo, das 10h às 20h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida

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