Leo Jaime: 40 anos de “Sessão da Tarde”

 

"Sessão da Tarde", clássico do Leo Jaime, completa 40 anos em 2025.

Neste ano, um grande clássico do rock brasileiro completa 40 anos: o álbum “Sessão da Tarde“, o segundo trabalho solo de Leo Jaime. Lançado pela Epic, a obra foi produzida por Mariozinho Rocha e vendeu mais de 150 mil cópias na época.

Com músicas que abordam temas apropriados para a juventude do Brasil “pós-ditadura”, como anseios da adolescência, amor juvenil, o poder do dinheiro (inclusive no amor), solidão e algumas pitadas de críticas sociais. Tudo capitaneado com um bom pop que agitou muitas “festinhas nas garagens” pelos lares brasileiros na década de 1980 (ouvi muito esse LP na minha infância).

O disco tem algumas participações especiais como do Kid Abelha, do João Penca e Seus Miquinhos Amestrados e d’Os Paralamas do Sucesso. A guitarra foi tocada por Sérgio Serra, que fez parte do Ultraje a Rigor.

A obra começa com a reflexiva “O Pobre“, em que o interlocutor gosta da garota, que, segundo ele, o sentido não é recíproco por causa de sua condição social. Em seguida, a clássica “A Fórmula do Amor“, com a participação do Kid Abelha e os Abóboras Selvagens, que tornou-se um dos principais hits do álbum. O terceiro tema é a bela balada “A Vida Não Presta“, que tem o enredo semelhante à da faixa de abertura (um jovem apaixonado por uma garota popular, mas que sofre com o amor não correspondido). Posteriormente, vem a icônica “As Sete Vampiras“, um divertido rock feito de encomenda para o filme de Ivan Cardoso de mesmo nome – foi a primeira música do cantor que gostei. E o lado A termina com outra balada: ““, com destaque para o Doo Wop feito pelos caras dos Miquinhos Amestrados, banda da qual o próprio Leo Jaime fez parte.

O outro lado da “bolacha” inicia com uma sutil crítica sobre injustiça social em “O Regime“. Depois, em “Amor Colegial“, composta pelos guitarristas dos Titãs – Tony Bellotto e Marcelo Fromer -, é abordado o cara que tenta a sorte em investir em uma jovem colegial. Considero essa a melhor música do disco. O oitavo tema é outro clássico: “Solange“, uma versão de “So Lonely“, do The Police, em que Leo Jaime e Leoni (seus autores) tiveram como “musa” (ou seria “anti-musa”?) inspiradora Solange Hernandes, a temida chefe de Divisão de Censura de Diversões Públicas, órgão da ditadura militar que decidia o que podia e o que não podia ser exibido no teatro, cinema, televisão e música. Nela, o pessoal d’Os Paralamas do Sucesso participam. Já em “O Crime Compensa“, Leo Jaime deixa claro que a corrupção não havia se encerrado e cita alguns “pequenos delitos” que são cometidos por pessoas comuns, como “o que é proibido é sempre melhor” ou “trocar as etiquetas no supermercado” . E, para finalizar, um trocadilho que mistura libertação pessoal e política em “Abaixo a Depressão“.

Com um trabalho que emplacou vários sucessos nas rádios e com presença cada vez mais constante na TV (e também no cinema), “Sessão da Tarde” não apenas marcou a carreira de Leo Jaime, como também fez muita gente balançar o esqueleto. Enfim, um disco muito bom que deixou muita saudade da melhor época da minha vida. Felizmente, a obra está disponível em CD, mas requer um pouco de procura.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Sessão da Tarde
Intérprete: Leo Jaime
Lançamento: 1985
Gravadora: Epic
Produtor: Mariozinho Rocha

Leo Jaime: voz, guitarra e teclados

Sergio Serra: guitarra
Iuri Cunha: baixo
Paulo Henrique: teclados
Rodrigo Mauá: bateria

Kid Abelha e Os Abóboras Selvagens: voz em “A Fórmula do Amor
João Penca e Seus Miquinhos Amestrados: backing vocals
Os Paralamas do Sucesso: instrumentos

1. O Pobre (Leo Jaime / Herbert Vianna)
2. A Fórmula do Amor (Leo Jaime / Leoni)
3. A Vida Não Presta (Leo Jaime / Leandro Verdeal / Selvagem Big Abreu)
4. As Sete Vampiras (Leo Jaime)
5. Só (Leo Jaime)
6. O Regime (Leo Jaime / Selvagem Big Abreu)
7. Amor Colegial (Tony Bellotto / Marcelo Fromer)
8. Solange (So Lonely) (Sting / Versão: Leo Jaime / Leoni)
9. O Crime Compensa (Leo Jaime / Selvagem Big Abreu)
10. Abaixo a Depressão (Leo Jaime)

Por Jorge Almeida

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