Exposição “Clarissa Tossin: Ponto Sem Retorno” no MASP

 

"Death By Head Wave" (2011), de Clarissa Tossin, em exposição no MASP. Foto: Jorge Almeida

Com curadoria de Adriano Pedrosa e Guilherme Giufrida, a exposição “Clarissa Tossin: Ponto Sem Retorno” está em exibição no MASP até o próximo dia 1° de fevereiro e apresenta cerca de 40 obras produzidas pela artista ao longo dos últimos 20 anos, sendo a primeira individual dela em um museu brasileiro. A mostra foi ponderada como uma imensa instalação imersiva, quase como se o MASP tivesse cruzado uma tragédia e começasse a exibir os rastros que restaram. A percepção é a de andar por um espaço pós-desastre, em que cada trabalho atua como testemunho material de um mundo em colapso.


Mais do que retratar a crise climática, Tossin produz espontaneamente com seus resquícios. Ou seja, objetos descartados, fragmentos de paisagens, materiais orgânicos e crônicas do próprio corpo surgem como aquilo que, por ela, é intitulado de “fósseis do futuro”: legado da violência humana sobre o planeta. O subtítulo da mostra faz referente exatamente a esse período conturbado em que os estragos ambientais se tornam irrecuperáveis, um ponto a partir do qual já não há um regresso viável.


A exposição conversa com duas geografias cruciais em sua via: Porto Alegre, sua cidade-natal, e Los Angeles, onde vive atualmente. As lamentáveis enchentes que arrasaram o Rio Grande do Sul em 2024 deram surgimento à obra “Volume Morto” (2025), comissionada pelo MASP, em que as paredes da galeria recebem marcas horizontais feitas com tinta produzida a partir de terras recolhidas em áreas atingidas. O trabalho expede tanto às recentes inundações quanto a outras tragédias ambientais no Brasil, como Mariana e Brumadinho. Já os incêndios que atingiram a Califórnia em 2025 surgem de forma direta e simbólica na exposição, inclusive com a ausência física de uma obra devastada pelo fogo, substituída apenas por sua marca na parede, como um memorial soturno.


No percurso da exposição, Tossin também permite conexões entre o sofrimento dos corpos – humanos ou não -, como na instalação feita com o que sobre de uma árvore morta devido a uma onda de calor na França. Em outras obras, a artista expande uma visão para o planeta e o cosmos, pesquisando mapas, imagens de satélite e referências à exploração espacial, sempre incluindo essas tecnologias a processos históricos de colonização, extração e consumo.


O conjunto de obras indica que aquilo que hoje rejeitamos — lixo, ruínas, rastros — pode ser justamente o que permanecerá como memória da nossa passagem pela Terra.


Em meio aos destaques, chama atenção as obras “Death By Head Wave (Acer Pseudoplatanus, Mulhouse Forest)” (foto), de 2011, composto por silicone, pigmento preto e casca de árvore; “Spend” (2009-11), constituída por porcelana e cinza de lixo; “Becoming Mineral” (2021), obra em porcelana; e “Piante Vagabonds (Roma)” (2025), tinta para gravura sobre tela.


SERVIÇO:

Exposição: Clarissa Tossin: Ponto Sem Retorno

Onde: Museu de Arte de São Paulo (MASP) – Edifício Pietro Maria Bardi - Avenida Paulista, 1578 – Bela Vista

Quando: até 1°/02/2026; terça-feira e sexta-feira, das 10h às 22h; quarta, quinta, sábado e domingo, das 10h às 18h

Quanto: R$ 75,00 (inteira); R$ 37,00 (meia-entrada); entrada gratuita às terças-feiras e sextas-feiras (após às 18h)


Por Jorge Almeida


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