A turnê brasileiríssima "Let it Burn/Deixa Arder" de Chico Chico apimenta noite paulistana no Cine Joia (10.01.2026)
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| Chico Chico em ação no Cine Joia. Foto: Lyvia Duarte |
O vascaíno mais gente fina que se pode conhecer de pertinho trouxe tudo e um pouco mais em show feito neste sábado (10), no Cine Joia, Centro de São Paulo, para divulgar o seu mais recente trabalho "Let It Burn/Deixa Arder".
Como um verdadeiro atacante, Chico Chico, com sua simplicidade e voz rasgada, fez os paulistanos suarem a camisa do início ao fim.
É inegável ouvir o seu timbre, sua risada despojada, vê-lo em "campo" (palco) e não lembrar de sua saudosa e talentosa mãe Cássia Eller. Sua presença forte e carismática emociona a todos como Cássia assim fazia brilhantemente. É surreal ouvir e ver Chico Chico, de coração.
O show que começou um pouco depois das 21h, já chegou cheio de groove com “Hora H”. O cantor e sua Banda Banda...rs, estavam prontíssimos para apresentar mais do que um repertório, uma obra. Eles queriam marcar um gol a cada música, queriam toda a alegria daquela "arquibancada" que estava lá. E que plateia, meus amigos! Todos cantando, sem respiro, todos os seus sucessos.
“Vapor Barato”, música de Zeca Baleiro e também cantada pela banda O Rappa, chegou com a cara de Duas Vezes Chico. Ele tem o molho, ele tem muita identidade, ele ressignifica, com o seu coração visceral, tudo o que toca, ou melhor canta.
Em cada acorde, cada batida, bem como em suas pausas entre uma música e outra, seus fãs apenas retribuíam toda a presença e comprometimento do cantor.
Outros clássicos nacionais e internacionais tiveram a pitada única de Chico Chico, como a belíssima e icônica música “Vila de Sossego”, de Zé Ramalho.
Na sequência, “Urmininu”, “Árvore” - música linda e intensa - e “Acorda Zé” fizeram todos cantarem alto, beeeem alto para a chegada da ilustre Lucinha Turnburn, amiga do pai de Chico Chico – o músico Tavinho Fialho (1960-1993) - e também parceira de Rita Lee, logo após ela ter saído d'Os Mutantes.
Lucinha chegou plena e apimentou ainda mais o show tocando “Mamãe Natureza”, ‘feat’ com o nosso vascaíno. A cantora também apresentou uma música que, segundo ela, ainda não tem nome definido por estar em construção. Para fechar o duo, eles simplesmente mandaram “All My Loving”, dos Beatles, que surpreendeu e deixou todos muito nostálgicos.
Quando eu falo que Chico Chico tem o dom e o talento, eu sei do que eu estou falando. Tocou "Two Mother's Blues" lindamente. Ele é completo! MPB, reggae, blues e o que mais ele tiver com vontade de cantar, ele simplesmente vai e faz.
Agora, aquela pergunta que não quer calar: Se um Chico já é bom, imagina três? Pois é, antes da chegada de Chico César, o filho de Cássia cantou "A Felicidade". E que felicidade foi a nossa na noite de ontem ao ver três Chicos em ação.
Se vocês pensam que em um show só se tem música e alegria, se enganam. O cenário, assim como tudo na nossa vida, também traz posicionamento.
“Béradêro” e “Dúvida Cruel” aqueceram o gogó de todos para a música Pedra de Responsa. Todos os ‘feats’ foram bem recebidos, mas esse último lavou a alma de muita gente ali no Cine Joia. Para completar, um uníssono "sem anistia" tomou conta do espetáculo.
Bem-humorado e devidamente munido com sua peita do Vasco da Gama, Chico Chico gargalhou, brincou, sentou, rebolooooou e até chamou um segurança quando alguém gritou: 'Vai Curínthia!' Na paz, na brincadeira, é claro.
Bob Dylan também foi representado à altura pelo cantor na música "Girl From The North Country".
Entre outros muitos sucessos, as canções Menino Bonito e Ninguém (minha favorita) foram recebidas com todo o amor que o vascaíno merece.
Na parte final, Chico Chico apresentou algumas surpresas, entre elas, uma excelente versão de "Blues da Piedade", de Cazuza
Nós do Blog Cultura e Futebol mal podemos esperar o próximo show de Duas Vezes Chico.
Por Lyvia Duarte, com agradecimentos a Luiz Lino e Ítalo Martins pela oportunidade

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