Exposição “Abel Rodríguez – Mogaje Guihu: A Árvore da Vida e da Abundância” no MASP
![]() |
| "Árvore da Vida" (2014), de Abel Rodríguez, em exposição no MASP. Foto: Jorge Almeida |
Com cerca de 60 obras, a exposição “Abel Rodríguez – Mogaje Guihu: A Árvore da Vida e da Abundância” está em cartaz no Museu de Arte de São Paulo (MASP) até o próximo dia 1° de fevereiro. Com curadoria de Adriano Pedrosa e Leandro Muniz, a mostra faz parte da programação do museu dedicada às História da Ecologia. A exposição exibe a produção de Abel Rodríguez (1941-2025), sendo a primeira póstuma do artista, como um documento afetuoso e intransigente de um conhecimento edificado ao longo de gerações, da qual arte, memória, espiritualidade e natureza são intrínsecos.
Também conhecido pelo seu nome indígena, Mogaje Guihu, Abel Rodríguez
nasceu na Amazônia colombiana e integrante dos povos Nonuya e Muinane. Desde a
puerícia, foi aprimorado para ser um conhecedor, protetor dos conhecimentos da
floresta, principalmente no que se referir às plantas, seus usos e suas
acepções. Na década de 1990, em meio aos motins armados que afetaram sua
província, foi compelido a deixar a Amazônia e se constituir em Bogotá. Nessa
conjuntura, passou a desenhar motivado por pesquisadores da Fundação Tropenhos,
como meio de registrar e repartir seu conhecimento sobre a floresta. Essas
ilustrações acabaram se tornando o eixo central de sua produção e, com o tempo,
projetaram sua produção do cenário artístico internacional.
Seus trabalhos mostram um entendimento denso e ligado à natureza. Neles,
animais, plantas, ciclos do tempo e atos humanos surgem conectados, seguidos de
anotações que sugerem atividades práticas, simbólicos e espirituais das
espécies. O artista não expõe a floresta como um item avulso de estudo, mas
como uma construção viva, observada a partir da memória e da experiência
direta. Inclusive, um dos pontos centrais de seu trabalho é intitulado “árvore
da vida e da abundância”, vinculado ao mito de origem dos povos Nonuya e
Muinane, no qual a primeira árvore dá procedência à floresta e a todos os
seres, até que conflitos e disputas conduzam à busca por equilíbrio entre
humanos e não humanos.
Entre os destaques estão obras como “Árvore da Vida” (foto), de 2014, um
nanquim sobre papel; “Ciclo Anual da Floresta da Várzea”, uma série de 12 obras
de tinta sobre papel; e “Estudo de Árvores” (2006), uma série constituída por
15 desenhos em tinta sobre papel.
SERVIÇO:
Exposição: Abel Rodríguez – Mogaje
Guihu: A Árvore da Vida e da Abundância
Onde: Museu de Arte de São Paulo (MASP) – Edifício Pietro Maria Bardi
- Avenida Paulista, 1578 – Bela Vista
Quando: até 1°/02/2026; terça-feira e sexta-feira, das 10h às 22h;
quarta, quinta, sábado e domingo, das 10h às 18h
Quanto: R$ 75,00 (inteira); R$ 37,00 (meia-entrada); entrada gratuita
às terças-feiras e sextas-feiras (após às 18h)
Por Jorge Almeida

Comentários
Postar um comentário