Arnaldo Antunes: 30 anos de “O Silêncio”
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| "O Silêncio", de Arnaldo Antunes, completará 30 anos de lançamento em 1996. |
Nos primeiros minutos de 2026, a primeira música que escutei foi “Medo”, dos Titãs, do clássico álbum “Õ Blésq Blom” (1989), cantada por Arnaldo Antunes. E, por falar nele, o primeiro disco que completa “data cheia” neste ano que começa que gostaria de tratar um pouco, é justamente um trabalho dele: “O Silêncio”, seu terceiro álbum de estúdio, que chegará aos seus 30 anos em 2026. Lançado pela BMG e produzido por Mitar Subotic, o play é caracterizado pelo pop-rock que marcou a sua ex-banda, os Titãs.
Quando
os Titãs optaram por seguir uma linha mais pesada ao gravar o maravilhosamente
agressivo “Titanomaquia”
(1993), com as letras escatológicas, o insatisfeito Arnaldo Antunes tirou o seu
time de campo. Afinal, o que a banda na qual foi integrante por dez anos estava
a produzir era uma coisa bem distante do que ele queria fazer. Logo, a solução
foi a eminente carreira solo.
Em 1993, foi lançado o seu primeiro trabalho em uma nova fase: “Nome”. Com 23 faixas e uma sonoridade um pouco esquisita e letras inspiradas na poesia concreta, os velhos fãs dos Titãs não entenderam bem o propósito e acharam tudo muito estranho. O trabalho seguinte – “Ninguém” (1995) – embora seja um disco ainda mais difícil, já dava uma pinta de ser mais pop, como pode ser visto na canção “Alegria”, “Ninguém” e “Fora de Si”.
Mas
foi no ano seguinte com o álbum “O
Silêncio”, que Arnaldo Antunes foi transportado para uma sonoridade
mais pop-rock que tinha um estilo mais próximo aos dos Titãs que, naquela
época, estava em turnê como o bom “Domingo” (1995). Canções como “Macha Fêmeo” e “Que Te Quero”
traduzem bem essa sonoridade.
Contudo,
o grande trunfo do disco foi o fato de o ex-titã ter transitado por gêneros
musicais diferenciados, como o reggae em “O Buraco”, o rockabilly em “Poder” e um
rap-rock em “Inclassificáveis”,
que tem a participação especial de Chico Science e que foi regravada por Ney
Matogrosso que, inclusive, batizou a sua turnê com o nome dessa música. Outro
destaque fica por conta da versão de “Juízo Final”, um clássico de Nelson Cavaquinho.
Aliás,
o videoclipe de “Poder”,
que tem a direção de Tadeu Jungle – que é co-autor da música -, embora seja
mais curto do que a canção gravada, é muito bom e está recheado de gente
ilustre que vão desde Paulo Miklos, Nando Reis, Sérgio Britto e Charles Gavin,
seus ex-companheiros de Titãs a Jorge Ben Jor, e também gente como Rodolfo
(ex-Raimundos), Frejat, André Abujamra, Samuel Rosa, entre outros.
A bem sucedida parceria com Carlinhos Brown se faz presente no disco através da faixa-título e a participação do instrumentista em “Desce (Versão 2)” e em “O Silêncio”.
Inclusive, a formação do disco é composta por Arnaldo Antunes (voz), Edgard Scandurra (guitarra), Pedro Ito (bateria), Paulo Tatit (baixo) e Zaba Moreau (teclados e backing vocal).
O
trabalho ainda tem mais duas versões de “O Silêncio”: uma remixada por Luis Paulo Serafin e
produzida por Dudu Marote, e a versão acústica produzida por Arnaldo Antunes e
banda.
Apesar de “O Silêncio” ainda não pode ser considerado o melhor trabalho de Arnaldo Antunes, mas, possivelmente, foi a partir dele que a carreira do ex-titã decolou e o disco é fundamental para quem quer iniciar os seus conhecimentos no universo “arnaldístico”.
A seguir, a
ficha técnica e o tracklist do play.
Por Jorge
Almeida

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