Exposição “Histórias da Ecologia” no MASP

 

"Tamanduateí-Monumento" (2007), de Daniel Cabellero, em exposição no MASP. Foto Jorge Almeida

O Museu de Arte de São Paulo (MASP) apresenta até o dia 1° de fevereiro de 2026, a exposição “Histórias da Ecologia”. Com curadoria de André Mesquita e Isabella Rjeille, a mostra expande o debate acerca da crise climática ao olhar para a ecologia como uma engrenagem viva nas relações entre humanos e o seu meio. Com cerca de 200 obras de artistas, movimentos sociais, ativistas e engajadores de 28 países, a exposição ocupa os cinco andares expositivos do Edifício Pietro Maria Bardi (do 2° ao 6° andar) e permite uma análise crítica a respeito de sociedades, territórios e ecossistemas estão intrinsecamente interligados.


Os curadores em vez de abordarem a natureza como alguma coisa separada da vida social, partiram da ecologia como um pacto dinâmico, abarcada por história, política, cultura e conflitos, incluindo temas como colonialismo, racismo ambiental e desigualdades sociais.


A mostra cursa por cinco núcleos (um por andar) que se articulam de maneira fluída, reunindo saberes indígenas, ancestrais, científicos, urbanos e comunitários. A exposição evidencia que a crise climática não é um fenômeno isolado, mas o resultado de processos históricos e estruturas de poder que moldam a forma como habitamos o planeta.


No núcleo “Teia da Vida”, instalada no sexto andar, é apresentado a ecologia como uma organização de interdependências entre seres humanos, animais, plantas e territórios. Os trabalhos exalam como os vínculos são cruzados por embates por poder, saberes indígenas e métodos de coexistência que provocam o conceito de natureza como algo apático ou desvinculado do convívio social. Destaques para obras como “Margarida Alves” (2020), um óleo sobre tela, de Manuela Cantuária; “Bondades de Pachamama” (2010), uma cabaça entalhada por Irma Poma Cachumani, do Peru; e os dois vídeos do chinês Zheng Bo intitulado “A Vida Política das Plantas 1 e 2” (2021/23).


No andar abaixo, tem o núcleo “Geografias do Tempo”, em que o tempo é compreendido de forma plural. A mostra apresenta perspectivas indígenas, afrodiaspóricas, rurais e urbanas que refletem a respeito da temporalidade para além da lógica linear oriental, agregando o passar do tempo aos ciclos da terra, às transformações da paisagem e às experiências cotidianas de cuidado, memória e regeneração. Destaques para “Calendário” (2024), do colombiano Aycoobo (Wilson Rodríguez), feito de guache e tinta de caneta sobre papel algodão; e “Treta” (2022), de madeira muiracatiara e circuito de áudio, de Denise Alves Rodrigues.


Depois, em “Vir-A-Ser”, é o nicho que pesquisa processos de transformação e devir, abordando relações simbólicas, espirituais e materiais entre humanos e mais-que-humanos. Os trabalhos abordam a respeito de hibridismos, metamorfoses e corporalidades em transformação, indicando formas de vivência que rompem com hierarquias fixas, normas de gênero e separações rígidas entre espécies. As obras “Vaso de Alça de Estribo” (circa de 400-700), uma cerâmica dos Mochica, do Peru; e “Pavão Azul” (2025), uma acrílica sobre nanquim sobre linha, de Michel Zózimo.


Já o núcleo “Territórios, Migrações e Fronteiras” é centrado aos deslocamentos coagidos e os efeitos sociais da crise climática. Este nicho trata de migrações, exílios e fronteiras físicas e simbólicas. Os trabalhos corroboram ecocídios, conflitos ambientais e desigualdades históricas empurram populações inteiras para situações de vulnerabilidade e deslocamento permanente. Situação devidamente traduzidas em obras como “Astronauta Refugiado X” (2024), uma escultura de Yinka Shonibare; “Mina de Ferro, Itabira CVRD” (1976), um óleo sobre tela, de Djanira da Motta e Silva; e “Maré Profunda” (2017), um vídeo HD 18’44”, de Tabita Rezaire.


Por fim, em “Habitar o Clima”, no segundo andar, exibe trabalhos que conjecturam sobre estilos de viver, ocupar e imaginar o mundo em um panorama de inconstância climática. As obras debatem tanto experiências urbanas quanto rurais, distinguindo táticas de resistência, adaptação e reinvenção coletiva diante das transformações ambientais em curso. Destaques para obras como “O Vendedor de Pedras” (2025), “Tamanduateí-Monumento” (2018) e “Floresta Vermelha 2 e 3” (2007).


Ao longo do percurso, a exposição reforça que a crise climática não é um fenômeno à parte, mas como consequência de processos históricos e estruturas de poder que moldam a forma como habitamos o planeta.


A série “Histórias da Ecologia” faz parte do ciclo anual do MASP voltado às “Histórias”, que iniciou em 2016 e permite revisões plurais e amplas da história da arte e da sociedade, além de reforçar o compromisso do museu às práticas sustentáveis, agregadas à sua programação e à concepção de seu novo edifício.

 

SERVIÇO:

Exposição: Histórias da Ecologia

Onde: Museu de Arte de São Paulo (MASP) – Edifício Pietro Maria Bardi (do 2° ao 6° andar) - Avenida Paulista, 1500 – Bela Vista

Quando: até 1°/02/2026; terça-feira e sexta-feira, das 10h às 22h; quarta, quinta, sábado e domingo, das 10h às 18h

Quanto: R$ 75,00 (inteira); R$ 37,00 (meia-entrada); entrada gratuita às terças-feiras e sextas-feiras (após às 18h)


Por Jorge Almeida

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